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sexta-feira, 9 de março de 2012

Maus Tratos Psicológicos



MAUS-TRATOS PSICOLÓGICOS

Dos diversos tipos de maus-tratos a que as crianças estão submetidas, os maus-tratos psicológicos são os mais difíceis de ser detectados. Geralmente estão associados a outros tipos de abusos como, por exemplo, as agressões físicas e sexuais.

Esse tipo de maus-tratos pode ocorrer de forma passiva quando a criança é exposta ao abandono emocional ou negligenciada em relação aos cuidados de ordem afetiva ou ainda de forma ativa, quando a criança sofre agressões verbais ou exposta à ameaça de castigos físicos, críticas deletérias, rejeição sistemática, imputação de culpa e isolamento social.

Tais situações ocorrem em qualquer nível socioeconômico e não há um perfil psicológico específico para os agressores, porém algumas características são comuns nas famílias que cometem esse tipo de crime, podendo-se considerar como fatores de risco:

  • número elevado de filhos;
  • filhos não desejados;
  • filhos de mães adolescentes sem o devido suporte psicossocial, ou em situação de isolamento sem o apoio familiar e com escassos recursos financeiros;
  • inexperiência e ignorância no trato dos filhos, frente as suas necessidades afetivas;
  • antecedentes de violência familiar e/ou ruptura familiar;
  • isolamento social;
  • toxicômanos na família.

Dentre as formas mais comuns de maus-tratos psicológicos, destacamos o que se segue:

  • castigos excessivos, recriminações constantes, culpabilização e ameaças;
  • rejeição ou desqualificação da criança;
  • uso da criança como intermediação de desqualificações mútuas entre os pais em processos de separação;
  • responsabilidades excessivas para a idade tais como:
    • cuidar de irmãos menores;
    • desenvolver seu auto-cuidado em idade muito precoce;
    • responsabilizar-se por seu próprio cuidado médico quando portadores de patologias crônicas;
    • isolamento devido a mudanças freqüentes ou a proibições de convívio social;
    • clima de violência entre os pais e uso da criança como objeto de descarga emocional;
    • uso inadequado da criança como objeto de gratificação, não permitindo sua independência afetiva.
    Em decorrência dessas situações, a criança evolui com sintomas inespecíficos, e ao mesmo tempo, comuns em outros tipos de maus-tratos e em algumas doenças com conseqüências em longo prazo:
    • distúrbios do crescimento e do desenvolvimento psicomotor, intelectual, emocional e social;
    • labilidade emocional e distúrbios de comportamento, tais como: agressividade, passividade e hiperatividade;
    • problemas psicológicos que vão desde a baixa auto-estima, problemas no desenvolvimento moral e dificuldade de lidar com a agressividade e sexualidade;
    • distúrbios do controle dos esfíncteres (fazer xixi na cama e evacuar nas calças);
    • psicose, depressão e tendências suicidas.
    Observamos que, às vezes, comete-se esse tipo de maus-tratos de forma inadvertida, então se torna imprescindível que todos os pais revejam suas práticas no trato com os filhos, de forma a evitar tais abusos.
    Portanto, torna-se imprescindível evitar tais sofrimentos às crianças, para diminuirmos o número de adultos desajustados e delinqüentes. Qualquer tipo de maus-tratos, psicológico ou não deve ser notificado ao Conselho Tutelar.

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