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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Coisas de mulher

Coisas de mulher Síndrome Pré-Menstrual e Transtorno Disfórico Pré-Menstrual ganham aqui uma Abordagem Conjunta da Psiquiatria e Psicologia Renata Demarque e Daniela do Carmo Bulk Pacheco A menstruação costuma chegar na vida da mulher entre 10 a 13 anos de idade e encerra-se em média aos 50 anos. Descontando um a dois anos sem menstruação, em quem tem 1 ou 2 filhos, é nítido que ela acompanha a mulher durante um longo período da sua vida e pode causar repercussões em seu dia a dia, recebendo atualmente maior destaque em discussões na área médica, da Psicologia e até forense. Algumas mulheres vivenciam todo o ciclo reprodutivo sem qualquer intercorrência, porém muitas apresentam sintomas emocionais e físicos relacionados ao ciclo menstrual. Apesar do questionamento sobre essas queixas serem resultantes da estressante vida moderna, Semonides (2600 a.C.) e Hipócrates (600 a.C.) já descreviam alterações de comportamento, ideias de morte e delírios resultantes da retenção do fluxo menstrual, mas foi em 1931 que Robert Frank denominou de "tensão pré-menstrual" o conjunto de sintomas que aparecem alguns dias antes da menstruação e desaparecem com a mesma1. Posteriormente, Katherine Dalton, em 1953, modificou o termo "tensão" por "síndrome", composta por múltiplas facetas físico-psíquicas e comportamentais2. Em 1987, denominaram transtorno disfórico da fase lútea tardia na edição revisada do III Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Psiquiátrica Americana, no qual a entidade aparece inclusa em "categorias propostas necessitando estudos adicionais", devido à grande polêmica entre grupos feministas que se embatiam, considerando, de um lado, o avanço via reconhecimento de sofrimentos gêneros específicos e, por outra parte, o receio da classificação desse transtorno como doença servir para discriminação feminina na sociedade, no trabalho e até nos seguros de saúde1. Em 1994, houve revisão e nova denominação no Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que passou a ser nomeado Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM), como um subtipo de transtorno afetivo. "Apesar de critérios diagnósticos definidos, na prática muitos apresentam dificuldade em diferenciar o TDPM da Síndrome Pré Menstrual (SPM)3". SPM x TDPM A SPM é caracterizada pelo conjunto de sintomas físicos (cefaleia, mastalgia, alterações de apetite, edema) e psíquicos (tristeza, irritabilidade e sintomas depressivos), inicia de 1 a 15 dias antes da menstruação e classifica-se segundo a intensidade dos sintomas em leve, moderada ou severa4. (veja quadro) O TDPM acomete geralmente mulheres entre 25 a 35 anos e se caracteriza pela recorrência cíclica, durante a fase lútea, de sintomas somáticos, comportamentais e de humor em primeira instância, sendo ansiedade, labilidade afetiva, sintomas depressivos, irritabilidade, distúrbios do apetite e do sono os mais frequentes3,5. Tais sintomas são tão severos que prejudicam o funcionamento social, ocupacional, escolar e familiar4. Além disso, estão relacionados diretamente às fases do ciclo pré-menstrual e podem durar, tipicamente, de cinco a quinze dias. Em geral, pioram com a proximidade da menstruação e cessam de forma imediata ou logo a seguir ao início do fluxo menstrual3,4,5. "É importante frisar que estes sintomas não devem ser apenas exacerbação de outra doença". Apesar de critérios diagnósticos definidos, na prática, muitos apresentam dificuldade em diferenciar o TDPM da Síndrome Pré-Menstrual Síndrome Pré-menstrual xTranstorno Disfórico Pré-Menstrual Prevalência: 75 a 80% Grande número de sintomas físicos Diagnóstico geralmente por ginecologistas Prevalência: 1.6 a 6.4% Sintomas de humor são os mais prevalentes e mais correlacionados com prejuízos no funcionamento social, profissional e familiar Sintomas de ansiedade, irritabilidade e labilidade do humor Diagnóstico geralmente por psiquiatras Diversas teorias já foram propostas para explicar a causa do TDPM, porém ainda não está totalmente esclarecida. A principal hipótese vigente é que algumas mulheres são mais sujeitas a alterações de humor no período pré-menstrual, por uma sensibilidade cerebral às flutuações hormonais presentes no ciclo menstrual feminino, ou seja, um mecanismo psiconeuroendócrino desencadeado pelo ciclo ovariano normal6. Essas mulheres, mesmo com níveis adequados dos hormônios gonadais, teriam maior propensão a alterações no sistema nervoso central, principalmente na via serotoninérgica, com as oscilações hormonais. Sabe-se que a Psicoterapia pode auxiliar essas mulheres a enfrentarem e lidarem com as disfunções nas esferas sociais, afetivas e ocupacionais que os sintomas do TDPM podem ocasionar. O equilíbrio psicológico da mulher depende do modo como ela encara sua feminilidade desde jovem. A primeira menstruação significa que a menina adquiriu sua maturidade biológica, que é mulher e está capacitada para ser mãe. O conhecimento e a aceitação da menstruação são de fundamental importância para a mulher, pois se trata de um fenômeno que irá acompanhá-la por grande parte de sua vida, podendo até interferir na sua menopausa. O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual acomete geralmente mulheres entre 25 a 35 anos e pode desencadear distúrbios do apetite e do sono Há vertentes da Psicanálise que entendem a menstruação como um óvulo não fencundado, podendo este ser interpretado como uma "falta psíquica" provocando comportamentos como choro e irritabilidade. Esta falta pode ser preenchida com o desejo de se ter um filho7. O tratamento psicoterápico pode auxiliar as mulheres a enfrentarem e lidarem com as disfunções psíquicas É importante frisar que os sintomas discutidos aqui não devem ser apenas exacerbação de outra doença A Terapia Cognitiva com o objetivo de identificar e modificar pensamentos, sentimentos e comportamentos disfuncionais para o indivíduo deve ser avaliada não só como um tipo de tratamento isolado, mas também como uma terapia complementar ao medicamentoso e à modificação do estilo de vida. Outros tratamentos que apresentaram alguma evidência são grupos de psicoeducação e suporte focados na percepção positiva da mulher sobre seus ciclos menstruais e técnicas de relaxamento2. O prejuízo da qualidade de vida trazido pelo TDPM justifica a importância de se fazer um diagnóstico correto, indicar um tratamento adequado e excluir outras patologias, tanto psiquiátricas quanto psicossomáticas, ginecológicas e endocrinológicas. Além disso, muitas vezes este diagnóstico tem sido utilizado até para justificar faltas ao trabalho, atos violentos e crimes passionais, merecendo uma avaliação minuciosa e cuidadosa caso a caso, de preferência, por uma equipe multidisciplinar. Renata Demarque é médica psiquiatra colaboradora do Pró-Mulher - Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP Daniela do Carmo Bulk Pacheco é psicóloga clínica especialista em Terapias Cognitivas e psicóloga colaboradora do Pró-Mulher - Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP REFERÊNCIAS 1 Valadares GC, Ferreira LV, Correa Filho H, Romano-Siva MA. Transtorno disfórico prémenstrual revisão - conceito, história, epidemiologia e etiologia. Rev. Psiq. Clín. 33 (3); 117-123, 2006. 2 Teng CT, Vieira Filho AHG, Artes R, Gorenstein C, Andrade LH, Wang YP. Premenstrual dysphoric symptoms amongst Brazilian college students: factor struture and methodological appraisal. Eur Arch Psychiatry Clin Neurosci 255:51 - 56, 2005. 3 Carvalho VCP, Cantilino A, Carreiro NMP, Sá LF, Sougey EB. Repercussões do transtorno disfórico pré-menstrual entre universitárias. Rev. Psiquiatr RS 31 (2): 105-111, 2009. 4 Vigod SN, Frey BN, Soares CN, Steiner M. Approach to premenstrual dysphoria for the mental health practitioner. Psychiatr Clin North Am. Jun;33(2):257-72, 2010. 5 Pearlstein T, Steiner M. Premenstrual dysphoric disorder: burden of illness and treatment update. J Psychiatry Neurosci. 33(4): 291-301, 2008. 6 Inoue Y, Terao T, Iwata N, Okamoto K, Kojima H, Okamoto T, et al. Fluctuating serotonergic function in premenstrual dysphoric disorder and premenstrual syndrome: findings from neuroendocrine challenge tests. Psychopharmacology (Berl);190:213-9, 2007. 7 Figueiredo LM, Cavalcante M, Moreira JO - Análises Psicológicas de Mulheres que sofrem de Tensão pré-mentrual - Pesq. Med. Fortaleza . V.1.n.3 p.3-17, jul/set. 1998

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