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sábado, 24 de agosto de 2013

Estranhos sob o mesmo teto

Estranhos sob o mesmo teto Regina Navarro Lins Há casais que experimentam profunda solidão mesmo tendo alguém dormindo na mesma cama todos os dias. E é justamente por medo da solidão que suportam o insuportável tentando manter a estabilidade do vínculo. Acabam assim se tornando dois estranhos ocupando o mesmo espaço físico. A separação seria uma saída, mas as pessoas têm medo de sentir falta do outro, de não encontrar um novo amor, de ficarem sozinhas. Não há dúvida de que o medo da solidão é responsável por muitas opções equivocadas de vida. Fazemos qualquer coisa para nos sentir aconchegados e protegidos através da relação com outra pessoa, tentando nos convencer de que assim não seremos mais sozinhos. A ideia, tão valorizada e difundida pelo amor romântico, de que devemos buscar um parceiro que nos complete só contribui para que não enxerguemos o óbvio: ser só é uma das nossas características existenciais. Conversando com a escritora Marina Colasanti ouvi uma observação interessante: “Um dos elementos que causam a solidão dentro do casamento é que as pessoas evoluem em direções tão opostas que de repente uma não tem nada mais a ver com a outra. Eventualmente até transam, mas a transa nem sempre configura intimidade. Ou podem se afastar quando um dos dois se volta muito para si. Isso é comum acontecer com os velhos. Sempre se diz que a velhice traz sabedoria, mas é mentira. Temos que lutar para melhorar com a idade, porque a tendência é a gente ir piorando.” O psicoterapeuta e escritor Roberto Freire acredita que risco é sinônimo de liberdade e que o máximo de segurança é a escravidão. Para ele a saída é vivermos o presente através das coisas que nos dão prazer. A questão, diz ele, é que temos medo, os riscos são grandes e nossa incompetência para a aventura nos paralisa. Entre o risco no prazer e a certeza no sofrer, acabamos sendo socialmente empurrados para a última opção. A condição essencial para ficar bem sozinho é adquirir nova visão do amor e do sexo e se libertar da dependência amorosa exclusiva e “salvadora” de alguém. O caminho fica livre para um relacionamento mais profundo com os amigos, com crescimento da importância dos vínculos afetivos. E quando se perde o medo se percebe que estar sozinho não significa necessariamente solidão.

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