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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Pesticidas ajudam a entender Parkinson
Pesticidas ajudam a entender Parkinson
Substâncias agem sobre as mesmas estruturas cerebrais atacadas pela doença
Na última década, muitos estudos associaram a exposição a agrotóxicos a maiores chances de desenvolver a doença de Parkinson. Ainda não se sabe por que e como prejudicam as células neurais, mas uma pesquisa recente da Universidade da Califórnia sugere uma resposta: as substâncias presentes nesses produtos podem inibir uma via bioquímica que normalmente protege os neurônios dopaminérgicos, as estruturas cerebrais seletivamente atacadas na doença neurodegenerativa. O estudo desses agentes tóxicos pode ser a chave para entender o papel dessa via para a preservação neuronal – e, futuramente, fazer dela um alvo de novos medicamentos.
Os pesquisadores expuseram diferentes tipos de células do cérebro humano ao pesticida benomyl, conhecido por inibir a atividade química de enzimas aldeído desidrogenase (ALDH), capazes de quebrar um metabólito (produto do metabolismo) naturalmente tóxico do neurotransmissor dopamina, o DOPAL, tornando-o inócuo. Eles descobriram que o pesticida “matou quase metade dos neurônios dopaminérgicos, mas deixou todos os outros neurônios testados intactos”, segundo o neurologista Jeff Bronstein, um dos autores do estudo.
Isso ocorreu, afirmam, porque a inibição da atividade da ALDH pelo benomyl estimulou a acumulação tóxica de DOPAL, o que pode explicar a ligação entre o Parkinson e pesticidas. Além disso, o mesmo grupo de pesquisa identificou alta atividade DOPAL no cérebro de pessoas com Parkinson que não foram expostas a agrotóxicos, o que permite inferir que a via bioquímica estudada está envolvida no processo da doença, independentemente da causa original. Se estudos futuros comprovarem essa relação, as drogas que bloqueiam ou “limpam” o DOPAL do cérebro podem representar uma esperança de tratamento.
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