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terça-feira, 26 de agosto de 2014
O que os psicanalistas têm a dizer
O que os psicanalistas têm a dizer
Coletânea comemora os 25 anos da revista Percurso, do Instituto Sedes Sapientiae, com 35 entrevistas divididas em dois volumes
O que expoentes contemporâneos da psicanálise têm a dizer sobre método, técnica, experiência clínica, transformações da subjetividade e compreensão de fenômenos culturais e sociais? O que pensam a respeito de si mesmos, de sua própria trajetória como analistas e da obra de outros teóricos? Em Psicanálise entrevista alguns desses personagens fundamentais da atualidade ganham voz em uma coletânea que celebra os 25 anos da Percurso, publicação semestral do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.
Considerando-se os graus variados de expressividade e contribuição dos entrevistados ao cenário psicanalítico, o livro tem importantes características a serem observadas tanto por profissionais quanto por estudantes da área. Uma delas é a diversidade de olhares e opiniões que permite descortinar um panorama bastante amplo do cenário psicanalítico que temos hoje no Brasil e no mundo. Outro aspecto fundamental é o registro que, por si só, possibilita a preservação da história recente do pensamento psicanalítico.
O primeiro dos dois volumes da edição comemorativa reúne entrevistas de estrangeiros como Radmila Zygouris, Otto Kernberg, Jean Laplanche, André Green, Jean-Bertrand Pontalis, Isaias Melsohn, Joyce McDougall (estes cinco últimos já falecidos) e os brasileiros Chaim Samuel Katz, Joel Birman, Jurandir Freire Costa, Ivone Lins, Silvia Alonso e Sérgio Paulo Rouanet. O segundo volume, ainda não publicado, apresenta entrevistas de Maud Mannoni, Bernard Penot, Anne Alvarez, Christopher Bollas, Luís Hornstein, Elizabeth Roudinesco, Jean-Jacques Rassial, Juan-David Nasio, Luís Carlos Menezes, Maria Rita Kehl, Maria Cristina Kupfer, Miriam Chnaiderman, Zygmunt Bauman e Madre Cristina, fundadora do Sedes. A curadoria das entrevistas e a organização dos dois livros couberam às psicanalistas Mara Selaibe e Andréa Carvalho.
Ao todo, são 35 entrevistas realizadas por um grupo de psicanalistas, e 32 entrevistados: três deles – Radmila Zygouris, Monique Schneider e Jean Laplanche – foram ouvidos duas vezes com intervalo de alguns anos, o que permite o acompanhamento da evolução de seu trabalho. Embora a maioria dos que foram ouvidos seja psicanalista, há exceções, como a psicóloga Madre Cristina e o sociólogo Zygmunt Bauman. Partindo da visão pessoal, representantes principalmente das abordagens freudo-francesa, lacaniana, kleiniana, winnicottiana e da psicologia do ego trazem no discurso a marca da própria vivência, muitas vezes evitando falar em nome do grupo de pertinência.
“Ao longo da leitura vemos surgir uma série de temas recorrentes, pensados a partir da experiência de cada entrevistado: os enigmas suscitados pelo que faz e por que o faz assim, questões ligadas aos agrupamentos psicanalíticos, à formação que oferecem, à transmissão da psicanálise, convergências e divergências com as disciplinas afins, a apropriação vasta e complexa, os efeitos do ‘ar do tempo’ sobre as subjetividades e sobre a prática clínica”, escreve o psicanalista Renato Mezan, editor responsável pela Percurso, no prefácio. Aliás, há um único prefácio para ambos os volumes, já que os dois tomos compõem a mesma obra. Mezan conta que o material original daria um livro de aproximadamente 800 páginas, o que levou as organizadoras, Mara e Andréa, a optar pela divisão.
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