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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Obesidade,Síndrome metabólica e Depressão

Obesidade, Síndrome Metabólica e Depressão Gordura abdominal, diabete, hipertensão estão relacionados à depressão. A doença depressiva é um transtorno muito freqüente, atingindo em torno de 4% a 7% da população geral nas estatísticas muito otimistas. Há predominância nas pessoas do sexo feminino. Entre os sintomas depressivos estão as alterações no comportamento alimentar, manifestados ou por redução do apetite, e conseqüente emagrecimento, ou por comer demais (hiperfagia), levando ao aumento ponderal. O vínculo da depressão com outras patologias tem sido pesquisado e gerado novas informações. Entre essas associações aparece a relação entre depressão e Síndrome Metabólica (SM), já que as duas compartilham sintomas e conseqüências, tais como o aumento da massa corporal total, o diabetes melito tipo 2, resistência à insulina e, principalmente, o aumento da mortalidade por doença cardiocirculatória. Pesquisa sobre Síndrome Metabólica em pacientes psiquiátricos realizada por Teixeira e Rocha mostrou uma prevalência de 29,4%, sendo depressão o diagnóstico mais freqüentemente associado, com 48,1 % dos diagnósticos. Mas existem também trabalhos que não confirmam essa relação, como o de Diaz-Martinez e colaboradores, pesquisando a Síndrome Metabólica em população adulta colombiana. Atualmente a ciência tem relacionado um conjunto de sinais e sintomas, tais como obesidade, hipertensão, propensão ao infarto do miocárdio com a depressão. Esse conjunto de sinais e sintomas recebe o nome de Síndrome Metabólica e sua ocorrência implica em aumento de aproximadamente 3,5 vezes o risco cardiovascular e coronariano. A Síndrome Metabólica define uma condição em que vários fatores de risco cardiovascular aparecem juntos, entre eles a hipertensão arterial, o aumento de colesterol, a hiperglicemia e o acúmulo de gordura intra-abdominal, também chamada de gordura visceral ou andróide. Estima-se que 22% da população dos Estados Unidos apresentam a Síndrome Metabólica e a incidência aumenta progressivamente com a idade, sendo de 6,7% em indivíduos com até 30 anos, chegando a mais de 40% entre pacientes com mais de 60 anos (Ford, 2002). A obesidade maias grave é aquela com alta concentração de gordura visceral, a gordura intra-abdominal. O excesso de peso é considerado o principal determinante de risco da Síndrome Metabólica, entretanto, como já é sabido, a distribuição corporal da gordura é mais importante do que seu excesso. A chamada distribuição andróide de gordura corporal, caracterizada pelo acúmulo de gordura no tronco e deposito de gordura visceral é característica dessa obesidade associada à Síndrome Metabólica. Outro achado decisivo para a Síndrome Metabólica é o aumento do nível de glicose, conseqüência da resistência à insulina e resultando em aumento do risco de desenvolvimento do diabetes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs em 1999 o diagnóstico da Síndrome Metabólica em pacientes que apresentassem evidências de resistência à insulina, antes mesmo da obesidade, e pelo menos mais dois fatores de risco cardiovascular (Tabela 1). Tabela 1 - Identificação clínica da Síndrome Metabólica (Três ou mais fatores de risco são necessários para definir a Síndrome Metabólica) Parâmetro Valores Hiperglicemia* Glicemia de jejum = ou >110 mg/dL Glicemia às 2 h CG = ou >200 mg/dL Obesidade Abdominal Relação cintura/quadril >0,90 cm em homens >0,85 cm em mulheres ICM = ou > 30 Circunferência da cintura = ou > 94 cm Triglicérides** = ou > 150 mg/dL Colesterol HCL** = ou < 35 mg/dL em homens = ou < 39 mg/dL em mulheres Pressão Arterial** = ou > 140 x 90 Ou em uso de anti-hipertensivos Albuminúria (albumina na urina)** = ou > 2º µg/min ou Relação albumina/creatinina = ou > 30 * - critério obrigatório ** - mais dois desses critérios CG – Curva glicêmica ICM – índice de massa corporal As observações que sugeriram a relação entre a Síndrome Metabólica e a depressão realçaram, por exemplo, o fato de a depressão estar relacionada ao aumento do cortisol no sangue (secretado pelas glândulas supra-renais) que, por sua vez, aumenta a intolerância à glicose, a pressão arterial e o ganho de peso. As alterações no peso corporal constam, inclusive, do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-IV-TR) como critério para o diagnóstico de depressão. A pessoa deprimida reconhecidamente tem maior dificuldade para a realização de exercícios, tornando-se uma pessoa sedentária e com hábitos alimentares que favorecem a obesidade, que por sua vez aumenta as chances de hipertensão arterial, alterações do colesterol e dos triglicérides, assim como da intolerância à glicose (com hiperglicemia de jejum). Na realidade, pesquisadores com visão mais global do ser humano, constroem modelos de desenvolvimento de patologias sucessivas e interligadas, como por exemplo, começando com a depressão que favorece a obesidade, sendo esta relacionada à osteoartrite, à apnéia do sono e ao risco aumentado de neoplasia de mama em mulheres pós-menopausadas, entre outras patologias. Essas condições clínicas refletem na qualidade de vida dos pacientes até o ponto em que os desconfortos aumentam mais ainda os sintomas depressivos e ansiosos, constituindo uma espécie de círculo vicioso. SÍNDROME METABÓLICA E DEPRESSÃO EM MULHERES A maioria das mulheres obesas ou com sobrepeso já apresentava aumento da gordura corporal depois da puberdade. Esse ganho de peso pode ser precipitado por vários eventos durante a vida, incluindo gravidez, uso de anticoncepcionais e principalmente menopausa. Na menopausa freqüentemente ocorre aumento de peso e alterações na distribuição da gordura corporal, possivelmente como conseqüência da redução na produção de estrógeno e progesterona. Essa alteração hormonal muda a biologia da célula gordurosa, de forma a ocorrer uma distribuição de gordura mais central. Além disso, tanto a diminuição da produção de hormônio de crescimento que ocorre com o avanço da idade, quanto o aumento da testosterona que também ocorre depois da menopausa contribuem mais ainda para o depósito de gordura tipo masculino (andróide), chamada de gordura visceral que, como vimos, favorece o desenvolvimento da Síndrome Metabólica. Esse tipo de gordura visceral ou central que favorece as complicações cardiovasculares acontece mesmo nas mulheres que não apresentam excesso de peso na balança. A terapia de reposição hormonal (TRH) apesar de não prevenir o ganho de peso, minimiza a centralização da gordura corporal. Algumas pesquisas têm demonstrado que históricos de depressão anterior ou de tensão pré-menstrual são fortes indícios de um quadro depressivo na menopausa. Para haver depressão na menopausa parece ser necessária uma interação entre fatores genéticos e hormonais. De fato, fatores genéticos predispõem a pessoa a ter depressão diante de determinadas condições ambientais, e os genes mais comprometidos são aqueles que afetam o transporte dos neurotransmissores envolvidos na depressão, tais como a serotonina e a noradrenalina. Por outro lado, a própria deficiência de estrogênio que resulta na menopausa, também está associada ao afeto depressivo. É por isso que a terapia estrogênica parece causar sensação de bem-estar e redução drástica dos sintomas depressivos. O quadro depressivo da menopausa se manifesta, principalmente, por irritabilidade, nervosismo, sensação de abandono, falta de energia, labilidade emocional, ansiedade, angústia, tristeza, distúrbios do sono e alterações alimentares. Quanto ao sono, pessoas em depressão podem apresentar períodos de insônia ou, ao contrário, de hipersonia. As alterações alimentares podem ocorrer através de períodos de anorexia ou, ao contrário, de hiperfagia. Na menopausa ou perimenopausa, a insônia costuma estar associada à chamada Síndrome do Comer Noturno, favorecendo mais ainda o ganho de peso. Outra alteração do comportamento alimentar da menopausa ou perimenopausa é a ocorrência de Episódios de Compulsão Alimentar, caracterizados por perda de controle e consumo exagerado de alimentos ao final da tarde e à noite. Sabe-se que as vias serotoninérgicas centrais modulam o comportamento alimentar e podem ainda participar dos mecanismos que regulam a impulsividade, o humor e o padrão e qualidade do sono. Se acima vimos condições da menopausa ou perimenopausa suficientes para o ganho de peso, quanto à distribuição visceral dessa gordura adquirida entre em cena uma hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, presente entre as alterações hormonais da depressão. Isso porque os estados depressivos se associam com aumento na produção de ACTH (Hormônio Adreno-Cótico-Trófico, produzido na hipófise) e menor sensibilidade do hipotálamo aos efeitos inibidores do cortisol. Isso faz aumentar a concentração de cortisol e, conseqüentemente, promove a centralização de gordura visceral. SÍNDROME METABÓLICA E DEPRESSÃO EM HOMENS O aumento de peso no homem em geral se caracteriza pelo acúmulo de gordura abdominal e pode estar associado a alterações no eixo hipotálamos-gonadal. Sintomas de depressão têm sido descritos na população obesa, particularmente entre pessoas com obesidade mais grave. Matos (2002) encontrou uma forte associação entre obesidade grave e sintomas depressivos, suspeitando-se que a relação entre obesidade e sintomas depressivos depende do desequilíbrio entre os níveis de testosterona e estradiol, resultante da maior atividade da aromatase. Aumento da aromatase é o seguinte: com o passar dos anos costuma haver aumento da gordura, desta feita com distribuição mais periférica. Concomitante há aumento de um processo chamado de aromatase, onde se aumenta a conversão periférica dos andrógenos em estrógenos. O hiperestrogenismo resulta em menor produção de testosterona. Essa redução se associa à distribuição mais centralizada de gordura, geralmente já presente em homens obesos, uma das condições para a Síndrome Metabólica.

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