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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Contar sua história de vida e ouvir a do outro te fortalece

Contar sua história de vida e ouvir a do outro te fortalece Cristina Balieiro "Escutar outra pessoa com arte nos amplia, enriquece, alarga, instrui, diversifica, matiza, ilumina e num aparente paradoxo, nos traz para mais perto de nós mesmos" Ver nossa própria história de vida utilizando essas dimensões - vocação, alma, destino - que o grande psicólogo James Hillman sugere, pode dar a nós mesmos outra identidade, outro sentido. Reinterpretando nossa vida, podemos rearranjar acontecimentos, dando a eles novos significados. Ao “nos contar”, especialmente para nós mesmos, precisamos juntar a nossa história familiar passada, nossa origem; a nossa gama de experiências pessoais e a compreensão e transformação que obtivemos a partir delas e o nosso projetar no futuro; a busca incessante daquilo que fala à nossa alma. E tudo junto, ao mesmo tempo. Uma nova dimensão simbólica pode surgir e o que foi vivido adquire um novo patamar de compreensão. É ao conseguir ver nossa biografia dentro de uma dimensão ao mesmo tempo histórica e mítica é que damos a ela a honra que ela merece! Isso, é claro, desde, tenhamos tido a coragem de seguir o que nossa alma pediu e nos tornamos nós mesmos e não um ser amorfo e coletivo - veja textos anteriores. É por isso também que ouvir a história de vida de alguém que foi fiel a si mesma é algo que nos traz alento, coragem, estímulo para construirmos a nossa própria história. Escutar outra pessoa com arte nos amplia, enriquece, alarga, instrui, diversifica, matiza, ilumina e num aparente paradoxo, nos traz para mais perto de nós mesmos. Precisamos abrir espaço em nossas vidas tão cheias de afazeres e pobre de sentido para essa escuta curadora. Escutar uma história de vida, contada por quem a está vivendo é uma benção para os dois lados. Para quem conta é a oportunidade de ver os acontecimentos sob outra perspectiva e dar outro significado, mais amplo, mais generoso, mais completo. Para quem escuta é a oportunidade de, através das experiências do outro, poder ampliar a visão das possíveis experiências a serem vividas, além de ser um momento em que podemos nos maravilhar com a “construção” de uma individualidade! Recontar a vida pode trazer à biografia a estética e a grandeza que uma vida bem vivida sempre possui. A história de uma vida vivida com plenitude, com tudo de luminoso e sombrio que contém, é uma entidade viva que pode nos ajudar a viver. Por isso, contar e ouvir histórias é remédio, é cura! É um compartilhar que nos fortalece e nos humaniza.

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