ORIENTAÇÃO E ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO ON LINE
domingo, 29 de abril de 2012
Otimismo X Pessimismo
Otimismo x Pessimismo
Especialistas discutem até que ponto uma visão positiva acerca das adversidades ajuda a ter mais êxito no trabalho, nos relacionamentos e na saúde e se há conseqüências reais para pensamentos pessimistas
Quando atuava na peça O rei e eu, o ator norte-americano Yul Brynner descobriu que tinha câncer, mas sua paixão pelo teatro fez com que continuasse a desempenhar o papel por várias temporadas e que a doença regredisse. Aos chegar à casa dos 60, Walt Disney comprou terrenos pantanosos na Flórida para construir parques de diversão – idéia que não foi apoiada pela esposa e pelo irmão. Tempos depois, o lugar passou a sediar a Disney World, uma das maiores áreas de entretenimento do mundo. Até 8 anos de idade, Attilio Fontana não tinha dinheiro nem para comprar sapatos e vendia bolachas caseiras para ajudar a família a quitar as despesas. Hoje, o fundador da Sadia, cita “não esmorecer para não desmerecer” como uma das frases favoritas e diz ser necessário acreditar que projetos venham a dar certo para que eles possam, de fato, deslanchar.
O que estes três homens com histórias e realidades de vida tão diferentes têm em comum? Todos são apontados como exemplos a serem seguidos por Ômar Souki, Ph.D. em Comunicação pela Universidade de Ohio (EUA) e autor de 13 livros que enfatizam a contribuição de uma atitude positiva para a obtenção de maior êxito profissional, entre eles A solução otimista e Otimismo nos negócios. De acordo com o professor de Marketing da Universidade Federal de Minas Gerais, pessoas otimistas tendem a ser mais exitosas que as pessimistas no campo profissional por perceberem os obstáculos como situações passageiras. “A expectativa positiva com relação à vida faz com que elas tenham mais sonhos e realizações que as pessimistas”, afirma.
Oliver Zancul Prado, mestre em Psicologia do campus de Araraquara da Universidade Paulista, também acredita que os otimistas tenham mais chances de conseguirem bons resultados no âmbito profissional e nas relações interpessoais de uma forma geral. Para ele, isto ocorre justamente por aqueles acreditarem em soluções, terem o costume de tirar lições de fracassos e serem persistentes. “Essas pessoas aumentam as chances de conseguirem o que querem. O mesmo vale para os pessimistas: por não acreditarem em soluções, arriscam menos e, por isso, têm menos chances de alcançar o resultado desejado”, opina.
E os otimistas “largam na frente” não apenas nos modelos do ramo empresarial. No campo das ciências médicas, podem ser encontrados vários trabalhos acadêmicos que destacam a contribuição de um comportamento otimista para o resultado do tratamento de patologias diversas, entre eles o artigo O papel do otimismo/pessimismo na qualidade de vida relacionada à saúde em pacientes de hepatite C crônica, publicado no Journal of Clinical Psichology In Medical Settings, em 2003. Nele, os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, Cheryl Moyer, Robert Fontana, Khozema Hussain, Anna Lok e Steven Schwartz relatam observação feita com 123 pacientes de ambulatório, entre eles homens e mulheres de diferentes raças, entre 15 e 17 anos.
O principal objetivo do estudo foi verificar a existência de uma ligação significativa entre otimismo/pessimismo, qualidade de vida relacionada à saúde (HRQOL) e status emocional. Para isso, os pesquisadores aplicaram um questionário sobre fatores que podem influenciar a estimativa de qualidade de vida, assim como predisposições cognitivas como otimismo e pessimismo. Os participantes foram divididos em três categorias: otimistas, realistas, e pessimistas.
"A VISÃO OTIMISTA DEVE VIR
ACOMPANHADA DE UMA POSTURA
PARTICIPATIVA POR PARTE DO
DOENTE PARA QUE SURTA RESULTADO"
Analisando os dados, os pesquisadores constataram que os pessimistas tinham histórico de doenças psiquiátricas e reportaram status de saúde mais pobre e níveis de sofrimento mais elevados que os otimistas e realistas. Também notaram que o abuso de substâncias e a aquisição de doenças mais severas de fígado, de qualquer forma, não foram determinantes em um comportamento pessimista. Entretanto, concluíram que “otimismo/pessimismo pode ser um importante determinante de qualidade de vida de status emocional em pacientes de hepatite C crônica”.
Aos 60 anos Walt Disney viu em terrenos pantanosos a possibilidade de criar um mundo mágico
Mais resultados favoráveis ao otimismo foram revelados no estudo Qualidade de vida em pacientes com câncer: o papel do otimismo, da falta de esperança e do apoio do parceiro, publicado na Quality of Life Research, 2006, realizado por Mila Gustavsson-Lilius e Juhani Julkunen, da Universidade de Helsinki e por Päivi Hietanen, da Universidade do Hospital Central, ambas na Finlândia. Os pesquisadores distribuíram questionários para 155 doentes na ocasião do diagnóstico, dois meses depois deste dia e, em seguida, após um intervalo de seis meses. Os dados coletados indicaram significativas diferenças de gênero na relação entre as variáveis do estudo. Altos níveis de apoio do parceiro foram relacionados com avaliação otimista das pacientes femininas, que também relataram melhora de qualidade de vida. Já para os homens, a diminuição da falta de esperança foi a variável-chave para obter melhoras. Segundo o estudo, “o apoio e o otimismo (ou não) do parceiro e a falta (ou a presença) de esperança pareceram ser importantes determinantes em qualidade de vida ligada à saúde em pacientes com câncer”.
A idéia de que o otimismo pode realmente contribuir para resultados mais favoráveis no tratamento de pacientes com doenças crônicas é também defendida por Maria da Conceição da Costa Moreira, chefe da Seção de Psicologia da unidade HC1 do Instituto Nacional do Câncer (Inca). De acordo com ela, a atitude positiva funciona como motivação extra no combate à patologia e é incentivada a todo o momento pelos profissionais de saúde mental. “Fazemos com que os pacientes se lembrem de situações em que vibraram com conquistas para que possam resgatar o otimismo. Ressaltamos a importância de todos lutarem contra os sintomas para que o tratamento dê certo e tenham mais qualidade de vida, inclusive os que não têm possibilidade de cura pela cirurgia, radioterapia ou quimioterapia”, relata.
No entanto, a profissional de saúde mental enfatiza que esta visão otimista de mundo deve vir acompanhada de uma postura participativa por parte do doente para que os resultados tenham êxito. “Mostramos a ele que ser otimista não é apenas ter fé e transferir para Deus a cura. Este desejo também tem que partir do paciente. É necessário que ele faça os exames solicitados pelos médicos, utilize as medicações de forma adequada e compareça às consultas”, diz.
GERAÇÕES E MODELAGEM
Ana Paula Porto Noronha, presidente do Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (Ibap), aponta outra vantagem dos otimistas em relação aos pessimistas: por serem mais positivos, tornam-se menos propensos ao desamparo e à depressão. Para ela, o fator que determina uma atitude positiva em um indivíduo é o meio cultural em que ele foi criado, mas conta que especialistas no assunto têm investigado novas causas, entre elas variações de otimismo entre os sexos e em diferentes faixas etárias. “A literatura não é uníssona em relação ao tema. Alguns autores defendem que adolescentes tendem a se sentir mais otimistas em razão das características egocêntricas ainda presentes, enquanto outros defendem uma ligeira tendência de os adolescentes se sentirem mais vulneráveis às dificuldades da vida”, comenta.
Na opinião de Cynthia Ladvocat, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise, o otimismo é uma questão transgeracional, que envolve uma atitude apreendida no convívio com os pais desde a infância. “Se a mãe é otimista, provavelmente olhará para o bebê de forma positiva e o criará em um ambiente de confiança, ensinando ele a aprender superar os obstáculos enfrentados ao longo da vida. Isto aumentará as chances de ele se sentir mais acolhido, seguro e com facilidade de reparar erros e redefinir comportamentos na fase adulta”, diz.
Mais que pensamento positivo
A partir da Segunda Guerra Mundial, a Psicologia voltou seus esforços para formas de curar doenças psíquicas, o que contribuiu para avanços significativos no tratamento de diversas patologias, mas deixou as formas de se cultivar o bem-estar em segundo plano. Foi justamente na tentativa de dar fim a estas lacunas que surgiu a Psicologia Positiva, como conta Martin Seligman, seu principal representante e professor do Departamento de Psicologia da Universidade da Pensilvânia.
No artigo Psicologia Positiva – Uma introdução, ele explica que a corrente nunca teve a pretensão de substituir as linhas de pesquisa já existentes, mas de completá-las. “O objetivo da Psicologia Positiva é começar a catalisar uma mudança no foco da Psicologia na preocupação de não apenas consertar as coisas ruins, mas também construir qualidades positivas”, diz.
Diferente da auto-ajuda, a Psicologia Positiva reconhece que, em certas ocasiões o pensamento realista ou negativo seja mais apropriado
Tal vertente é baseada em três preocupações: a compreensão das emoções positivas (contentamento com o passado), das características individuais (sensibilidade estética, perseverança, originalidade, espiritualidade, sabedoria, entre outras) e das virtudes cívicas e instituições que ajudam os indivíduos a serem melhores cidadãos (como responsabilidade, altruísmo, civilidade, moderação, tolerância, trabalho ético). “Ela tenta adaptar o que é melhor no método científico para unificar problemas que o comportamento humano apresenta para quem deseja compreender toda sua complexidade”, afirma Seligman no texto.
Porém, a corrente não deve ser encarada como um sinônimo de pensamento positivo. De acordo com o site do Centro de Psicologia Positiva, esta difere das teorias de auto-ajuda por ser fundamentada em estudos científicos empíricos, por não encorajar “positividade” em todos os momentos, e por reconhecer que, em certas ocasiões o pensamento realista ou negativo é mais apropriado, por exemplo, quando o otimismo subestima os riscos de uma decisão.
Já Cláudia Giacomon, professora do Mestrado em Psicologia Clínica e da graduação em Psicologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), recorre às idéias do norte-americano Martin Seligman, precursor da Psicologia Positiva, para explicar as origens do comportamento. Segundo a corrente, o otimismo seria uma resistência humana que atua como proteção contra doenças mentais, assim como coragem, honestidade, fé.
"A ATITUDE POSITIVA É UMA
MOTIVAÇÃO EXTRA NO COMBATE
À DOENÇA, MUITO INCENTIVADA
PELOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE MENTAL"
Uma das formas de analisá-lo é o “estilo explanatório”, ou seja, a maneira de explicar causas de eventos bons e ruins na tentativa de perceber como uma pessoa reage a situações de limite. “Na infância, o indivíduo absorve o modelo de explicação dos pais e tende a reproduzi-lo. Então, se algum evento ruim acontecer e eles disserem que ‘aquilo é para sempre’ ou que ‘as coisas nunca dão certo’, a criança entenderá que coisas ruins se instalam na vida e são imutáveis. Porém, se perceber que é apenas um evento da vida e que sua ocorrência não necessariamente se aplicará a outras situações, provavelmente desenvolverá uma postura positiva”, explica Cláudia.
EXPLICAÇÕES NO CÉREBRO
A neurocientista Elizabeth Phelps e seus colegas da New York University identificaram as áreas do cérebro que nos ajudam a enxergar as coisas pelo lado positivo, quando resolveram investigar o que acontece quando as pessoas imaginam acontecimentos emocionais passados ou futuros.
Otimistas também estão sujeitos a suicídio
De acordo com levantamento feito pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos Estados Unidos, em 2004, o suicídio é a terceira principal causa de morte durante a adolescência tardia ou entre jovens adultos e a quinta maior antes dos 65 anos. Na tentativa de investigar se pessoas pessimistas estariam mais propensas a se suicidarem, Jameson Hirsch, Karen Wolford, Steven LaLonde, Lisa Brunk e Amanda Parker Morris, pesquisadores das universidades norte-americanas de Rochester e do Pacífico, entre outras, fizeram uma pesquisa com um grupo de 138 universitários, entre eles 100 moças e 38 rapazes. Todos os participantes foram submetidos a quatro exames: o Teste de Orientação da Visa Revisado (LOT-R), Incidência de eventos traumáticos por toda vida (LITE), o Inventário de Depressão de Beck–II (BDI-II), Escala de falta de esperança de Beck (BHS) e a Escala de Beck para planos suicidas (BSS). Os achados estão documentados no artigo ainda inédito intitulado “Otimismo como um moderador da relação entre eventos negativos da vida e planos e tentativas suicidas” publicado em agosto de 2007 no Cognitive Therapy and Research. Os resultados da análise sugerem que indivíduos aptos a manter uma atitude positiva em relação ao futuro – apesar de eventos negativos de vida históricos ou recentes em níveis de baixo para moderado – podem receber o benefício de um efeito atenuante que os protege contra pensamentos e comportamentos suicidas. No entanto, garantem os estudiosos, pode ser que existam limites para os efeitos de proteção que são disponíveis de características cognitivas diante de fatores extremos de estresse.
Ainda de acordo com os estudiosos, os pessimistas têm uma possibilidade maior de ter pensamentos suicidas em baixos níveis de eventos negativos, porém, na medida em que essas situações de estresse tornam-se freqüentes, o risco de comportamentos suicidas aumenta para indivíduos em todos os níveis de otimismo, especialmente os de moderado e alto.
Os estudiosos ainda chamam atenção para outro ponto importante: existem evidências de que o otimismo talvez não seja o remédio para todos os males. De acordo com eles ainda existem poucas pesquisas focadas nos efeitos potencialmente malignos do otimismo relacionados a comportamentos suicidas, mas trabalhos focados em doenças crônicas e funcionamento imunológico sugerem que os benefícios adaptativos do otimismo talvez dependam do grau de controle da doença, bem como da complexidade e persistência dos fatores estressantes. Sendo assim, diante eventos difíceis, otimistas podem persistir na crença de que os resultados são atingíveis mesmo estando diante de obstáculos inseparáveis. “Este crescente comprometimento por parte dos otimistas pode ocorrer à custa do bem-estar mental e fisiológico, resultando em sentimentos de falta de esperança e em última instância, pensamentos e comportamentos suicidas”, afirmam os responsáveis pelo levantamento.
Eles pediram a voluntários que pensassem sobre eventos tais como: ganhar um prêmio ou o fim de um relacionamento amoroso e os submeteram à ressonância magnética para investigar o funcionamento cerebral. No entanto, os pesquisadores esbarraram num problema – os voluntários não conseguiam imaginar coisas ruins lhe acontecendo. Eles, até mesmo, transformavam acontecimentos neutros, como cortar o cabelo, em algo positivo. “Era muito difícil conseguir que as pessoas imaginassem acontecimentos futuros negativos”, afirmou Phelps. Portanto, a equipe de pesquisadores resolveu mudar o foco de seu trabalho e observar as áreas cerebrais envolvidas com a predisposição ao otimismo.
O grupo de pesquisadores pediu que as pessoas imaginassem acontecimentos positivos e negativos que ou tinham acontecido no passado, ou que poderiam acontecer no futuro. A seguir, os voluntários mediram seu nível de otimismo (como um traço de personalidade) por meio de um teste psicológico padrão. Imaginar acontecimentos positivos futuros era acompanhado por atividade em duas áreas do cérebro que geralmente regulam a forma como as emoções afetam a memória e as decisões – a amigdala, incrustrada numa região profunda do cérebro – e a porção frontal do córtex cingular anterior (ACC), que se situa na parte imediatamente atrás dos olhos. Inversamente, a ativação nessas duas áreas caiu abaixo da média quando os voluntários imaginaram acontecimentos futuros negativos. Quanto mais otimistas as pessoas se consideravam, maior a atividade do córtex cingular anterior (ACC). Para Phelps, fez sentido a participação do córtex cingular anterior, uma vez que combina com pesquisas anteriores.”Quando uma pessoa está com uma predisposição mental positiva, encontra-se maior atividade nessa região”, ela aponta. “De maneira geral, o córtex cingular anterior poderia estar atuando como um centro de convergência para os sinais de outras partes do cérebro que alimentam o modo como nos sentimos sobre os acontecimentos”, sugere Phelps. “Achamos que esta seja uma região reguladora geral, que possa mediar a tendência que temos de pensar de maneira otimista”.
Mulheres com câncer que recebem apoio do parceiro mostram mais otimismo e melhora na qualidade de vida
Esse trabalho interrelaciona-se muito bem com um outro trabalho sobre as redes cerebrais que estão envolvidas com o ato de lembrar o passado e imaginar o futuro. A equipe de Dan Schacters, na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts, vem estudando esses processos pelos quais as pessoas recordam acontecimentos não-emocionais e encontraram regiões muito semelhantes em atividade. “É uma complementação muito boa ao tipo de trabalho que a gente vem fazendo”, ele afirma. “A conexão interessante, aqui, é com o ACC (córtex cingular anterior) – que é uma região na qual os pacientes deprimidos mostram decréscimo de atividade”, diz. Pessoas com depressão são mais pessimistas e encontram dificuldade para imaginar eventos futuros sob uma ótica positiva. Phelps concorda que esses resultados podem fornecer pistas sobre os mecanismos subjacentes da depressão. Não está claro, no entanto, de que forma isto pode afetar tratamentos futuros.
PEQUENO X GRANDE OTIMISMO
Otimismo e felicidade Otimismo e felicidade não são a mesma coisa. Otimismo é um tipo de mecanismo; é uma crença a respeito do futuro. Crenças otimistas configuram um ciclo de feedback positivo porque quanto mais otimista a pessoa for, maiores as expectativas de vivenciar o futuro positivo que visualiza.
(Fonte: Desmitificando a lei de Murphy)
Quando analisado sob a ótica da Psicologia positivista, o otimismo passa a ser bem mais amplo que simplesmente esperar o melhor em uma situação de adversidade, como explica o professor do departamento de Psicologia da Universidade de Michigan, Christopher Peterson, no artigo O futuro do otimismo. Na análise, ele faz a distinção entre dois tipos comportamento: o pequeno otimismo (little optimism) e o grande otimismo (big optimism). O primeiro caso inclui expectativas específicas sobre resultados positivos, como “eu irei encontrar uma vaga suficientemente espaçosa para estacionar nesta noite”. Já o grande otimismo se refere a expectativas maiores e menos específicas do tipo “deverá acontecer alguma coisa boa para nosso país nos próximos meses”.
De acordo com Peterson, a distinção entre os dois tipos mostra que o conceito pode ser descrito em diferentes níveis de abstração e pode funcionar de forma diferente, dependendo de como for empregado. “O grande otimismo pode ser uma tendência biologicamente dada que é preenchida por uma cultura com uma satisfação socialmente aceitável; isto leva a resultados desejáveis uma vez que produz um estado geral de vigor e resiliência. Em contrapartida, o pequeno otimismo pode ser o produto de um aprendizado histórico idiossincrático; ele leva a resultados desejáveis porque predispõe ações específicas, que são adaptativas em situações concretas”, explica.
De acordo com Peterson, a distinção entre os dois tipos mostra que o conceito pode ser descrito em diferentes níveis de abstração e pode funcionar de forma diferente, dependendo de como for empregado. “O grande otimismo pode ser uma tendência biologicamente dada que é preenchida por uma cultura com uma satisfação socialmente aceitável; isto leva a resultados desejáveis uma vez que produz um estado geral de vigor e resiliência. Em contrapartida, o pequeno otimismo pode ser o produto de um aprendizado histórico idiossincrático; ele leva a resultados desejáveis porque predispõe ações específicas, que são adaptativas em situações concretas”, explica.
Segredos dos otimistas
O livro mostra que o importante não é o que pensamos sobre o futuro, mas o que fazemos para assegurá-lo. Enquanto os pessimistas imaginam se suas metas não são alcançáveis, os otimistas trabalham para conquistá-las. Misturando senso de humor e ciência na medida exata, a pesquisadora convencerá até mesmo o mais cético que um futuro brilhante está mais perto do que ele pensa. Suzzanne C. Segerstrom é Ph.D. e livre-docente em psicologia da Universidade de Kentuchy. Dedica-se a pesquisar a influência dos fatores psicológicos no sistema imunológico e na relação entre otimismo e bem-estar.
Desmitificando a lei de Murphy Por Suzzanne C. Segerstrom Editora BestSeller 238 páginas Preço: R$ 29,90
O psicólogo positivista continua o raciocínio em seu artigo dizendo que, empiricamente, as duas vertentes estão relacionadas. Contudo, ressalta que é possível encontrar pessoas pouco otimistas, mas grandes pessimistas ou ainda situações em que o grande otimismo tem conseqüências desejáveis, mas o pequeno otimismo não, e vice-versa. “Os determinantes dos dois tipos podem ser diferentes, e as formas de encorajá-los podem, então, requerer estratégias distintas”, ressalta. Christopher Peterson ainda diz que os estudos cujo intuito é mensurar o grau de otimismo das pessoas raramente incluem mais de uma medida ao mesmo tempo e, quando as utilizam, estão mais voltados para perceber como elas convergem do que com a possibilidade de se ter diferentes modelos de correlatos.
"PARA A PSICOLOGIA POSITIVA O
OTIMISMO SERIA UMA RESISTÊNCIA
HUMANA QUE ATUA COMO
PROTEÇÃO ÀS DOENÇAS MENTAIS,
ASSIM COMO CORAGEM, HONESTIDADE, FÉ"
Especialistas acreditam que pessimistas estariam mais propensos ao desamparo e à depressão
Opostos que não se opõem Seguindo o exemplo do que acontece quando analisado isoladamente, o significado do conceito de otimismo, quando comparado com o de pessimismo, não é tão claro como pode parecer à primeira vista. Peterson também comentou o fato em O futuro do otimismo, dizendo que os termos não são mutuamente exclusivos, ao contrário do que muita gente pensa. Para exemplificar a opinião, propôs uma análise mais elaborada dos itens que compõem o Teste de Orientação da Vida (LOT), que avalia o construto de otimismo a partir de expectativas em relação a eventos futuros.
Além de ter as correlatas positivas mais fortes que as negativas, o formulário guarda uma curiosidade: as atribuições sobre eventos ruins são identificadas tanto com otimistas ou pessimistas, o que não acontece com situações positivas. Segundo Peterson, a crítica não é aparente e pode ser encarada como “uma chateação metodológica”, mas não deixa de ser importante, considerando a possibilidade de alguém esperar tanto coisas boas como ruins para ser bem-sucedido. “A pesquisa levou a uma compreensão aumentada destes estados problemáticos. Deve ser avaliado que o ponto zero destas típicas medidas de conseqüências significa, respectivamente, não ser depressivo, fracassado ou doente. Se nós quisermos estender achados para abaixo do ponto zero do teste para oferecer conclusões sobre satisfação emocional, realização e bem-estar, podemos ou não pisar em terreno firme. Talvez o estilo explanatório baseado em atribuições sobre bons eventos seja mais relevante”, comenta.
"O PEQUENO OTIMISMO LEVA A
RESULTADOS DESEJÁVEIS POIS
PREDISPÕE AÇÕES PRÓPRIAS,
ADAPTÁVEIS EM SITUAÇÕES REAIS"
O otimista patológico aposta seu dinheiro confiante que vai ganhar, já o pessimista pode ser mais realista
Cynthia Ladvocat também considera os dois conceitos imprecisos. Para a psicanalista, eles podem ser utilizados até na linguagem popular, mas no âmbito científico geram reducionismos e, conseqüentemente, dão margem a equívocos. “Nunca taxaria uma paciente de otimista ou pessimista. Preferiria identificar as dificuldades de cada indivíduo lidar com as adversidades até porque a avaliação de cada caso dependerá do contexto social, das expectativas do indivíduo, das suas dificuldades subjetivas”, justifica. Na tentativa de comprovar como é complicado relacionar um comportamento às duas definições, Cynthia sugere um exemplo: um jovem que busca uma vaga em um concurso para a filial de uma grande empresa, situada em outro estado, mas enfrenta resistência da mãe, que não quer que ele se mude. “Se ele começar a achar que não vai passar na prova está sendo necessariamente pessimista? Não, pode estar atendendo a um desejo da mãe, pois percebe que ela está triste com a possibilidade de tê-lo longe de casa. Isto não é otimismo nem pessimismo; é uma situação diferente. Às vezes, a pessoa pode dizer que quer passar, mas no fundo não quer. Então, as pessoas acham que ela é otimista, mas, no fundo, está na dúvida”, explica.
A psicanalista também ressalta que, ao avaliar cada caso, é importante levar em consideração o que o indivíduo ganha ou perde com uma tomada de decisão. Para explicar seu posicionamento, retoma a situação anterior: “se esse jovem quiser passar no exame para fugir de uma ex-namorada que o persegue e não para seguir carreira, isto é pessimismo ou otimismo? Também não é uma coisa, nem outra. Ele está utilizando o concurso para obter um outro resultado”.
Ao comentar os lucros secundários por trás de cada iniciativa, Cynthia Ladvocat chama atenção para outra faceta do otimismo: o seu lado patológico. “Uma pessoa pode estar deprimida e passando por uma fase maníaca. Compra várias coisas, aposta todo dinheiro na loteria porque está confiante de que vai ganhar. Age desta forma para tentar compensar a angústia que sente, mas, na verdade, está fora da realidade, e o ‘otimismo’ é apenas um sintoma desta doença. Por outro lado, uma pessoa dita “pessimista” pode dizer ‘não vou jogar, tem muita gente competindo’, o que pode significar que está sendo um pouco mais cuidadosa”, argumenta.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário