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sábado, 17 de agosto de 2013
Crianças autistas têm melhor desempenho em matemática do que as outras
Crianças autistas têm melhor desempenho em matemática do que as outras
Conclusão é de estudo que comparou crianças com e sem o transtorno que tinham um QI dentro da média
Na Grã-Bretanha, terra natal da pesquisa, acredita-se que 2% das crianças tenham o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
Bons alunos: Crianças autistas com um QI dentro da média se saem melhor em matemática do que crianças sem o transtorno, diz estudo
O autismo é um termo geral que diz respeito a qualquer categoria dentro dos transtornos do espectro autista — ou seja, pessoas com o distúrbio apresentam características muito diferentes entre si. Em termos de cognição, há autistas com extrema dificuldade em desenvolver a fala e as habilidades acadêmicas, ao mesmo tempo em que existem indivíduos com o transtorno que são extremamente inteligentes e até geniais.
Um novo estudo feito na Faculdade de Medicina da Universidade Stanford, Estados Unidos, observou que crianças autistas com um QI dentro da média geral — e que, portanto, não se enquadram em nenhum dos extremo descritos acima — têm um melhor desempenho em resolver problemas matemáticos do que crianças sem o transtorno. Para os pesquisadores, isso pode ser explicado pela forma única em que o cérebro de pessoas com autismo é organizado. Ou seja, em pessoas com o transtorno existe uma maior atividade em áreas cerebrais que favorecem essa habilidade. O trabalho será publicado neste final de semana no periódico Biological Psychiatry.
Se, por um lado, crianças autistas apresentam problemas de interação social, como interpretar a expressão do rosto de uma pessoa, essa pesquisa mostrou que podem existir habilidades que são favorecidas pelo transtorno, como a capacidade de resolver questões matemáticas. "Ser capaz de resolver uma questão numérica e ter um bom desempenho em matemática pode fazer uma grande diferença na vida de uma criança autista", diz Vinod Menon, professor de psiquiatria da universidade e coordenador do estudo.
A pesquisa foi feita com 36 crianças de 7 a 12 anos – metade delas tinha autismo e todas apresentavam um QI dentro da média. Ao realizarem testes acadêmicos, todos os participantes apresentaram desempenho normal em ler e escrever. Porém, o desempenho médio das crianças autistas no teste de matemática foi superior ao das que não tinham o transtorno.
O uso de antidepressivos durante a gravidez pode dobrar o risco do filho desenvolver autismo. Essa é a conclusão de um estudo realizado na Califórnia e publicado no periódico Archives of General Psychiatry em novembro de 2011, que envolveu 298 crianças com distúrbios do espectro do autismo (ASD, na sigla em inglês) e 1.507 crianças no grupo de controle. O uso de tais medicamentos foi relatado por 6,7% das mães de crianças autistas, contra 3,3% das mães no grupo de controle. Essa relação é considerada mais forte caso os medicamentos sejam utilizados no primeiro trimestre da gravidez.
Estratégia — Os pesquisadores, então, resolveram entrevistar as crianças depois dos testes para saber quais estratégias elas tinham usado para resolver as questões de matemática. Nesse método elas podiam fazer contas numéricas com a ajuda dos dedos ou de cabeça; simplesmente se lembrar dos resultados de uma questão já vista antes; ou então fragmentar a questão em mais de uma conta, método conhecido como decomposição e considerado sofisticado para a faixa etária. Os autores descobriram que crianças autistas eram mais propensas do que as outras a resolver questões matemáticas de forma mais analítica, usando a decomposição.
Enquanto as crianças que participaram do estudo respondiam aos testes de matemática, uma máquina de ressonância magnética monitorou a atividade cerebral delas. Os exames revelaram que crianças autistas apresentam um padrão acima do normal de atividade em uma determinada região cerebral responsável por processar a imagem de objeto ou do rosto de outras pessoas.
Os responsáveis pela pesquisa acreditam que é esse padrão de atividade incomum o responsável pela maior habilidade de crianças autistas em resolver problemas matemáticos. "Nosso estudo apoia a ideia de que o desenvolvimento cerebral atípico no autismo pode levar não somente a déficits, mas também a habilidades cognitivas notáveis. Acreditamos que isso possa ser reconfortante para os pais de crianças com o transtorno", diz Menon.
O pesquisador lembra, porém, que nem todas as crianças autistas têm um desempenho superior em matemática. A equipe está, agora, coletando dados de um grupo maior de crianças com e sem autismo para entender melhor as diferenças na habilidade matemática entre elas.
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