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segunda-feira, 16 de abril de 2012
Preconceito e Estigma
Comportamento
Preconceito de todo dia
Um delírio em relação ao alvo, o preconceito existe para que um grupo ou alguém mantenha o poder sobre outro
Preconceito e Estigma
"O estigma é algo que dá visibilidade ao alvo do preconceito", esclarece o professor e pesquisador do Instituto de Psicologia da USP, José Leon Crochík. Vinculado à idéia de marca, o estigma é predisposição para o preconceito, não está presente em todos os tipos de manifestações preconceituosas e é fortemente relacionado ao ambiente em que o grupo estigmatizado está inserido. "O negro tem a marca da negritude na pele, é freqüentemente estigmatizado; o homossexual, não necessariamente - muitos deles ninguém sabe se são. Além disso, existem mulatos que são tidos como negros em São Paulo, mas como brancos na Bahia; o estigma não obedece a convenções sociais amplas."
Para melhor entender diferenças entre manifestações de estigma e de preconceito, Phelan, Link e Dovidio publicaram na edição de agosto de 2008 da revista Social Science and Medicine uma revisão teórica que unifica ambos os conceitos. Segundo eles, embora seja possível distinguir preconceito de estigma em suas finalidades, ambos fazem parte de um mesmo universo discriminatório por produzir resultados semelhantes.
De acordo com os pesquisadores, preconceito é comumente associado a características grupais, enquanto que estigma tem a ver com particularidades inerentes ao indivíduo. A tradição de estudos sobre preconceito partiria, portanto, de preocupações com processos sociais motivados por exploração e dominação - como o racismo -, enquanto a tradição de trabalhos sobre estigma esteve mais preocupada em entender processos relacionados a estabelecimento de normas de comportamento e evitação.
As funções de ambos os conceitos, portanto, se confundem em "manter as pessoas abaixo" (exploração e dominação), "manter as pessoas inseridas" (estabelecimento de normas) e "manter as pessoas distantes" (evitação). Isto é, os processos sociais do estigma e do preconceito são similares; as razões históricas que explicam por que sociedades estigmatizam ou são preconceituosas tendem a variar.
Na mesma edição de Social Science and Medicine, Stuber, Meyer e Link, das universidades de Columbia e Washington, afirmam que as diferenças entre estigma e conceito estão longe de serem conceituais. Para eles, o foco das pesquisas desenvolvidas até hoje fez com que houvesse a impressão de que ambos são conceitos diferentes. Nesse sentido, Stuber e colegas argumentam que pesquisas sobre estigma têm tradicionalmente enfatizado estudos de pessoas com condições pouco comuns, como deformidade facial, HIV/Aids, baixa estatura e doença mental. Por outro lado, pesquisadores especializados em preconceito e discriminação tendem a focar em conflitos de gênero, idade, raça e divisões de classe.
Teoria da Dominância
Em artigo publicado na terceira edição de 2007 do periódico Psicologia: Reflexão e Crítica, Sheyla Fernandes e colegas mostram como certos valores contribuem para o desenvolvimento do preconceito. De acordo com o trabalho, a fonte dos valores encontra-se nas produções sociais de significado, ou seja, faz parte de um fenômeno tanto sociológico quanto psicológico. A emergência desses valores dependeria de condições específicas, desenvolvidas na luta ideológica pelo poder.
No mesmo artigo, Sheyla Fernandes e colegas explicam que, segundo a Teoria da Dominância Social, todas as sociedades humanas tendem a se estruturar em sistemas de grupos, baseados em hierarquias sociais, muito difíceis de serem modificados. São os sistemas paralelos os que resistem às hierarquias sociais, capitaneiam mudanças e lutam por moderar as desigualdades. Um indivíduo favorável às hierarquias grupais e a uma sociedade pautada rigorosamente na diferença possivelmente seria simpático, portanto, à dominância social.
Ao investigar as relações existentes entre valores e preconceito, os pesquisadores descobriram que valores materialistas - representados especificamente por lucro, riqueza, status e autoridade - estão diretamente relacionados à idéia de dominância social. Por sua vez, os valores pós-materialistas - realização profissional, responsabilidade, competência e dedicação ao trabalho - se opõem à noção de dominância.
"Dado que a sociedade nos incita a competir para sobreviver, classificamos os outros com os quais não nos identificamos, com algumas arbitrariedades, entre melhores e piores".
Algumas ressalvas, entretanto, precisam ser feitas: para os pesquisadores, há de se entender que ambigüidades são inerentes a todo tipo de sistema baseado em valores subjetivos. No caso, Sheyla Fernandes e colegas ressaltam que, por trás de cada ideologia socialmente formulada, alguns de seus conteúdos permanecem ligados a idéias opostas por conta de necessidades e construções baseadas em experiências históricas de inclusão e exclusão social. Ou seja, embora algumas visões de mundo estejam próximas ao socialmente desejável - compartilhando idéias de justiça social, fraternidade e igualdade -, essas mesmas representações possuem características materialistas e conservadoras que explicam a dominação e o individualismo exacerbados na sociedade ocidental.
OS VALORES QUE DESENVOLVEM O PRECONCEITO FAZEM PARTE DE UM FENÔMENO SOCIOLÓGICO E PSICOLÓGICO
Ser Igual ao Alvo
"O preconceito é avesso à experiência", afirma o professor José Leon Crochík. Segundo ele, justamente por ela (a experiência) não estar pautada em fatos concretos sobre o indivíduo, é necessário que o Estado se oponha a qualquer tipo de discriminação, de modo a fazer o preconceituoso entender que a responsabilidade do preconceito é dele, não do alvo. "O preconceito é quase uma ilusão, é um delírio com relação ao alvo. O preconceituoso na verdade queria que seu alvo fosse como ele gostaria; não é; portanto ele o culpa pela contrariedade."
Dentre as mais recentes experiências da Psicologia Social no combate ao preconceito, uma vertente de crescente popularidade é aquela baseada na Hipótese do Contato. Essa hipótese pretende trabalhar para a eliminação dos preconceitos menos arraigados, ou seja, com aquelas pessoas cujos valores ainda não as distanciaram do diálogo. Consiste em aproximar indivíduos com vivências diferentes, de modo a fazê-los dissociar a idéia sobre o indivíduo das frustrações relacionadas ao âmbito social. Outro objetivo dessa abordagem também é estimular o entendimento de que a fragilidade faz parte da vida e que o desprezo à fragilidade é legitimador das divisões sociais.
O preconceito está em todas as classes sociais como discurso de legitimação ou de combate ao sistema vigente.
Entrevista com Marcus Eugênio Lima: racismo no Brasil
Professor do Departamento de Psicologia e do Mestrado em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Marcus Eugênio Lima, em sua pesquisa, estuda representações sociais e percepções de justiça social em relações raciais. Aqui, explica a tênue linha que separa os conflitos entre os indivíduos e a estigmatização de um grupo e os prejuízos psicológicos e sociais gerados pela discriminação.
Psique - Existem diferenças conceituais entre estigma de raça e preconceito racial?
Marcus - Segundo Erwing Goffman (1963), estigma é uma marca ou sinal que define quem a carrega como sem valor ou inferior aos outros definidos como "normais". Indivíduos estigmatizados são vistos como sendo menos humanos que os outros. Ainda segundo Goffman, três variedades de estigma podem ser identificadas: a) "abominações do corpo", a exemplo das deformidades físicas; b) "falhas de caráter", a exemplo de transtornos mentais, vícios, desemprego etc.; e c) "identidades tribais", tais como a raça, a nação, a religião. O preconceito racial ou étnico, por sua vez, é um fenômeno mais específico e "psicológico" que o estigma. O preconceito pode ser definido como uma antipatia por alguém apenas porque esse alguém pertence a um grupo estigmatizado. Dessa forma, consideramos que o fenômeno da estigmatização racial está mais próximo semanticamente do racismo do que do preconceito racial. O racismo integra, além das avaliações negativas da alteridade, práticas sociais discriminatórias e infra-humanizadoras; ao passo que o preconceito, por ser uma atitude, tem foro mais psíquico/individual e não necessariamente conduz à discriminação do outro, como o fazem o racismo e a estigmatização. Todavia, esses três conceitos e mais o de estereótipos são muito relacionados e separáveis apenas em termos de análise teórica. Outra diferenciação é a de que o estigma, assim como o racismo, necessita de uma marca externa essencializadora que defina quem pertence ao grupo-vítima. Se tal marca não existir objetivamente, ela é construída e objetivada (a exemplo do nariz aquilino dos judeus). O preconceito racial, por sua vez, move-se mais no campo das emoções intergrupais, não demandando tais marcas ou sinais.
Psique - Quais as origens do preconceito de cor e raça no Brasil?
Marcus - O preconceito é uma produção social, cultural e ideológica que acontece no campo das relações entre grupos quando há assimetrias ou desigualdades de poder e interesses conflitivos. Ele é também um produto das normas sociais. Só é possível falar de preconceito quando há algum tipo de normatividade que o combata, que defina uma ação/atitude como preconceituosa, descabida, injustifi- cada. Antes dos anos 1960 e das conquistas do movimento feminista e de outros importantes movimentos sociais não se falava ou pesquisava o sexismo (preconceito contra a mulher), embora a violência contra a mulher naquela época não fosse menor que a de hoje.
Podemos até dizer que, para a norma social vigente até 1960, o sexismo não existia, pois o tratamento dispensado às mulheres de então era justificado pelas normas existentes. De modo análogo, antes da abolição da escravidão no Brasil e, sobretudo, das conquistas do movimento negro no nível internacional no início do século XX, ser racista era a norma social dominante, de modo que não havia condenação social às manifestações antinegros. Sendo assim, ainda que os negros tenham sido infra-humanizados e que tenha se tentado exterminá-los física e culturalmente nos nossos 500 anos de história, só se pode falar em preconceito racial a partir do momento em que as ações e moções contra um grupo passam a ser injustifi- cadas ou antinormativas.
Florestan Fernandes e Roger Bastide já encontram sinais do racismo brasileiro num amplo conjunto de pesquisas, no final da década de 1940.Mais tarde, outros pesquisadores, ainda nos campos da Antropologia e Sociologia, confirmam tais achados. A psicologia nacional vai descobrir racismo no Brasil apenas a partir de 1990, junto com o reconhecimento oficial do governo brasileiro sobre a histórica discriminação do negro na nossa sociedade.
Psique - Quais as principais queixas dos sujeitos discriminados?
Marcus - O racismo no Brasil foi sempre tabu. Essa situação começou a mudar apenas recentemente, desde que Gilberto Freyre escreveu, em 1933, Casa Grande e Senzala. Construímos um mito de que vivíamos num paraíso racial. Não tínhamos democracia política, mas tínhamos democracia racial. Essa mitificação ainda hoje surte seus efeitos e tem seu poder. Quando alguém aqui se queixa de ter sofrido uma ofensa racial é, muitas vezes, chamado de paranóico, complexado.
Se você não acha graça ou se queixa de piadas racistas, é porque não tem senso de humor, pois o nosso racismo é um "racismo de brincadeira" para quem faz ou olha; de verdade apenas para quem sofre. Ainda é raro encontrar queixas raciais; muitas vezes as pessoas vítimas de racismo engolem a ofensa. Essa situação começa a mudar, graças, sobretudo, ao papel das políticas de ação afirmativa nos debates sobre cor da pele e relações racializadas no país.
Psique - Quais as conseqüências, do ponto de vista psicológico, para as vítimas do preconceito racial?
Marcus - O preconceito e os estereótipos negativos têm conseqüências psíquicas graves para as pessoas e grupos. Eles afetam a auto-estima pessoal e coletiva; minam os processos de identificação social com os grupos estigmatizados, levando muita gente a uma cultura da branquitude; aumentam a probabilidade de suicídio, de transtornos mentais e outros problemas psicossociais. Os estereótipos produzem profecias autorealizadoras: imagine um ex-presidiário tentando arranjar emprego. Se a sociedade lhe fecha as portas porque acha que ele é "perigoso", ele vai ter de continuar sendo perigoso. Crenças de que as mulheres não são boas em matemática comprovadamente ameaçam e reduzem o desempenho nesse campo.
Psique - Como tratar clinicamente distúrbios decorrentes de episódios de preconceito?
Marcus - O tratamento para o preconceito não pode é só um remédio psicológico ou clínico. Trata-se de um fenômeno psicossocial complexo, usado nas relações de poder para justificar posições e acessos desiguais. Tratar do preconceito exige esforço científico e social multidisciplinar e esforço e pressão política equivalentes. Crianças, a partir dos cinco anos, já aprendem com a mídia, com seus pais e com a escola a serem racistas. Aprendem em livrinhos de história e nos posteriores da disciplina de história. É preciso envolver todos - escola, igrejas, família e Estado - num esforço conjunto de debate e análise critica sobre o que ensinamos aos nossos filhos e sobre o papel das pessoas e grupos na história do país e na estrutura social. Pari passu, devem ocorrer mudanças sociais e econômicas que tornem a ocupação dos espaços sociais e políticos mais equânime e plural.
"O preconceituoso não quer conviver com a própria fragilidade. Ele vê no outro características que quer para si, de modo a diminuir sua sensação de fragilidade." Estudos recentes têm demonstrado, no entanto, que, embora seja positivo combater o comportamento discriminatório, mudanças sociais decorrentes desse esforço não têm se mostrado bem-sucedidas. Conforme apontam Sheyla Fernandes e colegas, em vez de moderação das desigualdades, a sociedade presencia apenas contenção e sutileza nas formas pelas quais se expressa o preconceito. "Mostrar-se como preconceituoso tornou-se antiquado e aversivo", assinalam os pesquisadores, o que acaba por estimular o desenvolvimento de novas estratégias de dominância social.
Racistas Modernos
Algumas terminologias pretendem demonstrar, a partir da aceitação da existência de diversas gradações de preconceituosos, www.portalcienciaevida.com.br | psique ciência&vida 25 como ideologias políticas e concepções de sociedade podem determinar o modo como o preconceito é manifestado.
"O Preconceituoso gostaria que seu alvo fosse como ele gostaria; não é, então ele o culpa pela contrariedade".
Indivíduos estigmatizados são vistos como sendo menos humanos que os outros
"Diferentes perfis preconceituosos existem, refletindo preconceitos de esquerda e de direita. Para caracterizar corretamente natureza do preconceito de um indivíduo é necessário considerar atitudes raciais implícitas (ou automáticas) e explícitas",
Ideologias políticas e concepções de sociedade podem determinar o modo como o preconceito é manifestado
explicam Son Hing, Chung-Yan, Hamilton e Zanna, pesquisadores ligados às universidades de Gelph e Waterloo, no Canadá. Eles assinam estudo publicado na edição de junho de 2008 do periódico Journal of Personality and Social Psychology, em que analisam a preponderância de preconceitos implícitos e explícitos no estabelecimento de quatro grupos - os racistas aversivos, os racistas modernos, os conservadores por princípio e pessoas muito pouco preconceituosas. No trabalho, os pesquisadores testam como funcionam esses grupos avaliando o apoio ideológico de cada um relacionado ao preconceito.
Durante a averiguação, Son Hing e colegas observaram que racistas modernos - aqueles que, segundo os pesquisadores, acreditam que discriminação não existe e que os negros fazem muitas reivindicações - disseram apoiar ideologias relacionadas ao preconceito com maior intensidade, eram conservadores e demonstraram efeitos de atribuição ambígua. Conservadores por princípio, por sua vez, não apoiaram ideologias relacionadas ao preconceito e não avaliaram ne- 26 psique ciência&vida gativamente o alvo do preconceito, mesmo quando tiveram um pretexto para isso. Racistas aversivos eram pouco conservadores e demonstraram discriminação étnica somente quando tiveram algum pretexto. Aqueles considerados pouco preconceituosos foram mais igualitaristas, menos conservadores e não discriminaram em qualquer ocasião.
Simples Como Amar
Há várias classificações de preconceito estabelecidas: preconceito racial ou étnico; preconceito sexual; preconceito em relação a portadores de necessidades especiais. É a ausência de certos valores morais que abre espaço para uma visão natural da exclusão.
Às vezes a própria família tem dificuldades em inserir seu filho - com algum tipo de necessidade especial - na sociedade. Simples como amar conta a história de Carla Tate (Juliette Lewis), que, depois da graduação, volta para a casa dos pais em São Francisco. Apesar de suas limitações, Carla pretende morar sozinha, ter uma vida independente e também se libertar da presença da mãe que a vigia de forma sufocante. Esse desejo aumenta quando conhece Danny McMann (Giovanni Ribisi), um jovem também com deficiência mental e que mora sozinho.
Além disso, os pesquisadores notaram que, comparados aos racistas aversivos, os racistas modernos se mostraram mais explicitamente preconceituosos, mais conservadores socialmente, menos igualitaristas, mais conservadores política e economicamente e avaliaram o alvo do preconceito de maneira mais negativa.
Raça Biológica Estimula Preconceito
Em artigo publicado na mesma edição do Journal of Personality and Social Psychology e com o mesmo objetivo - o de entender as gradações do preconceito e como ele pode ser manifestado -, pesquisadores das universidades norte-americanas de Berkeley e Stanford examinaram como concepções biológicas de raça podem interferir nos relacionamentos pessoais. Williams, Melissa, Eberhardt e Jennifer observaram que indivíduos que entendem raça como algo biologicamente derivado tendem a considerar desigualdades sociais como natural e dificilmente mutáveis. Essas mesmas pessoas, segundo eles, também tendem a manter relações de amizade menos diversas em termos raciais, têm menos vontade em desenvolver laços de amizade inter-raciais e são menos interessadas em www.portalcienciaevida.com.br | psique ciência&vida 27 manter contato com pessoas de outra raça do que com as de sua concepção racial.
"A pessoa que vê a raça como sendo algo que tem origem social e não biológica é mais provável de se perceber como indivíduo e identificar que a sociedade como um todo pode e deve mudar para diminuir as lacunas resultantes entre os grupos. A pessoa que vê raça como algo biologicamente derivado, por outro lado, é mais provável atribuir a existência de desigualdades raciais a diferenças naturais entre negros e brancos, além de ser significativamente menos preocupada em diminuí-las", afirmam Williams e colegas.
A questão atual do racismo, desse modo, aparece nas formas veladas de preconceito. O racista moderno de Son Hing e colegas e os indivíduos que crêem em raça como algo biologicamente derivado, de modo geral, não são preconceituosos histéricos e necessitariam de investigação criteriosa e aprofundada para que fosse possível perceber como seu preconceito se revela. Eles entendem que o preconceito não pode ser manifestado de forma clara, por ser juridicamente condenável e socialmente mal aceito. Ou seja, se o preconceito pode levar à rejeição social, é possível que algumas pessoas evitem estabelecer laços inter-raciais antes mesmo que eles ocorram, de modo a se prevenirem eventuais experiências negativas.
Essas formas de evitação do estigma de preconceituoso acabam por criar justificativas que funcionam como subterfúgios na esfera privada. É o que ressalta o professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe, Marcus Eugênio Lima. Segundo ele, as expressões mais veladas do preconceito vêm normalmente organizadas pela expressão "mas", como a seguinte: "Eu não tenho preconceito contra os negros, mas se uma filha minha resolvesse casar com um deles...". Marcus explica que, "no Brasil, essa forma velada de racismo é chamada de 'cordial' (ainda que em nada seja cordial para quem sofre) e se manifesta mediante piadas, ditos populares etc".
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