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quinta-feira, 3 de maio de 2012

O duelo entre Freud e Tausk

O duelo entre Freud e Tausk Para a geração pós-freudiana, Victor Tausk é conhecido como um gênio fracassado em consequência de um drástico fim. No entanto, o psicanalista apresentou sua maneira moderna de pensar a respeito da Psicanálise Por Conrado de Matos Conrado de Matos é psicanalista, teólogo, escritor de vários artigos no jornal A Tarde sobre Psicanálise e Autoconhecimento. Formado pela SPOB-Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Pós-graduado em teoria psicanalítica e ex-diretor Executivo do Cepa Círculo de Estudo, Pensamento e Ação. Tausk foi um homem criativo e portador de um currículo invejável. Foi escritor, médico e fazia parte do grupo de estudo de Freud O psicanalista Victor Tausk foi um dos mais talentosos discípulos de Freud, se apresentando como um dos maiores estudiosos interessados na pesquisa clínica sobre psicoses por via do tratamento psicanalítico, no mesmo período em que Freud apenas buscava pelo tratamento das neuroses e alguns psicanalistas pós-freudianos, como Carl Gustav Jung e Melanie Klein, identificaram-se na clínica psicanalítica com o tratamento de psicoses. Mais tarde, outros kleinianos como Donald Winnicott, Wilfred Bion e Herbert Rosenfeld, aplicaram a Psicanálise em tratamento de psicóticos. Rosenfeld, por exemplo, tratou de vários esquizofrênicos, crônicos e agudos (Herbert Rosenfeld; Estados Psicóticos, 1968) com muito êxito. Graças ao trabalho de investigação psicanalítica de Rosenfeld e os demais kleinianos, foram devidamente acrescentadas, depois de Freud, novas técnicas para o tratamento das patologias mentais graves através da Psicanálise. Mas, ainda devemos ter muita cautela pela Psicanálise em prognóstico e os êxitos obtidos em tratamento com psicóticos. A Psicanálise continua sendo, como seu começo, a técnica mais satisfatória para o tratamento das neuroses e dos transtornos de caráter (David E. Zimerman; Fundamentos Psicanalíticos, Teoria, Técnica e Clínica). Deve, também, a Psicanálise investigar nos momentos atuais os comportamentos inconscientes do homem moderno, no que condiz às novas patologias, porém mais modeladas, mas que afetam o psiquismo do homem, provocando um grave transtorno da autoestima e perda de identidade. Pois bem, voltando a falar de Tausk, foi ele um homem criativo e portador de um currículo invejável. Foi poeta, escritor, advogado, jornalista, médico e psicanalista e fazia parte do grupo de estudo de Freud. As obras de Freud continuam sendo estudadas com o intuito de adaptá-las às necessidades dos tempos atuais, porém, ainda são referências para tratar neuroses e transtornos de caráter Ao conhecer Freud, foi envolvido em uma luta de conflitos. Tausk o quanto podia, divergia com Freud e se achava não bem internão b m inte - pretado por ele, a ponto de cometer suicídio em 1919, aos 40 anos de idade. Segundo o seu biógrafo Paul Roazen, "a tradição oral sobre Tausk é fragmentária". Para a geração pós-freudiana e até nos dias atuais, Tausk é conhecido como um gênio fracassado, em consequência de um fim drástico. Pelo que se sabe, de acordo com Roazen, os psicanalistas das décadas de 1920 e 1930, relataram em suas obras Tausk como apenas um mito do passado, morto no ápice de suas forças. Além do mais, tendo Tausk dentro de um grupo rígido como era o de Freud, onde todos repetiam e davam a impressão que falavam como o próprio Freud, pode-se perceber que Tausk, com sua maneira moderna de pensar a respeito da Psicanálise com objetivos de investigar o sintoma psicótico, teve uma atitude inovadora, brilhante e corajosa. Poderia ter sido discípulo de Melanie Klein. Na opinião do seu biógrafo, os que conheceram pessoalmente o profissionalismo de Tausk não esperavam que ele praticasse um suicídio muito súbito e surpreendente. É lamentável que a teoria de Tausk, até por volta de 1973, só havia interesse de pesquisa por parte dos psiquiatras, interessados em aprimorar o estudo sobre as psicoses. Conforme dados de informações de Roazen, foi comprovado num hospital em Tausk tendência hereditária para uma predisposição patológica. Depois de alguns dias já internado, ele escreve para a sua esposa, sentindo-se um solitário, almejando uma profissão e um lar. Durante esta fase torturante, Tausk se encontrava com 28 anos de idade Último desejo de Tausk Antes de morrer, o psicanalista escreveu uma carta dirigida a Freud, relatando a sua triste despedida, que apresenta a seguinte justificativa: Viena, 3 de julho de 1919. Querido Professor, "Cuide, por favor, de minha amada noiva, senhora Hilde Loewi, a maior querida mulher de toda a minha vida. Ela não lhe pedirá muito, por que tem em si mesma uma grande capacidade de ser feliz, mas tende a apresentar sintomas compulsivos e identificações. Ela é nobre, pura e boa, e compensa dar-lhes bons conselhos. Agradeço-lhe por todo o bem que me fez. Foi muito e emprestou significado aos últimos dez anos de minha vida. Seu trabalho é genuíno e grandioso; despedir-me-ei desta vida sabendo que fui um dos que testemunharam o triunfo de uma das maiores ideias da humanidade. Não tenho melancolia; meu suicídio é o feito mais são e decente da minha fracassada vida. Não acuso ninguém, não tenho ressentimentos no coração; apenas morro um pouco mais cedo do que o faria naturalmente. Meus cumprimentos à Sociedade Psicanalítica. Desejo-lhe sucesso de todo o coração. Agradeço a todos os que me ajudaram quando estive necessitado. Os que fazem jus a tal gratidão sabem-no por si mesmos. Espero que o senhor tenha uma longa vida, sempre saudável, forte e apto para o trabalho. "Meus calorosos cumprimentos". Seu Tausk "Por favor, dê, de vez em quando, uma olhada em meus filhos". CONFLITO E RIVALIDADE Melanie Klein (foto) se embasava nas teorias de Freud para suas teses, contanto, ela tinha sua visão própria e novas ideias. Assim era Tausk, de atitude inovadora e corajosa Em seu primeiro encontro com Freud em Viena, foi muito bem recebido pelos discípulos. O próprio Freud lhe deu grande apoio, e assim que Tausk se formara em Psicanálise, Freud não só enviava pacientes a ele, como lhe cedia quantia de dinheiro emprestado, já que Freud era muito generoso, por ter tido anteriormente uma vida muito sacrificada. Acontece que Tausk justificava que Freud não sabia lidar com suas dificuldades mais profundas, e admitia que Freud não lhe compreendia, por causa da dificuldade do próprio Freud. Tausk não acusava Freud diretamente, mas pelo que se percebia no que Tausk queria dizer, é que Freud tomava-lhe as ideias e que dependia dele. Nisto, ambos foram afetados por uma forte rivalidade travada até quando Tausk deu um fim a tudo, suicidando-se. Infelizmente, nas literaturas psicanalíticas o nome de Victor Tausk dificilmente é lembrado, com exceção do período decorrente entre a sua morte e a de Freud, em 1939, quando o seu nome era citado em algumas obras. Tausk ainda hoje é esquecido. Coisas do além -Tausk já era advogado e escritor quando começou a estudar Medicina em Viena, por volta de 1910. Ele se juntou a Sociedade Psicanalítica de Viena e logo começou a contribuir com suas ideias. Foi em 1919, depois que ele saiu da sombra de Freud, que publicou um documento sobre a origem de uma ilusão comum a uma grande variedade de pacientes esquizofrênicos: um dispositivo alienígena, maligno e remoto, influencia os pensamentos e comportamento dos doentes

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