ORIENTAÇÃO E ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO ON LINE
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Alegria e tristeza em 140 caracteres
Alegria e tristeza em 140 caracteres
Estudo publicado na ‘Science’ analisa postagens de ‘Twitter’ para avaliar o ritmo diário de variação de humor de milhões de indivíduos dos cinco continentes. O início e o fim do dia são apontados como os momentos de manifestações mais positivas.
Helena Aragão
As redes sociais podem ser um ótimo observatório de manifestações espontâneas para estudos de comportamento, como o que mediu as emoções positivas e negativas em postagens de ‘Twitter’.
Para alguns o Twitter é uma ferramenta de comunicação com os amigos. Para outros, é instrumento de trabalho, graças a seu potencial de divulgação. Já para pesquisadores, o site em que os usuários postam frases de até 140 caracteres sobre qualquer assunto pode ser um celeiro de informações preciosas sobre o comportamento das pessoas.
A partir da análise de frases de 2,4 milhões de pessoas de 84 países de todos os continentes, postadas no microblogue entre fevereiro de 2008 e janeiro de 2010, Scott Golder e Michael Macy, do Departamento de Sociologia da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, mediram a variação de humor desses indivíduos ao longo do dia. A experiência foi relatada em artigo publicado na Science desta semana.
As pessoas acordam de bom humor, mas isso vai mudando à medida que o dia passa e a curva só volta a aumentar à noite, perto da hora de dormir
Os sociólogos utilizaram um software de linguagem para medir emoções positivas – como entusiasmo, alegria – e negativas – medo, raiva etc. – nas palavras utilizadas nos tweets. A análise, que só considerou postagens feitas em inglês, mostrou que as pessoas acordam de bom humor, mas isso vai mudando à medida que o dia passa e a curva só volta a aumentar à noite, perto da hora de dormir.
Nos fins de semana, embora haja maior manifestação de emoções positivas, as variações de comportamento ao longo do dia se mantêm. A diferença é que o pico de emoções positivas acontece duas horas depois que nos dias de trabalho, provavelmente porque as pessoas acordam mais tarde.
Nos Emirados Árabes, onde a semana de trabalho vai de domingo a quinta-feira, observa-se o mesmo ritmo: a média de emoções positivas é maior nos fins de semana (sexta e sábado) e o pico nesses dias também ocorre duas horas mais tarde.
O mapa mostra a média de emoções positivas expressas em palavras em cada país. A análise incluiu o Brasil, onde apenas 2% das postagens de ‘Twitter’ estavam em inglês.
“Poderiam dizer: claro, durante o trabalho as pessoas têm menos motivos para ter alto nível de emoções positivas. Mas não é tão simples”, explicou Golder em entrevista em vídeo feita pela Science. “Afinal, a curva decrescente de emoções positivas também é observada ao longo dos dias de folga. Então há algo mais, relacionado com o ritmo do sono ou do relógio biológico, que está desempenhado um papel importante na determinação dos sentimentos.”
Manifestações espontâneas
A mensuração do ritmo de humor é complexa e já foi buscada em diversos estudos off-line. Segundo o artigo, muitos deles acabavam sendo análises de grupos muito restritos. Mesmo as pesquisas recentes que vêm usando ferramentas de mídia social têm tido imprecisões, como colocar emoções positivas e negativas em uma mesma dimensão, quando psicólogos já convencionaram que elas são independentes e uma não tem efeito sobre a outra.
Levando isso em consideração, o estudo de Golder e Macy também avaliou o ritmo do humor em função das estações do ano e concluiu que a depressão de inverno, por exemplo, é associada à diminuição de emoções positivas e não ao aumento de emoções negativas.
“Com esse estudo mostramos que é possível observar milhões de indivíduos em suas manifestações espontâneas, sem incomodá-los e sem induzir resultados”
Para Golder, o mais importante é ressaltar o leque de possibilidades que as redes sociais podem abrir para estudos comportamentais. “Você pode pesquisar um pequeno número de pessoas de maneira próxima, mas com esse estudo mostramos que é possível observar milhões de indivíduos em suas manifestações espontâneas, sem incomodá-los e sem induzir resultados”, explicou.
Por outro lado, os pesquisadores assumem que a dimensão on-line também é a causa das limitações do estudo. A análise lexical é limitada à expressão dos sentimentos, não à experiência. Além disso, as variações culturais e ambientais não têm como ser avaliadas, bem como características de gênero, raça, idade e condição econômica.
Ainda assim, os autores acreditam que os “padrões robustos” encontrados em diferentes países são um resultado relevante independente das variações que essas limitações possam trazer.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário