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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Você é senhor ou escravo dos seus compromissos

Você é senhor ou escravo dos seus compromissos? Aílton Amélio A capacidade para assumir, cumprir e reformular compromissos talvez seja o mecanismo psicológico mais ampla e frequentemente utilizado por todos nós. Assumimos milhares de compromissos durante as nossas vidas. Comprometemo-nos com nós mesmos e com outras pessoas. As magnitudes destes compromissos variam desde microcompromissos que guiam todas as nossas ações cotidianas (hora de levantar, ginástica, duração do café da manhã, hora de começar a trabalhar, tarefas que vamos realizar durante o dia, responder e-mails, pagar contas) até grandes compromissos, como assumir as prestações de uma casa, assinar um contrato de emprego e casar. A maioria desses compromissos é assumida com nós mesmos, só em pensamentos. Outros compromissos são assumidos com outras pessoas ou instituições. Cumprir ou não cumprir aquilo que prometemos pode ter consequências legais, afetar nossa imagem pública e aquilo que pensamos e sentimos a nosso próprio respeito. Valorização social do cumprimento de compromissos Cumprir os compromissos assumidos é socialmente visto como um dever. Existem três tipos principais de julgamentos em relação a aqueles que cumprem ou deixam de cumprir seus compromissos: (1) Aqueles que se destacam por cumprir seus compromissos são vistos como virtuosos: “Homens e mulheres de palavra” (alô, alô, senhores políticos!). Antigamente se dizia que os compromissos entre cavaleiros eram selados com um fio de bigode, e que este gesto valia mais e dispensava qualquer documento escrito: com certeza ele seria cumprido! (2) Aqueles que não cumprem seus compromissos são vistos como “tratantes” (tratam, mas não cumprem. Alô, alô, senhores políticos!) e, (3) aqueles que endeusam os compromissos, não os reveem e tratam com rigidez aqueles que apresentam falhas não importantes no cumprimento de seus compromissos são pessoas perfeccionistas que acabam se tornando pessoas estressadas e intolerantes. Quando é melhor redefinir os compromissos Tão importante quanto ser capaz de assumir compromissos e cumpri-los é saber cancelar ou redefinir compromissos já assumidos. O compromisso é um mecanismo benéfico é usado de forma equilibrada. Priorizar os compromissos acima de qualquer coisa é contraproducente e não saudável. Sempre é necessário avaliar as implicações de comprometer-se e não cumprir o prometido (por exemplo, tal pessoa pode passar a ser vista como não confiável e fraca), a importância do compromisso que não foi cumprido as condições que levaram ao seu não cumprimento. É razoável, legitimo e saudável deixar de cumprir ou alterar compromissos quando aparecem novas e importantes condições que contraindicam seus cumprimentos. Quem descumpre, é claro, deve assumir as consequências dessa forma de agir. Gerir compromissos e bem estar Para estar de bem com vida temos que saber lidar com compromissos. Por exemplo, algumas pessoas são extremamente comprometidas com os horários. Fazem questão absoluta de chegar no horário que combinaram e ficam muito irritadas quando a outra parte se atrasa. Muitas vezes, o fato que gerou o compromisso é pouco importante, mas para essas pessoas, o compromisso vale por si só. Por exemplo, conheço uma pessoa que faz questão de almoçar exatamente na mesma hora e fica muito estressada quando não consegue cumprir esse horário, mesmo quando ela não tem nada agendado para logo depois do seu horário habitual de almoço. Outro exemplo: alguns pacientes ficam muito estressados quando enfrentam transito e isto vai fazer com que eles cheguem cinco ou dez minutos atrasados para o início da terapia. Esses atrasos eventuais têm pouca consequência e não justificam as tensões desproporcionais que geram e os riscos de dirigir perigosamente para chegar exatamente no horário Existem vários mecanismos que fazem com que certas pessoas deem importância exagerada para os compromissos. Um deles é o significado que atribuem aos seus cumprimentos – uma espécie de perfeccionismo para cumprir aquilo que prometeram. Outro deles é a superestimação das consequências por não cumpri-los rigorosamente. Por exemplo, algumas pessoas imaginam que a outra parte está lá à sua espera, sem fazer mais nada, contanto os segundos, preocupada e perdendo o seu precioso tempo. Na realidade, muitas as pessoas que estão à espera têm outras tarefas para irem executando no tempo de atraso ou, simplesmente, aproveitam para espairecer, tomar um café, descansar, etc. Três das principais características que diferenciam as pessoas estressadas devido aos compromissos daquelas tranquilas são: (1) a quantidade de compromissos que assumidos no dia a dia e (2) o grau de gravidade atribuido ao não cumprimento de compromissos e (3) a flexibilidade para redefinir compromissos frente aos fatos mais importantes que vão aparecendo no transcurso das suas atividades. Mecanismos que levam ao cumprimento dos compromissos Só o fato de comprometer-se consigo próprio para fazer ou deixar de fazer algo já aumenta a motivação para realizar o prometido. Quando nos comprometemos, de alguma forma, nos preparamos para cumprir o comprometido. Isso implica na organização de uma agenda (mental ou física), eliminação de coisas incompatíveis para o cumprimento, planejamento e acionamento dos planos, instalação de esperanças decorrentes dos ganhos do cumprimento da meta. Cancelar tudo isso é frustrante, trabalhoso e pode implicar em consequências internas (sensação de fracasso, baixa na autoestima, modificação do autoconceito para incluir a pouca “força de vontade para cumprir o prometido) e externas (as outras pessoas que tomaram conhecimento do compromisso e do seu não cumprimento mudarão a imagem que tinham do tratante e as suas expectativas sobre ele). Aumentando as chances de cumprir o prometido Algumas pessoas têm “força de vontade” (aprenderam a acionar mecanismos psicológicos como culpa, autoestima, satisfação, etc.) para cumprir aquilo que se propõem, mesmo quando esse compromisso é realizado apenas com elas próprias, em seus pensamentos. Outras pessoas precisam acionar outros dispositivos para aumentar as chances de cumprir aquilo que prometeram. Alguns desses dispositivos são os seguintes: - Promessas legais: o contrato estipula as consequências ou as leis garantem as consequências - Rituais de comprometimento: solenidades, músicas, discursos, atos cerimoniais praticados aumentam o autocomprometimento e o comprometimento das testemunhas com aquilo que celebrado. Por isso, é importante realizar cerimonias de casamento, juramento de observância ao código de ética profissional, etc. Sistema contratual: é assumido um contrato que estipula que o outorgante vai atingir uma determinada meta dentro de um prazo estipulado. Caso isso não seja cumprido, ocorrerão determinadas consequências também estipuladas no contrato. Este contrato tem as mesmas características do contrato legal. A diferença é que aquele usado no sistema contratual é pouco formal, não é regido pela legislação e é assinado entre o outorgante e uma pessoa que possa fiscalizar o seu cumprimento e impor as sanções positivas ou negativas. A maior diferença entre o legal e o contratual é que este é formulado com a finalidade de atingir metas pessoais: perder peso, estudar, parar de fumar, fazer ginástica. (Este tipo de contrato é formulado e utilizado com mais proveito quando supervisionado por um psicólogo). Tornar público o que está sendo compromissado. Por exemplo, divulgar no local de trabalho que está de regime (os colegas poderão ver se isto está acontecendo na hora dos lanches) ou que está namorando (a imagem pública poderá sofre danos com as infrações a este fato). Vamos examinar agora algumas implicações do comprometimento na área amorosa. Comprometimento amoroso Qualificações do parceiro e aceitação de compromissos amorosos Um dos motivos óbvios para a não aceitação de compromissos amorosos acontece quando o candidato não atende as expectativas para ser parceiro naquele tipo de compromisso. Um estudo realizado por pesquisadores americanos verificou que tanto os homens como as mulheres vão ficando mais exigentes quanto às qualificações dos pretendentes à medida que vai crescendo a abrangência do compromisso (ficar, sexo casual, namorar, noivar e casar). No entanto, as mulheres são mais exigentes do que os homens para relacionamentos com baixo grau de compromisso (por exemplo, os graus de exigência delas quanto as qualidades dos parceiros para “ficar” ou para sexo casual são mais parecidos com aqueles para noivar e para casar do que os graus de exigências dos homens para estas mesmas finalidades). Para os altos graus de compromisso (noivar e casar) homens e mulheres têm graus de exigência muito semelhantes. Esta diferença têm grandes implicações nas percepções mútuas de homens e mulheres: muitos homens aceitam relacionamentos superficiais com mulheres com as quais eles não teriam maiores compromissos. Eles não as avisam disso, senão elas não aceitariam tais relacionamentos. Ai acontece um desencontro: essas mulheres aceitam esses compromissos mais superficiais na esperança que eles evoluam para compromissos mais profundos, uma vez que os homens com os quais elas estão aceitando os compromissos superficiais também preenchem as suas exigências para compromissos mais amplos e profundos. Portanto, não nem sempre é correto concluir que “os homens não querem compromissos”. Muitas vezes esses rejeitam a progressão para maiores graus de compromisso porque as mulheres com as quais eles estão se relacionando com baixo grau de compromisso só têm qualificações, nas suas avaliações, para relacionamentos mais superficiais. Sinais de propensão para o compromisso no inicio dos relacionamentos amorosos Um estudo revelou alguns dos sinais que o parceiro está predisposto a assumir compromissos. Alguns desses sinais são os seguintes: - Assumir o parceiro em público: um estudo mostrou que as pessoas que estão se comprometendo: - Apresentar o parceiro para o circulo de relacionamentos mais significativos. - Levar o parceiro aos locais mais significativos de vida - Formular planos para o futuro junto com o parceiro (casa que ambos gostariam de viver depois de casado, viagens, estilo de vida, etc.). - Mostrar menor avidez para começar a vida sexual com o parceiro: é um sinal negativo quando o parceiro logo quer levar o outro para a cama. - Interessar pela vida, pelo passado e pelos planos do parceiro: sinal que quer estabelecer a cumplicidade com o parceiro e que não está interessado apenas em sexo. Você se está adminstrando mal os seus compromissos? Procure a ajuda de um psicólogo!

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