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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Marilda Lipp - Sempre Alerta!

Marilda Lipp Sempre alerta! Psicóloga dedica carreira ao estudo da qualidade de vida e controle do estresse e apresenta ponto de vista sobre este problema que atinge uma parcela cada vez maior da sociedade contemporânea Por Rose Campos A dra. Marilda Emmanuel Novaes Lipp, Ph.D. em Psicologia pela George Washington University (EUA), é uma das pioneiras no País no estudo do estresse e em 1985 fundou o Centro Psicológico de Controle do Stress, a primeira instituição na América Latina voltada à profilaxia e ao tratamento do estresse excessivo. O Centro oferece três tipos de serviços: tratamento e pesquisas sobre o estresse emocional, psicoterapia e cursos de aperfeiçoamento e extensão universitária em Terapia Cognitivo-Comportamental. Os tratamentos oferecidos podem ser feitos de forma individual ou em grupo na clínica que já atendeu, até hoje, mais de 15 mil pessoas. Tem sido vocação do Centro Psicológico de Controle do Stress a produção de pesquisas e publicação de artigos, apostilas e testes nessa área. Marilda Lipp também está à frente da organização do III Congresso Brasileiro de Stress, com o tema Stress e Estilo de Vida, a realizar-se em São Paulo nos dias 26 e 27 de outubro. A expectativa é reunir pesquisadores, clínicos, estudantes e representantes do setor empresarial de várias partes do Brasil interessados em conhecer o mecanismo neuropsicofisiológico do estresse e sua interferência na saúde, produtividade e qualidade de vida. Em entrevista à Psique, Marilda Lipp esclarece pontos importantes sobre como se dá esse mecanismo, quais as possibilidades de tratamento apresentadas pela instituição que dirige e a importância do fator estilo de vida na incidência do estresse, que é cada vez mais crescente na população brasileira. Psique - Há algum tempo o conceito de estresse se popularizou no País. As pessoas falam muito a respeito e em geral o associam à idéia de algo muito ruim. Porém, o estresse tem um papel. Você pode nos dar sua definição? Marilda Lipp - O estresse não é uma doença. É uma reação e eu a definiria como muito complexa, com componentes físicos, psicológicos, mentais e hormonais. E essa reação tão complexa ocorre frente a qualquer desafio – positivo ou negativo – que o ser humano tenha de enfrentar. Por exemplo, ganhar na loteria também produz estresse, pois a partir daí haverá uma série de problemas a serem resolvidos, inclusive saber como investir o dinheiro. Tudo isso pode ser muito estressante. Acontece que cada desafio tem um valor diferente para cada pessoa. E o tipo de valor atribuído vai depender da história de vida de cada um, podendo adquirir peso maior para determinadas pessoas. Há quem sempre veja o lado ruim das coisas; essas vão demonstrar um tipo de reação. Diante da possibilidade de uma viagem para a Europa, por exemplo, podem pensar: será que o avião cai? A viagem se torna um desafio muito pesado. Mas, ao contrário, se o pensamento é “que maravilha! Vou para a Europa, que delícia...”, o desafio tende a diminuir. Essa variação decorre da percepção de cada um. Psique - Quais as conseqüências do estresse na nossa bioquímica? O fato de essa reação poder se repetir com muita freqüência e intensidade – algo cada vez mais comum no ambiente urbano – desencadeia efeitos negativos no organismo? Marilda Lipp - Num primeiro momento a condição básica para a ocorrência do estresse é a percepção do evento. Se o evento não é percebido, não importa se ele é muito negativo. Por exemplo, se há um homem com um revólver na mão ali na porta e eu não vejo esse homem, a simples presença dele não vai causar nenhum estresse. Então, em primeiro lugar, há que existir a percepção do evento estressante por algum órgão dos sentidos que desperte o sentimento de alerta. Após essa percepção, uma mensagem é enviada para o cérebro, atinge a parte cortical, onde ocorrem as interpretações lógicas do evento, e se dirige também para o sistema límbico, responsável pelas emoções. Essas duas percepções, lógica e emocional, se somam para determinar as reações de estresse. Se, voltando ao exemplo, eu noto a presença do homem, mas logo a seguir vejo que há uma câmera e que se trata de um filme, eu mudo a minha percepção e a mensagem que meu cérebro vai receber é, portanto, diferente. As reações vão sendo atualizadas de acordo com novas informações que chegam ao cérebro. Então, pode-se dizer que a reação de estresse requer interpretação lógica e emocional de um evento. Quando essas duas interpretações dão ao sujeito a imagem de um perigo ou de um desafio, aí ocorre o estresse. A partir disso, quando essa mensagem é recebida pelo cérebro, parte do sistema límbico, o hipotálamo, ativa o funcionamento de várias glândulas que de imediato preparam o corpo para a reação de luta ou fuga. Os olhos percebem uma situação estressante e enviam a informação para o cérebro, que é captada pelo sistema límbico, o hipotálamo; este, por sua vez, manda a mensagem para as glândulas supra-renais, que produzem adrenalina, e a pessoa entra em prontidão, no processo de luta ou fuga. A adrenalina no corpo resulta em energia, em um vigor muito grande. Mas ninguém agüenta ficar com esse jato de energia por muito tempo, passando a adoecer aos poucos. “A reação de estresse requer interpretação lógica e emocional de um evento. Quando essas duas interpretações dão ao sujeito a imagem de um perigo ou de um desafio, aí ocorre o estresse” Psique - O que ocorre a partir daí, depois de deflagrado esse mecanismo? Marilda Lipp - Inicialmente o estresse determina que as glândulas supra-renais, duas glândulas localizadas acima dos rins, produzam adrenalina. A medula ou núcleo da glândula produz essa substância. Porém, se o estado de estresse perdura muito tempo, a medula da supra-renal pára de produzir adrenalina e o córtex dessa glândula – a parte que circunda a sua medula – produz cortisol. E o cortisol, quando em excesso, baixa o sistema imunológico. A pessoa acaba ficando vulnerável a vários tipos de doença. Por isso se torna mais fácil pegar doenças oportunistas, como gripe. Ou então são doenças que já estavam geneticamente programadas e permaneciam até então latentes; de repente aparecem pelo fato de a pessoa estar submetida ao estresse. “A pessoa acaba ficando vulnerável a vários tipos de doença. Por isso se torna mais fácil pegar doenças oportunistas, como gripe” Psique - Na vida moderna estamos expostos a uma série de situações potencialmente estressantes. Quais os possíveis efeitos dessa sobrecarga no organismo e como isso se reflete na vida psíquica das pessoas? Marilda Lipp - Temos percebido um aumento nos níveis de estresse nos últimos anos. Em 1996, fizemos uma grande pesquisa abrangendo o Estado de São Paulo e várias outras regiões do Brasil, como Rio de Janeiro, Paraíba, Rio Grande do Sul, sobre os níveis de estresse da população. Essa pesquisa foi conduzida pelo Centro Psicológico de Controle do Stress. Aplicamos determinados testes e verificamos que a incidência de estresse em São Paulo era de 32%. A pesquisa na cidade de São Paulo coletou dados em três pontos: Aeroporto de Guarulhos, Conjunto Nacional e dentro da IBM. Naquela ocasião, 32% das pessoas sofriam com estresse. Fizemos novamente a mesma pesquisa em 2005. Descobrimos ter subido para 37% das pessoas. Foi um aumento de 5% em relação à primeira pesquisa. Cinco por cento não é um número desprezível. Se aplicarmos esse quociente somente à população de São Paulo, veremos que é um contingente muito grande. O que causa esse aumento de estresse certamente são os fatores da vida moderna. Até a descrença no governo pode ser causadora de um estresse muito grande. Tanto que depois de cada momento difícil, ou de grandes escândalos do governo divulgados pela imprensa, se medirmos imediatamente, veremos que o nível de estresse na população terá aumentado. As pessoas se sentem mais inseguras. Psique - Esse mesmo tipo de situação produz reflexos na população infantil? Marilda Lipp - Sim. Também tem aumentado a incidência dos problemas do estresse na infância. Não na mesma proporção que no adulto, claro, mas o nível de estresse infantil é alto, em torno de 25%. O que aumenta o estresse nas crianças? Ter uma agenda de miniexecutivo, por exemplo. Hoje é comum elas serem sobrecarregadas por múltiplas atividades. Os pais querem que as crianças aprendam tudo ao mesmo tempo. Não podem deixá-la aprender inglês depois, tem que ser agora, com cinco anos. Eu vejo a agenda de crianças pequenas, de seis, sete, oito anos, que ocupam a semana inteira. Não sobra tempo para brincar. É um absurdo! Criança tem que brincar. O que a gente deduz é que a vida moderna está causando um impacto grande na vida das pessoas. E um dos aspectos que está causando muito impacto é a globalização. Porque de repente vemos, dentro de casa, tudo o que se passa no mundo. Se há uma matança num lugar distante, as pessoas ficam sabendo de imediato. Entramos em contato com tudo de ruim que acontece no mundo todo. Outro aspecto da globalização que causa bastante estresse é a mudança de valores. Acabamos tendo contato com valores muito diversos dos nossos. Aquele mundinho no qual se vivia protegido, que era conhecido, agora está ultrapassado. Fica uma situação complicada, pois nos perguntamos quais são de fato nossos valores; o que é certo e o que é errado. Mulher, beleza e estresse Este tema é abordado em um dos vários livros publicados por Marilda Lipp. Um livro sobre estresse voltado especificamente ao público feminino se justifica quando se sabe estar na população feminina o maior número de vítimas do estresse. O livro O stress e a beleza da mulher começa sedimentando uma informação que está no senso comum, mas que na prática nem sempre é lembrada: a idéia de que beleza não se restringe à aparência física. A beleza também está na capacidade emocional, na qualidade espiritual de saber se doar, na habilidade social e se personifica numa certa beleza global que às vezes sequer sabemos definir muito bem, mas que transmite às outras pessoas sensação de bem-estar. O estresse ataca todas essas esferas da beleza. E é fundamental conhecê-lo para saber lidar com ele. Estresse afeta o sono, a qualidade do sexo, a produtividade no trabalho, o humor e a funcionalidade do corpo. Mas também possui um lado positivo quando, em sua fase inicial, serve de alerta, fornece ânimo e vigor ao organismo e nos deixa mais criativos. Não se sabe ainda, com certeza, o que torna as mulheres mais vulneráveis ao estresse que os homens, mas a hipótese levantada por Marilda Lipp em seu livro é de que o grande causador do estresse feminino seja o desafio de assumir com perfeição os múltiplos papéis exigidos da mulher atualmente: mulher, dona-de-casa, mãe, profissional etc. A autora não apenas fornece uma espécie de mapa que torna possível identificar as situações em que o estresse está presente na vida da mulher apontando seus efeitos danosos, como propõe também algumas formas de combatê-lo. Uma delas é o relaxamento. O livro O stress e a beleza da mulher acompanha um CD orientador com técnicas de relaxamento. O bom é que não apenas mulheres podem se beneficiar. Há também faixas dedicadas especifi- camente ao homem e até às crianças. Psique - Aonde vai desaguar a problemática causada pelo estresse e para quais profissionais são encaminhadas as queixas? Marilda Lipp - Nos últimos cinco anos, principalmente, muitas empresas começaram a encaminhar seus funcionários para tratamento psicológico. Algo antes visto como coisa fora do comum. Por outro lado, as pessoas também adoecem em decorrência do estresse. E vão ao médico e se queixam de uma série de doenças, pois o estresse pode desencadear de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, depressão até pânico. Quando o corpo adoece as pessoas acabam procurando alguma coisa para reduzir o efeito do estresse no corpo. E muitas vezes não entendem o encaminhamento ao psicólogo. “O que eu tenho é hipertensão. Por que o médico me mandou para cá?”, algumas se perguntam. “Se há uma matança num lugar distante, as pessoas ficam sabendo de imediato. Entramos em contato com tudo de ruim que acontece no mundo todo” Psique - Uma das primeiras providências que uma pessoa pensa em tomar ao se perceber estressada é adotar recursos de relaxamento: uma massagem, uma viagem de fim de semana para um lugar tranqüilo etc. Esse tipo de solução é suficiente para lidar com o estresse? Marilda Lipp - O tratamento de estresse, utilizado por mim há mais de 20 anos, é baseado em quatro pilares. Três deles são coadjuvantes, porque ajudam a lidar com o problema, mas não o resolvem sozinhos. Esses exemplos que você citou são de tratamentos codjuvantes: massagem, viagens, relaxamento, até mesmo uma ida ao cabeleireiro. São coisas que reduzem a tensão do momento, porém não resolvem o problema. Vamos supor que o foco do estresse seja uma briga com o chefe. Então, os três pilares coadjuvantes apenas ajudam. E são os seguintes: relaxamento, que inclui todos os recursos utilizados com esse fim; exercício físico, que ajuda a dar mais energia; e nutrição antiestresse. Reduzem sintomas como tensão muscular, fraqueza e falta de energia. O quarto pilar é o principal: a reestruturação emocional da pessoa. É o que de fato resolve. Marilda é uma das pioneiras no estudo do estresse no Brasil. Em 1985 fundou o Centro Psicológico de Controle do Stress. Psique - Quando você fala em reestruturação emocional está falando em Psicoterapia? Marilda Lipp - A que eu aplico é uma psicoterapia focal. Além de focal é de curta duração e de base Cognitivo Comportamental. Esse tratamento é feito aqui em 15 sessões. Nesse tipo de Psicoterapia trabalham-se os limites da pessoa, os quais, muitas vezes, a pessoa nem conhece. Muita gente não sabe quais são seus próprios limites. Ainda assim, procura transcendê-los. Depois de fazer a pessoa encontrar seus limites, procuramos levá-la a respeitá-los. É comum isso não acontecer. As pessoas dizem “Vai dar. Amanhã eu descanso.” Mas às vezes não dá. Psique - Você se refere não só a limites físicos, mas a emocionais também... Marilda Lipp - Claro, emocionais também. Que envolvem irritabilidade, nervosismo, o desconforto de estar em alguns lugares. Porque às vezes a pessoa pode estar em uma festa, mas não está se sentindo bem. Então, para que forçar? Também é importante saber dizer não. E procurar ter relações agradáveis. Outro aspecto superimportante no controle do estresse é aprender a controlar a pressa. Psique - Isso tem a ver com a ansiedade? Marilda Lipp - Nem sempre. Pode acontecer porque a pessoa aceita muita responsabilidade, não sabe dizer não. Existe gente apressada que não é ansiosa. Embora a ansiedade seja outra fonte de estresse. O treino de controle do estresse cobre esses aspectos e, se a pessoa tiver ansiedade, vai trabalhá-la. Ou seja, vai focar naquilo que a pessoa tem maior dificuldade, além de abranger aspectos que são padronizados. Outra proposta assumida pelo Centro Psicológico de Controle de Stress é levar a pessoa a descobrir quais são suas prioridades. Às vezes, as pessoas trabalham demais por coisas que não são tão importantes. E o que seria principal elas deixam passar. Uma vez atendi uma senhora que dizia que a prioridade na vida dela era seu filho. Mas, ao me contar as inúmeras tarefas que seu cargo exigia, perguntei quanto tempo ela passava com o menino. “Às vezes uma hora”, ela respondeu. Ela não havia se dado conta de que não lhe dava prioridade. Então a gente também trabalha ajudando, orientando a pessoa a fazer, entra outras coisas, uma alimentação antiestresse. Psique - Quais são os alimentos que ajudam a ter mais vigor e a enfrentar o estresse? Marilda Lipp - Alguns alimentos são antiestresse por natureza. São os legumes, as verduras e as frutas. A gente não diz para ninguém deixar de comer alguma coisa. Senão a restrição se torna mais uma fonte de estresse. Mas aconselhamos as pessoas a comer três porções de legumes e uma salada a cada refeição. Se a pessoa seguir essa orientação, não terá tanto apetite para comer alimentos como macarrão, lasanha e outras coisas muito calóricas. Vai acabar se restringindo a alimentos mais saudáveis. Pedimos também para a pessoa tomar, em toda refeição, um copo de suco. É uma maneira indireta de ajudá-la a mudar seu hábito alimentar sem estressá-la. Psique - Qual o papel da nutrição no controle do estresse? Marilda Lipp - Cada um desses pilares tem uma base científica. Ao atravessar períodos de grande estresse, são utilizadas as vitaminas do organismo. Isso ocorre para que o organismo possa agüentar a carga de estresse e para lutar contra ele. Depois disso, às vezes, acontece de a pessoa perceber o cantinho do olho “pulando”, ou é a mão que fica “pulando”. Esses são sinais de falta de vitamina B6 no organismo após um episódio de grande estresse. Na hora o organismo apenas usa a vitamina B6 e depois, como fica sem, é preciso repor. O estresse também pode consumir do organismo vitamina B12, cálcio, magnésio, manganês, entre outros nutrientes. Também existe base científica para a defesa da prática de exercício físico, que produz betaendorfina, hormônio responsável por proporcionar sensação de bem-estar. Com meia hora de exercícios já é possível começar a produzir betaendorfina. O relaxamento também ajuda porque, diante de uma situação estressante, o primeiro sintoma é a tensão muscular. Ao se retesar a musculatura, a mente também se retesa. Então passa a existir a tensão do físico e da mente, no mesmo instante. Portanto, relaxar ajuda a aliviar essa tensão. Psique - O programa de controle do estresse oferecido pela sua clínica propõe apenas 15 sessões. É possível solucionar o problema do estresse tão rapidamente? Marilda Lipp - Quando analiso os resultados, realmente fico impressionada com meus acertos. Quando criei o programa não sabia que iria funcionar tão bem. Em 15 sessões é possível resolver o problema a que se propõe este treino, porque ele é muito direto. Não se trata de Psicoterapia voltada à resolução de problemas de relacionamento familiar, afetivos. É uma forma de aprender a lidar com o estresse no dia-a-dia. Psique - No entanto, muitas vezes são justamente os relacionamentos – familiares, afetivos, de trabalho – que são nossas fontes de estresse, e às vezes estão no discurso das pessoas quando elas dizem “essa pessoa me estressa!”. Como o programa que você criou contempla essa questão? Marilda Lipp - Quando a relação interpessoal é uma fonte de estresse, nós trabalhamos isso dentro das 15 sessões, ensinando as pessoas a lidar melhor umas com as outras, tendo cognições mais sadias. Porque em geral os conflitos que surgem com outras pessoas são produtos de cognições errôneas. Mas o que a gente não trabalha dentro dessas 15 sessões são os traumas de infância, sentimento de rejeição da mãe, ocorrência de abuso sexual na infância. Questões como essas são para terapia. No entanto, se o que aparecer for um problema de relação interpessoal entre funcionário e chefe, ou entre marido e mulher, pai e filho, a gente trabalha. “Estresse afeta o sono, a qualidade do sexo, a produtividade no trabalho, o humor e a funcionalidade do corpo” Psique - Aparece um padrão nessas formas de relacionamento? Marilda Lipp - Eu acabei de trabalhar com essa tese, que chamo de “tema de vida”. É o padrão adquirido por algumas pessoas no modo de conviver com as outras. Algumas pessoas, por exemplo, são cronicamente vítimas de infidelidade. Outras pessoas são vítimas de assédio moral constantemente. Ou vítimas de injustiça. Por quê? Porque elas próprias trazem isso na relação. E deixam isso acontecer. Então, esse padrão é estressante. E a gente trabalha na identificação do “tema de vida” da pessoa. Psique - Qual sua principal expectativa com a organização do III Congresso Brasileiro de Stress? Marilda Lipp - Há núcleos pesquisando o estresse no Brasil todo. O objetivo do congresso é reunir essas pessoas que têm interesse no tema para discutir pesquisas na área, incidência de estresse nas cidades, métodos de tratamento e, sobretudo, métodos de prevenção. O estilo de vida é um grande causador de estresse e mudou muito. Não há tempo para falar com as pessoas. Nosso foco é produzir e trabalhar excessivamente, quando na realidade tem um outro aspecto importante na vida, que é ser feliz. Para isso, trabalhamos com prevenção ao estresse em empresas. A prefeitura de São Paulo decretou recentemente uma lei municipal que estabelece o Dia de Combate ao Estresse, o dia 23 de setembro. E nós propusemos, para esse dia, uma série de atividades comunitárias em parques, shoppings e numa série de lugares onde avaliamos o nível de estresse das pessoas, ensinamos técnicas de relaxamento etc. Nossa proposta é estabelecer o dia nacional de combate ao estresse e preparar pessoas que não têm dinheiro para ir a uma clínica. Porque a melhor coisa para prevenir o estresse é saber o que ele é. Não se previne aquilo que não se conhece.

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