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sábado, 20 de outubro de 2012

Tique nervoso é muito mais que um cacoete

Tique nervoso é muito mais que um cacoete Ainda não se descobriu um remédio que acabe definitivamente com os sintomas dos cacoetes. Mas existe a possibilidade de, por meio de tratamento, se reduzir essa sintomatologia Marta Relvas O tique nervoso, vulgarmente chamado de cacoete, pode ser uma síndrome conhecida como Gille de la Tourett e ou até mesmo ser confundido com um Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), pois é comportamento sistemático e involuntário que faz parte do cotidiano para quem sofre com esse problema. As causas podem ser múltiplas, como transtorno neurobiológico, neuroquímico, neuropsicológico, afetivo e emocional, ou seja, um transtorno neurocomportamental, pois apresenta uma disfunção neurológica-neuroquímica que reproduz um comportamento repetitivo. O cacoete, geralmente, surge na infância, até os sete anos, e pode regredir com o amadurecimento. A tendência dos pais é reprimir os tiques, atitude que provoca mais tensão na criança e que não é indicada por especialistas. A família deve procurar ajuda profissional. Ainda não se descobriu um remédio que acabe definitivamente com os sintomas. Mas existe a possibilidade de, por meio de tratamento, reduzir a sintomatologia. Os tiques podem ser classificados em vocais e motores e variam entre simples e complexos. São eles: vocal simples (pigarros, estalar de língua, grunhidos e outros ruídos); vocal complexo (expresso por palavras fora do contexto ou palavras de baixo calão, denominado coprolalia); motores simples (piscar os olhos, repuxar a cabeça, fazer caretas) e motores complexos (pular, tocar pessoas e coisas, cheirar coisas e fazer gestos obscenos, denominado copropaxia). PARA SABER MAIS Sinais e sintomas Vontade incontrolável de fazer movimentos ou sons repetitivos. Piscar os olhos repetidamente. Morder os lábios constantemente. Roer as unhas. Sempre começar ou terminar uma frase com a mesma palavra. Fazer grunhidos compulsivamente. Mexer nos cabelos sem parar. Para quem usa gravata: viver esticando o pescoço como se ela o estivesse enforcando. Coçar ou puxar o nariz, como se a coriza fosse escorregar. Arrumar o cinto a toda hora. Muitas das pessoas que apresentam tiques nervosos têm sintomas de doenças associadas, tais como transtorno obsessivo-compulsivo; transtorno do déficit de atenção; e distúrbios do sono, entre outros Doenças psíquicas associadas Muitas pessoas têm sintomas de doenças associadas (comorbidades), tais como: transtorno obsessivo-compulsivo; transtorno do déficit de atenção; desenvolvimento de distúrbios de aprendizagem; problemas com controle de impulsos; e distúrbios do sono. Importante saber que para ser considerada síndrome de Tourett e é preciso que coexistam os tiques vocal e motor, que eles não desapareçam em um ano e constem de um histórico natural de evolução dos tiques desde a infância. Por exemplo: se uma criança que tem esse transtorno/síndrome estiver ansiosa por algum motivo na escola, a ansiedade modulará a intensidade dos tiques, aumentando o grau e a intensidade dos movimentos involuntários. ● Interferência emocional ● Cacoetes são manifestações involuntárias, que podem ser motoras, sonoras ou de linguagem, e que acabam trazendo determinados desconfortos sociais para quem os possui e para o outro que percebe e convive. Muitas vezes, os chamados cacoetes tornam- -se motivo de chacotas na vida social. Pessoas portadoras desses sinais podem apresentar comportamentos mais introspectivos devido ao seu problema. É preciso destacar que um tique que começou após um traumatismo ou AVC não pode ser considerado Tourett e. Vale lembrar que o tique não é fixo e pode mudar com o tempo, começando com um piscar de olhos e se transformando em um movimento com a cabeça. A síndrome também tem intensidades variadas e funciona em ciclos, por isso acontece de um cacoete não se manifestar por um curto período de tempo. O cacoete, geralmente, surge na infância, até os sete anos, e pode regredir com o amadurecimento Para um tratamento adequado, o ideal é contar com psiquiatra, neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo e neuropsicopedagogo, pois a visão multiprofissional com interesse nesses comportamentos pode ajudar a modular a ansiedade dessa criança. A família e a escola juntas devem realizar um trabalho sobre os sintomas da síndrome logo que a criança manifestar tais sinais, que na grande maioria das vezes começam na infância e na vida escolar. A princípio, o cacoete se manifesta como um hábito aparentemente normal, depois torna-se constante e repetitivo. Alguns pais ou educadores acreditam que muitas vezes esses sinais passam com o tempo - o que pode ser considerado uma inverdade, pois isso pode esconder sintomas que precisam ser acompanhados. Por isso é fundamental reconhecer que quanto mais cedo se identifica, melhor ajuda se dará à criança. É importante que a criança tenha consciência, pois isso ajuda a dar conta do que acontece com ela. Uma coisa é certa: quanto mais reforçada a baixa autoestima relacionada a esse problema, mais ansiosa a criança pode ficar, então a intensidade dos tiques pode piorar Síndrome de Gille de la Tourette A síndrome de Tourett e é uma perturbação hereditária que apresenta uma prevalência três vezes maior nos homens do que nas mulheres. Desconhece-se a sua causa, mas julga-se que seja consequência de uma anomalia da dopamina ou de outros neurotransmissores cerebrais (substâncias utilizadas pelos neurônios para se comunicarem entre si). Situações que aumentam a ansiedade podem fazer com que uma criança que tenha esse transtorno/síndrome aumente a intensidade dos tiques na escola, piorando o grau dos movimentos involuntários Em 80% dos casos é hereditária. Está relacionada a alterações no grupo de genes que também causam o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), hiperatividade e déficit de atenção, geralmente há histórico de algum desses transtornos na família. É preciso destacar que um tique que começou após um traumatismo ou AVC não pode ser considerado Tourette Na síndrome de Gille de Tourett e, o indivíduo realiza movimentos involuntários, sejam vocais ou motores. Não é possível confundir a síndrome com o TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), pois o indivíduo com TOC faz uma coisa para aliviar o peso de outra. A pessoa imagina, assim, que se não lavar as mãos será responsável pela morte de alguém. Esse pensamento obsessivo gera a compulsão de se limpar para evitar o pior. Quando a pessoa exacerba um comportamento, ou esse tem impacto no cotidiano, caracteriza-se como TOC: há relatos de pessoas que não conseguem sair de casa. Geralmente o TOC está relacionado ao pensamento intrusivo, repetitivo, negativo. O tratamento para o TOC pode ser com remédios antidepressivos ou por meio de terapia cognitivo-comportamental e medicamentos, seguindo critérios médicos por causa dos efeitos colaterais, e, na terapia sugerida, o paciente é colocado frente a sua compulsão, a fim de superá-la. Caso a pessoa tenha TOC e síndrome de Tourett e, é importante tratar os dois, mas são necessários protocolos médicos para usar os remédios. O tratamento para todas as síndromes não é curativo, mas, sim, paliativo. Existe uma hipótese de que a síndrome de Tourett e realmente decorra de um funcionamento alterado do globo pálido lateral, um agrupamento de corpos neuronais pertencente ao sistema dos gânglios basais, estrutura responsável pelo disparo, supervisão e finalização das ordens motoras no cérebro, porém as pesquisas precisam ainda comprovar essa hipótese. PARA SABER MAIS Como controlar Considerados de fundo emocional, os cacoetes também podem advir deacidente vascular cerebral, traumatismo craniano ou, ainda, de causa neurobiológica, e trazem um profundo grau de ansiedade a quem os tem. O tratamento consiste na identificação dos gatilhos, hábitos e vícios que desencadeiam os sinais e sintomas (queixas e observações) e têm como finalidade oferecer pistas para um acompanhamento terapêutico, com a intenção de minimizar conflitos intrínsecos, extrínsecos e sociais que impliquem na qualidade de vida do indivíduo. Outras dicas podem contribuir para isso: ● Prestar atenção nos seus movimentos, para que ele deixe de passar despercebido. ● Quando se perceber fazendo o cacoete: parar na hora. ● Quando a pessoa domina a vontade, o cacoete deixa de ser involuntário. E assim, aos poucos vai realizando uma nova programação para o cérebro. Não é fácil, mas é possível! Estruturas cerebrais A família e a escola juntas devem reconhecer que quanto mais cedo se identificam os sintomas de tiques nervosos, melhor ajuda será oferecida à criança que, consciente, saberá o que acontece com ela. Estudos com ressonância magnética cerebral mostram que portadores da síndrome apresentam alterações em algumas estruturas cerebrais conhecidas como gânglios da base e corpo caloso. Tomografias de maior precisão, que funcionam à base da emissão de partículas, pósitrons e fótons, revelaram que as pessoas, em geral, apresentam menor atividade em algumas regiões do cérebro, chamadas córtex frontal e temporal, cingulado, estriado e tálamo. A visão multiprofissional com interesse nesses comportamentos pode ajudar a modular a ansiedade da criança com tique nervoso O primeiro caso da síndrome de Tourett e apontado pela literatura médica data de 1825. É uma descrição do quadro clínico da Marquesa de Dampierre. Ela apresentava muitos tiques involuntários simples, afetando diversas partes do corpo e também imitava frases ditas pelos outros (ecolalia) e repetia gestos obscenos (coprolalia), que são tiques complexos. A marquesa viveu até os 86 anos e teve seu quadro estudado pelo neurologista francês Gilles de la Tourett e, que deu nome à síndrome. ● Tipos de cacoete ● Há os transtornos de tiques transitórios, que são mais frequentes na infância e depois desaparecem. Há ainda os transtornos de tiques crônicos, que são pessoas que têm apenas um tipo de cacoete motor ou vocal, durante mais de um ano. E existe a síndrome de Gille de la Tourette, que são múltiplos tiques motores e vocais que não desaparecem. Vida pessoal e escolar A punição afeta a autoconfiança e aumenta a ansiedade do estudante. Um trabalho de orientação na escola contribui para a conscientização do problema e a família deve acompanhar o tratamento. Os sintomas geralmente desaparecem durante o sono e durante atividades que exijam concentração. São, ao contrário, exacerbados pelo estresse, fadiga, ansiedade e excitação e podem ser suprimidos pela vontade, mas ao custo de elevada tensão emocional. As energias e os esforços dispendidos pela criança e adolescente para suprimir ou controlar seus tiques podem prejudicar sua capacidade de concentração. Geralmente afetam habilidades relacionadas com a escrita, a leitura (ortografia), a resolução de problemas, a matemática e a manipulação de equipamentos, entre outras áreas de aprendizagem. Os estudantes apresentam problemas de integração viso-motora que dificultam a execução de tarefas escritas, transferência do que está na lousa ou até no livro para o caderno. Pode parecer que o aluno é preguiçoso, mas o esforço que ele faz para colocar no papel é massacrante. Se os sintomas afetarem ou interferirem excessivamente nos processos de escrita, concentração, da recuperação de informação e nos mecanismos de expressão, os critérios de teste devem ser adaptados, e deve-se permitir ao aluno executá- lo, sem a pressão do tempo, fora da sala de aula regular ou oralmente. Se necessário, autorizar a saída da sala de aula em situações estressantes e considerar reduzir a quantidade de trabalho a ser feito em sala de aula ou em casa, alternando as questões. Essas medidas ajudam a aliviar o estresse a que são muito vulneráveis os alunos com síndrome de Tourette O cacoete se manifesta como um hábito aparentemente normal, depois torna-se constante e repetitivo A pessoa com TOC imagina que se não limpar a casa será responsável pela morte de alguém. Geralmente o TOC está relacionado ao pensamento intrusivo, repetitivo, negativo Empatia e compreensão dos professores não só ajudam a evitar brigas, provocações, isolamento, humilhação, punição injusta e desnecessária de alunos com síndrome de Tourette como também ajudam a reduzir as emoções negativas associadas com o sentimento de fracasso, medo e ansiedade em situações escolares. Essas emoções podem atuar como gatilhos de tiques e, em alguns casos, o aparecimento ou agravamento de situações de evasão escolar, fobia escolar, e doenças psicossomáticas. A escola deve permitir ao aluno com síndrome de Tourette o uso de computador e gravador durante as aulas para ajudar no problema de coordenação motora ou déficit de atenção. Essas medidas podem ser uma alternativa viável, pois se o aluno não acompanhar a turma isso pode gerar ansiedade. Também há que solicitar ao aluno que se sente na frente, perto do professor. PARA SABER MAIS Transtornos associados à síndrome de Tourette 1% da população mundial apresenta síndrome de Tourette (ST) 4% a 6% têm tiques crônicos (TC) Está associada à hiperatividade e déficit de atenção em 50% a 80% dos casos (TDAH) TOC acompanha em 60% dos pacientes (TOC) Aprendizagens diversificadas A família e o apoio neuropsicopedagógico da escola precisam estar sempre informados sobre o conteúdo que será estudado com antecedência, para que estratégicas de aprendizagem diversificadas possam ser elaboradas. No momento das avaliações, as letras deverão ser maiores e bem espaçadas para facilitar a compreensão da leitura. Quando necessário, o aluno pode também terminar a avaliação num outro momento, junto à coordenação da escola. Na hora da correção, o professor deve aproveitar tudo o que o aluno conseguir produzir e até pontuar mais as questões que ele acertar. O exercício físico é muito importante para aliviar o estresse e desenvolver habilidades psicomotoras. O tratamento é feito com medicamento e psicoterapia. O uso local de Botox ou a proteína botulínica ajuda a relaxar tiques simples. Referências Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Silva, Ana Beatriz B. Mentes e manias. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2011. Relvas, Marta P. Neurociência e os transtornos da aprendizagem. Rio de Janeiro; Editora WAK. Marta Relvas é neurobióloga, professora de Neuroanatomia Cognitiva e Educação na Faculdade Integrada AVM, psicopedagoga, psicanalista. Pesquisadora na área de Biologia Cognitiva. Autora do livro Neurociência e as práticas pedagógicas (editora Wak).

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