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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Seu círculo social está menor Veja dicas para conquistar e manter amizade
Seu círculo social está menor? Veja dicas para conquistar e manter amizade
Rosana Faria de Freitas
Pesquisas mostram que pessoas que acreditam e contam com amigos têm mais chance de viver melhor, pois desenvolvem esperança, primordial para o enfrentamento das adversidades
Hoje, quase todas as pessoas têm um computador e, por meio dele, estão presentes nas redes sociais. Criam seus perfis, não economizam nas fotos e informações e convidam os amigos para compartilhá-las. Não é raro encontrar alguém com centenas de seguidores. Porém, isso pode ser chamado de amizade?
Há que se considerar, ainda, que essa mesma modernidade que permite esta troca tão rápida de informações, ironicamente não facilita o cultivo de amizades. Isso porque as pessoas trabalham muitas horas e acumulam cada vez mais funções e responsabilidades, o que lhes rouba a disposição para sociabilizar. Ou seja, é a desculpa de sempre: não tenho tempo!
A idade também conta: se na juventude havia disponibilidade para a turma, na vida adulta as prioridades mudam. Em vez da mesa cheia no bar, investe-se nos jantares a dois; as viagens com a rapaziada são substituídas pelos passeios com os filhos.
Aliás, por falar neles, vale ressaltar que o exemplo dos pais conta bastante. “As crianças se espelham no modelo familiar, no qual os pais têm amigos. O que vemos em casa, e acontece de forma positiva, gera frutos. É bem possível que elas queiram ser como seus progenitores: pessoas solicitadas, que recebem amigos e são convidadas”, ressalta Dorli Kamkhagi, doutora em Psicologia Clínica e psicanalista, coordenadora dos Grupos de Maturidade no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
A psicanalista acrescenta que, do ponto de vista terapêutico, a saúde emocional está diretamente ligada à capacidade de criar vínculos: “Eles nos ajudam nos processos de aprendizagem e transformação. Pesquisas mostram que pessoas que acreditam e contam com amigos têm mais chance de viver melhor, pois desenvolvem esperança, primordial para o enfrentamento das adversidades.”
O ser humano precisa do outro
A pergunta que não quer calar: é possível viver sozinho? Segundo a psicanalista, não, pois o ser humano, para se desenvolver, precisa fazer parte de um grupo social, ser inserido em um ou vários meios. “Nós crescemos nas trocas, nos encontros, nas aprendizagens que os processos de amizade nos ensinam. Podemos ter filhos, casamentos, um bom trabalho, porém a experiência de conquistar amigos é única e muito importante.”
Cristina Pertusi concorda. “O homem necessita do outro para existir e confirmar sua identidade. As relações de amizade fazem parte da sociabilização e alimentam a autoestima – na medida em que, para ser querido por alguém, mostro o meu valor.”
Dorli Kamkhagi duvida que uma pessoa, espontaneamente, opte por não ter amigos. Ela acredita que, no fundo, há a dificuldade de trocar, aceitar ajuda e dividir. “Às vezes, sofreram uma profunda decepção, o que as faz se sentirem frustradas e desamparadas.”
A opção pela solidão, pelo isolamento, pela vida de ermitão, não é algo que a terapeuta considere saudável. “Vejo como uma defesa. A fala ‘não preciso de amigos’ provavelmente esconde um medo profundo de ser rejeitado. Ou a impossibilidade de tolerar frustrações.”
Pertusi completa dizendo que é preciso analisar os motivos do isolamento: se, por exemplo, têm relação com fatores espirituais ou se trata de uma característica de personalidade. “Neste último caso, tal atributo pode se intensificar com o decorrer da vida e das circunstâncias e até trazer satisfação, ao contrário da solidão que ocorre por introspecção ou depressão.”
Emoção rima como sociabilização
É inegável: essa ‘habilidade’ social acaba nos obrigando a aprimorar muitas outras, abrindo o caminho para nos tornarmos seres humanos melhores. Afinal, para ter amigos, você tem que olhar para seu semelhante, aprender a trocar, exercitar sua lealdade e generosidade, compreender que cada um tem suas características e particularidades, aceitar a opinião alheia, ceder em seus desejos e suas vontades, acreditar que o outro pode completá-lo e abrir novas possibilidades em sua vida. “No fundo, representa um fator de crescimento”, diz a psicanalista.
De uma maneira geral, quem é “emocional” tende a se relacionar mais, pois tem essa necessidade. “São sociáveis porque gostam de estar com outras pessoas, se importam com seu ambiente, investem tempo e abastecem seu cotidiano por meio das trocas que estabelecem nos relacionamentos”, destaca Cristiane Moraes Pertusi, doutora em Psicologia do Desenvolvimento pela USP, especializada em psicoterapia e aconselhamento de carreira/coaching.
No outro extremo, estão os “racionais” que, por serem mais objetivos, possuem amigos, mas nem sempre sentem a urgência de estar rodeados por eles o tempo todo. “Eles precisam de espaço, privacidade, momentos de introspecção.”
Agora, considerando pessoas que não conseguem ter amigos, é bem provável que, por trás disso, haja dificuldade de estabelecer e criar vínculos afetivos. “Não ter desenvolvido laços com os pais, por exemplo, gera uma desconfiança muito grande que, se não for trabalhada num processo terapêutico, pode levar a um isolamento afetivo e emocional. Seria preciso recuperar a autoconfiança”, salienta Dorli Kamkhagi.
Crianças e adolescentes que vivenciaram experiências ruins nos primeiros anos de escola igualmente podem levar tais lembranças de dor e rejeição para os relacionamentos futuros. “Não são raros os casos de fobias sociais ou medo extremo de se expor". Acompanhe, abaixo, algumas dicas para conquistar e manter suas amizades.
SE VOCÊ QUER FAZER OU MANTER AMIZADES
Busque enxergar as pessoas e as situações em seus pontos positivos e negativos. Assim, terá um olhar mais completo e realista. “E será tolerante caso nem tudo saia exatamente como imaginou”, diz a psicóloga Cristina Pertusi
Seja generoso. Os bons amigos escutam, encontram um espaço para se dedicar aos outros, sem perderem a individualidade
Mostre ao outro como ele é importante. “A amizade deve ser cultivada com manifestações verbais e não verbais de apreço. Vale demonstrar afeição, cordialidade, benevolência e confiança”, sugere Pertusi
Aprenda a dizer não. “Se existe amizade, mais do que nunca você precisa ser sincero e se relacionar com verdade”, diz a psicanalista Dorli Kamkhagi
Respeite o tempo e o espaço do outro. “Um dos fatores que mais estraga uma amizade é a falta desta consciência. Não se pode exigir tudo”, diz a psicanalista
Aceite que você não é o centro do universo. E entenda que seu amigo gosta também de outros amigos. Caso contrário, vira uma relação de posse, não afetiva e não saudável
Esteja disponível nos momentos importantes. Os bons amigos estão por perto para apoiar nas horas difíceis e dolorosas, da mesma forma que vibram com os sucessos e as alegrias
Desenvolva uma relação equilibrada. A amizade pode ser mais harmoniosa ou competitiva, possessiva ou submissa. “E isso está ligado a aspectos de personalidade e às vivências desde a infância”, diz Cristina PertusiDesenvolva uma relação equilibrada. A amizade pode ser mais harmoniosa ou competitiva, possessiva ou submissa. “E isso está ligado a aspectos de personalidade e às vivências desde a infância”, diz Cristina Pertusi
Cultive o hábito de conversar, com regularidade e frequência, com pessoas que você estima. “Assim, vai investindo em seu lado relacional”, observa a psicóloga
Reserve pelo menos três horas semanais para trocar ideias com um ou mais amigos. Troquem opiniões sobre os temas gerais do dia a dia, e verá como ampliará sua visão da vida
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