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quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Em busca da verdade
Em busca da verdade
Dados indicam um relevante aumento de denúncias de abuso sexual em crianças menores de 12 anos no período de 10 anos. Quantas serão fatos reais?
Andreia Calçada
A criança que não foi abusada desconhece conteúdo sexual, mas pode ser influenciada por um adulto, até com perguntas sobre se o ato ocorreu ou não
Segundo um levantamento da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, o número de crianças vitimadas de abuso sexual triplicou em 10 anos. O Hospital Pérola Byington de São Paulo, que é referência em atendimentos do tipo na capital paulistana e na grande São Paulo, atendeu em 2001 um total 352 casos de menores de 12 anos que teriam sofrido esse tipo de violência, já em 2011, esse número subiu para 1.088. Em entrevista à imprensa, Je fferson Drezett, médico e coordenador do Núcleo de Violência Sexual do hospital, disse que a diferença estatística referente a vítimas é decorrente da melhora nas políticas públicas relacionadas ao assunto. "Atualmente é dada muito mais importância aos casos de abuso sexual na infância do que anos atrás. Familiares, pro fissionais de saúde e de educação estão, ao que parece, mais conscientes sobre os sinais apresentados por um jovem que passou por isso. As pessoas estão aprendendo, cada vez mais, a identi ficar e noti ficar esses casos", a firma Dreze tt.
Quando não é fato
Essas ponderações são completamente pertinentes, entretanto deve-se atentar para outro fator. São relativamente frequentes as falsas denúncias de abusos sexuais em crianças de pais separados, e vários casos têm sido registrados recentemente no Brasil. Desta forma, um dos genitores formaliza a denúncia em uma delegacia. O delegado então solicita o encaminhamento da criança para exame de corpo de delito e avaliação por psicólogos. Em São Paulo, por exemplo, o Hospital Pérola Byington realiza tal atendimento. Muitos psicólogos distribuídos pelo nosso país usam como recurso para avaliar tais casos o depoimento da criança. A criança então confirma tais abusos. Assim, o psicólogo alega que o discurso da criança contém componentes sexualizados e deduz que o abuso é verdadeiro. Porém, a avaliação de um caso de abuso sexual não pode ser tão simples. Obviamente, uma criança que nunca foi abusada desconhece detalhes relacionados a atos sexuais, no entanto, ela pode aprender perfeitamente sobre sexo a partir da interação com um adulto, sem ter vivenciado o ato. Os avaliadores deveriam necessariamente analisar todos envolvidos, entender o contexto da história, investigar o histórico da criança e os traços psicológicos dos pais. E não basta somente isso, é necessário conhecer profundamente os reais indicadores de uma acusação falsa e verdadeira. Existem informações equivocadas em material de divulgação sobre o assunto no Brasil, e fontes precisas e embasadas cienti ficamente devem obrigatoriamente ser consultadas para reconhecer os reais indicativos. É necessária extrema cautela! Enfim, é uma tarefa árdua e difícil, mas imprescindível para se fazer uma avaliação correta.
Os avaliadores deveriam necessariamente analisar todos envolvidos. O diagnóstico de abuso sexual não pode apenas se basear no relato da criança!
Despreparo profissional
Infelizmente, boa parte de nossos pro fissionais está completamente despreparada para avaliar casos como esses, que podem ser extremamente complexos. Uma avaliação equivocada pode levar a um grave erro de interpretação que afetará para sempre, e de modo devastador, a vida do menor e também do genitor acusado. A falsa denúncia ocorre, mormente, como forma de vingança de um dos genitores. A revolta de uma traição conjugal, a frustração da separação, a insatisfação de ver o sucesso do ex-cônjuge e a disputa por pensão alimentícia são fatores que podem desencadear a fúria de um dos genitores em relação ao ex-companheiro. A acusação de abuso sexual é uma forma efetiva com respaldo da justiça para manter afastado o genitor de seu filho.
Sequelas da mentira
O abuso sexual infantil real ocorre em todas as classes sociais, sendo devastador à vida da criança e, sem dúvida, é uma violência que deve ser combatida. Infelizmente, parte desses abusos ocorre dentro dos lares, muitas vezes pelo próprio genitor. Temos que incentivar as denúncias, não há dúvida! Por outro lado, temos que nos preparar aprimorando de forma efetiva a formação dos pro fissionais para que uma falsa denúncia não se transforme em "verdadeira". A formação efetiva de tal pro fissional pode evitar que crianças que jamais sofreram qualquer tipo de abuso tenham suas vidas devastadas, uma vez que as sequelas psicológicas de uma criança envolvida nesse tipo de jogo podem ser tão graves quanto as sofridas por vítimas de um abuso real. A criança vítima de falsa acusação de abuso sexual, na maioria dos casos, passa a acreditar que foi realmente abusada! A falsa alegação de abuso sexual é uma das "armas" utilizadas no processo de Alienação Parental, que pode redundar no rompimento dos laços parentais e causar um dano psíquico irreparável. As consequências da Alienação Parental, com ou sem falsas acusações, são devastadoras à vida da criança e incluem dificuldades de relacionamento, transtornos de identidade, desorganização mental, depressão crônica e até mesmo o suicídio. Ou seja, uma criança que sofreu alienação pode efetivamente tentar retirar sua própria vida mais tarde, e isso não é uma hipótese, mas sim um fato! No caso de falsas acusações, contabiliza-se a vida de seu genitor, inocente, que pode ser transformado pela sociedade em "um monstro". Nestes casos ainda, a criança, como acredita que realmente foi abusada, desenvolve problemas graves na área sexual, de relacionamento, e psiquiátrico como se abusada fosse
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