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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Novos meios

Novos Meios Ser sociável sempre foi uma das condições primárias do ser humano. Nesta nova era, surge outra necessidade, quase que básica: a sociabilização virtual. O filme Rede Social expõe o surgimento desta realidade por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamp Ao finalizarmos a primeira década deste milênio, podemos nos questionar sobre algumas transformações sociais. Talvez entre as mais evidentes e marcantes deste período estejam as mudanças comportamentais que a tecnologia nos trouxe. Aproximaram-nos e nos distanciaram em uma velocidade nunca vista antes na história da civilização. A palavra de ordem dos novos tempos, conectividade, além de todo um pensar em torno do mal-estar ou bem-estar do processo de civilização. Hoje somos seres digitais, virtuais, em pixels, com @ e .com.br. O volume de informações e estímulos que nos alcançam dentro das nossas “zonas de conforto” é desconcertante. Não temos mais como negar ou viver sem toda essa tecnologia de informação, muito menos sem as consequências que ela nos traz, como tudo que fala do sujeito psíquico no mundo, a ferramenta toma a si os investimentos do afeto. Quando Andy Warhol profetizou que todos teriam seu direito a 15 minutos de fama, talvez não imaginasse a importância que a internet e as redes sociais teriam nesse fenômeno. Dentro da “pasteurização” que toma o sujeito nestes tempos chamados por muitos de “pós-modernidade”, a promessa de um olhar – ou milhares, em tempos net – voltado para si se torna como um oásis no meio do deserto. Talvez se Warhol fosse vivo hoje seria um dos que teriam previsto o fenômeno dos reality shows e das celebridades instantâneas surgidas na liquidez deste mundo novo que se apresenta. O enredo mostra as motivações de Mark Zuckerberg para criar o Facebook, que passam pela necessidade de vínculo pessoal e de rejeição amorosa Enquanto muitos parecem buscar a fama, como prioridade e foco de vida, alguns buscam o dinheiro. Em Rede Social temos uma questão importante e que talvez seja o ponto central do filme. O que move Mark Zuckerberg? Ele buscava dinheiro, realização profissional ou fama? Talvez seu desejo fosse apenas o de se sociabilizar e encontrou uma maneira por meio do Facebook. Alguns teóricos ainda pesquisam no sentido de entender que a necessidade de vínculo faz parte de tudo aquilo que constitui o sujeito em seu desamparo original. Sociabilizou pessoas para se tornar sociável. Começou sendo odiado por todas as mulheres com o FaceMatch, e em sua busca ao menos deixou de ser invisível aos olhos do grupo social no qual estava inserido. Talvez fosse esse olhar a sua grande meta. Talvez se Warhol fosse vivo hoje seria um dos que teriam previsto o fenômeno dos reality shows e das celebridades instantâneas Sociabilização on-line Não podemos jamais subestimar o poder que uma rejeição e abandono, gatilhos para o desamparo que traz como marca esse sujeito, pode ter no psiquismo humano. Nosso personagem (e deixamos claro aqui que falamos apenas do filme) é movido pela rejeição amorosa associada à rejeição social intrínseca que demonstra desde o início. Temos aí o combustível psíquico para uma grande descoberta/invenção. Este mesmo ainda é mencionado no filme como motivador da criação do também programa Napster. Mark Zuckerberg é um gênio, sua habilidade social parece baixa, assim como sua inteligência emocional. Um altíssimo QI com suas possíveis consequências e dificuldades. A genialidade muito próxima de questões estudadas em psicopatologia. Qualquer similaridade de onipotência e onipresença seria mera coincidência. Como tal, se reconhece como gênio e acima da Lei. Mesmo seus crimes se justificariam pelo “benefício” que teriam trazido ao apontar questões de falha na segurança digital dos sites invadidos. Uma torção que promove diante das regras nas quais talvez invista de acusações por sua não possibilidade de estabelecer os vínculos buscados. Traz aí a marca da criação movida a partir de uma força agressiva. Cercada por grades e câmeras de segurança, A classe média se esquiva no meio desta guerra. E é isso que esse filme nos mostra sem piedade, que estamos em meio a uma guerra sem nome A vida de Mark já estava bastante complicada quando conhece então os irmãos Winklevoss, que nos remetem à clássica literatura sobre narcisismo. Que combinação perfeita: gêmeos, arrogantes e dispostos a dominar o mundo, cultivadores do corpo e da fama social. Mark aparentemente foi mais rápido e esperto do que os gêmeos. Eduardo fez parte do plano. O corte temporal de alguns anos com idas e vindas no enredo nos mostra jovens adultos em uma fase inicial da vida acadêmica e posteriormente meio a processos e brigas judiciais. As posturas diferentes e as brigas nos remetem às ques­tões de vaidade e dinheiro e em como podem acabar com relacionamentos. Enquanto Mark trabalhava em sua semi-ideia genial – não totalmente original – os gêmeos e Eduardo se ocupavam com questões sociais reais. Mark se volta­va para a transposição dessas necessidades sociais para o mundo virtual. Assim nasceu o Facebook. De quem realmente foi a ideia? Foram simultâneas ou uma delas foi o click inicial para um insight? A batalha judicial se deu em torno do dinheiro, não da originalidade ou criação do site. Sobre este aspecto do reconhecimento social de uma ideia, acerca das muitas emoções e nível de estresse que podem estar en­volvidos em um evento desta natureza, há também um ótimo filme sobre fatos reais, seu título é Jogada de Gênio – Flash Of Genius, que discute roubo de patentes, mas aborda de maneira muito intensa a questão dos sentimentos envolvidos em eventos deste porte. Talvez a grande ideia de Mark tenha sido a de usar suas necessidades e seus interesses como parâmetros para todo um grupo social. Lidar com sexualidade, interesses e relacionamentos e a curiosidade que estes temas geram foi um excelente ponto de partida e diferencial do Facebook. Fatores impulsionadores da vida dos estudantes desta geração da tecnologia da informação. Ainda hoje pen­samos e pesquisamos os denominadores comuns que levam um número cada vez maior de pessoas ao ciberespaço. O que buscam? O que as move nessa direção? E o Facebook explode e com ele vem a fama, a sociabilização e os problemas que estes podem trazer. Amizades corrompidas e rompidas pelo dinheiro, processos intermináveis e muita inveja. Eternidade virtual E depois do sucesso inicial, Erika (ex-namorada) faz que suas palavras no excelen­te diálogo de abertura do filme se tornem realidade. Ao confrontar Mark com toda a sujeira publicada por ele em seu blog ao término do namoro, ela aponta para as questões de eternidade no mundo virtual. O que ali fora dito ou “escrito” não pode jamais ser apagado e pode reverberar para sempre. Mesmo um tweet, um tópico ou uma mensagem no Facebook ou em qualquer outra rede pode permanecer para sempre on-line. O poder sem limites de alcance do mundo virtual faz que um simples desabafo ou desafeto tome proporções incomensuráveis geograficamente. A informação navega em tempo difícil para nossa realidade mensurar nos dias de hoje. A tal “peste” ou “praga” pode atingir propósitos para muito além dos impulsos de seu criador, criatura internética ganha contornos impensáveis, espalha e contamina, sublinhando os impulsos mais indomáveis e proibidos para o sujeito ético, aquele que sublima em vez de realizar, o que busca no vínculo investido de Eros sua maior realização. A cada rejeição nosso personagem alimentava sua fixação em aumentar sua empresa, e esta servia como combustível para seu sucesso. Ao mesmo tempo, o narcisismo dos irmãos Winklevoss levava um grande golpe. Como o personagem Mark diz no filme, pela primeira vez os gêmeos não estavam no comando e, para eles, não ser o centro das atenções não era em nada agradável. Some-se a tudo isso uma família rica e com advogados e temos então os ingredientes do processo. Não estavam movidos pelo dinheiro, mas sim pela propriedade intelectual e o reconhecimento que isto traria. Queriam os seus 15 minutos de fama! Talvez como o Aquiles representado por Brad Pitt, quisessem a história, a posteridade. O que se pode fazer por reconhecimento? Os processos para a criação do Facebook colocam em pauta questões como fama, dinheiro e amizade Eis que Mark e Eduardo acabam por conhecer Sean Parker, o criador do Napster. Este software fez parte da história da cibercultura como um dos primeiros a compartilhar arquivos de áudio pela rede, mudando historicamente como a indústria fonográfica mundial e seus artistas lidam com a virtualidade. Reconhecimento social A suposta paranoia de Sean Parker e os alertas à dupla de novos empresários não parecem ter sido totalmente tão e somen­te uma inscrição no psicopatológico. Talvez, se tivesse alertado sobre as brigas entre egos que teriam de enfrentar, nossos protagonistas estariam mais preparados. Quando a ganância e a possibilidade de expandir seus interesses entram por uma porta, as amizades saem pela janela. A história contada pelo filme é do que uma pessoa seria capaz de fazer pelo reconhecimento. O dinheiro ali não importava tanto, mas o reconhecimento social. Rede Social contribui para um pertinente debate que envolve questões bem atuais da cibercultura, além de trazer à tona características dessa nossa atual sociedade, seus caminhos e descaminhos. Alerta aos comuns mortais também, que como tudo que fala dos grupos humanos, há na cibercultura o progressivo, agregador, mas há também o destrutivo, o antiestético, antiético, o perigo. Estamos conectados em velocidades nunca vistas antes e nossa moeda nos dias de hoje são simplesmente IDEIAS. A quantidade de textos gerados é hoje nunca antes vista, as barreiras geo­gráficas em relação à troca de informações se atenuaram ao quase inexistente, a solidão nunca esteve tão compartilhada. Quando a ganância e a possibilidade de expandir seus interesses entram por uma porta, as amizades saem pela janela A invasão de privacidade nunca foi tão facilitada, a compulsão e obsessão pas­seiam anônimas pela grande rede. Mas, também, os aspectos de união e compartilhamento de ideias e ideais construtivos de um avanço em qualidade de vida estão bastante evidenciados. A execução destas pode ser feita em um piscar de olhos, e nessa corrida, aqueles que tiverem maior habilidade criativa é que sairão na frente. Eentendendo aqui criatividade não como a capacidade de criar algo, mas sim de ver com outros olhos o que ninguém conseguiu ver antes, juntar em um novo padrão. O Facebook não teve muita coisa de diferente das outras redes sociais existentes, mas teve a habilidade de olhar as mesmas questões com outros olhos, e assim atrair a atenção do mundo virtual. O homem faz contato. Esta talvez seja a primeira grande necessidade que traz inscrito em si. Ao sair do ventre, lança o olhar à mãe, ali se inaugura toda uma busca que leva cada um ao seu paraíso e ao seu inferno, ao mundo dos vínculos possíveis, tudo aquilo que chamamos sociedade, grupo social, civilização.

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