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sexta-feira, 11 de maio de 2012
Como escolhemos nossos amigos
Como escolhemos nossos amigos?
Diversos círculos sociais levam a amigos que são como nós, mas não necessariamente mais próximos
Quer se trate de decidir o que comer ou onde morar, nós gostamos de ter opções. E quanto mais opções temos, mais variadas nossas escolhas serão, certo? Quando se trata de escolher nossos amigos, talvez não.
Um novo estudo, publicado em 21 de setembro no Group Processes & Intergroup Relations, sugere que quando as pessoas são capazes de escolher os amigos em um grupo maior e mais diversificado, escolhem os que são mais semelhantes a si. Aquelas em grupos menores, no entanto, acabam com amizades não muito similares, mas mais próximas.
"A ironia na descoberta é que em ambientes mais diversos encontramos amizades menos diversificadas", afirma a psicóloga social Angela Bahns, do Wellesley College, em Massachusetts, principal autora do estudo. Ela comparou estudantes em campi universitários grandes e pequenos para ver como aconteciam as escolhas de amizade em seu ambiente social. “Embora você possa esperar que as pessoas que vão para um campus grande e variado passem o tempo com um grupo mais diversificado, na verdade essa magnitude só permite que os grupos sejam mais exclusivos”, explica Angela.
“Considerando que existe um grande corpo de pesquisa que sugere que temos uma preferência universal por similaridades, ser semelhante nem sempre significa ser melhor”, de acordo com Angela. Na verdade, ela descobriu que apesar das maiores diferenças nas atitudes, valores e comportamentos, os estudantes nos campi pequenos relataram amizades mais íntimas do que seus homólogos nos grandes campi.
"Se você viver em um mundo onde não há muita escolha, vai ter de se contentar com pessoas que não são tão semelhantes a você", diz o coautor Chris Crandall, psicólogo da University of Kansas (KU), em Lawrence. "Mas você pode ser perfeitamente feliz com amigos que não são tão semelhantes."
Para conduzir o estudo, Bahns e seus colegas recrutaram 268 estudantes, tanto da KU (universidade grande, com mais de 25 mil alunos) quanto das quatro menores faculdades rurais do Kansas, com cerca de 500 a mil alunos cada. Os pesquisadores rastrearam pares de alunos em espaços públicos, como o sindicato dos estudantes ou a lanchonete, e pediu-lhes para preencher um questionário que media uma ampla gama de atitudes sociais, comportamentos e valores que possam importar em uma amizade. Por exemplo, os alunos classificavam o quanto eles concordavam com afirmações como: "uma pessoa pode viver uma vida boa o suficiente sem religião" ou "as famílias funcionam melhor quando as mulheres fazem o trabalho em casa e os homens fazem o trabalho fora de casa". Eles também responderam sobre sentimentos em relação a diversos grupos sociais, preferências políticas e comportamentos de saúde, como uso de álcool e hábitos de exercício. Respostas foram comparadas com medidas de similaridade entre pares de estudantes.
Os estudantes também relataram o quão perto eles eram da outra pessoa, em uma escala de 1 a 7. Nas escolas de pequeno porte, a classificação média foi de 5,9. Nas escolas de grande porte, o valor foi de 5,2.
Isso pode não parecer grande coisa, mas "é realmente uma diferença notável", ressalta Crandall. No mínimo isso implica que, apesar das restrições impostas pela composição das suas escolhas sociais, as pessoas são muito boas em desenvolver relacionamentos fortes com aqueles que os rodeiam. De acordo com Crandall, a similaridade pode facilitar as coisas quando se encontra alguém, especialmente em um primeiro encontro, mas não é um requisito para uma amizade próxima.
Para se certificar de que os rankings de proximidade não refletiam uma diferença entre os tipos de amizades nas escolas grandes e pequenas, Angela e seus colegas levantaram uma série de outras variáveis, inclusive há quanto tempo os amigos se conheciam e quanto tempo passavam juntos. Eles não encontraram diferenças entre os grandes e pequenos grupos, sugerindo que as amizades eram relativamente semelhantes em ambos os lugares.
A única diferença que eles encontraram – e que Angela acredita que explica a diferença nos valores – foi a percepção dos alunos sobre a mobilidade, ou sobre quão fácil seria encontrar novos amigos.
"Em campi maiores as pessoas percebem que têm mais flexibilidade para trocar de amigos", diz Bahns. "Nas faculdades menores existem menos alternativas, e os alunos estão conscientes disso." Os estudantes podem investir mais em suas amizades se sabem que não encontrarão alguém novo ou se acham que seria difícil entrar e sair de relacionamentos com muita facilidade.
Embora mais de 85% dos pares de estudantes relataram ser apenas amigos uns dos outros, os resultados poderiam ter implicações profundas também para relacionamentos românticos, de acordo com Brett Pelham, psicólogo social da National Science Foundation.
"Será que os casais que se conheceram e mantiveram seus relacionamentos em grandes cidades serão tipicamente mais parecidos do que os que se encontraram em áreas rurais? Seria a média dos casais do Kansas mais diversificada que a dos casais de Nova Jersey?" Pelham acredita que o estudo levanta tanto perguntas provocativas como respostas.
Por exemplo, existem atitudes ou identidades determinadas para que as pessoas sejam muito menos flexíveis do que outras? "É difícil imaginar um homem gay se contentar com uma parceira romântica somente porque está em uma faculdade pequena", diz Pelham. "Por outro lado, ele poderia estar disposto a se contentar com outro cara que também seja gay em uma faculdade muito pequena... Mesmo que esse cara não vote, reze ou coma do jeito que ele faz."
De acordo com Angela, a importância dessas variáveis pode muito bem mudar de pessoa para pessoa, bem como entre as culturas. Para explorar essa questão, ela está agora pesquisando para além do Kansas e em três continentes. Há coleta de dados na Coréia do Sul, Gana e também em outros lugares dos Estados Unidos, considerando que diferentes paisagens sociais e atitudes culturais podem apresentar suas próprias restrições sobre como as pessoas escolhem seus amigos.
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