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sábado, 28 de abril de 2012
Além do divâ
Além do DIVÃ
A Psicologia Hospitalar, caracterizada pelo trabalho em equipes multi e interdisciplinares, é desafio para os profissionais atuarem na minimização do sofrimento causado pela hospitalização e em suas seqüelas emocionais
Por Kátia Regina Beal Rodrigues
Medicina, a Psiquiatria e a Psicologia têm se desenvolvido de forma independente dentro do contexto hospitalar e o atendimento acabou tornando- se setorizado. A Psicologia, por sua inserção tardia neste âmbito, acabou por ter sua prática posta em segundo plano. A doença mental ficou com um status secundário à doença física.
Apesar do avanço das especialidades médicas, a demanda por uma visão integradora do processo de adoecer é crescente, uma vez que a doença mental é cada vez mais comum.
Existe, atualmente, a necessidade de um esquema teórico-conceitual que explique as interações entre os fenômenos biológicos, psicológicos e sociais, e que leve a uma prática integradora das diversas áreas da saúde.
A vida, a doença e até mesmo a morte constituem- se como aspectos que devem ser considerados de forma multidisciplinar e precisam ser estruturados e tratados por diferentes profissionais: médicos, psicólogos, enfermeiros, entre outros profissionais de saúde, por esta razão discutimos a importância do psicólogo no hospital. A doença e a morte, na visão psicológica só podem ser entendidas numa perspectiva dialética, já que não podem ser consideradas como estados. A saúde implica a doença, bem como esta implica aquela. A morte, então, também numa perspectiva dialética, coexiste com a vida, logo, coexiste com a doença.
Numa visão mecanicista e cartesiana, há a crença de que a técnica e a ciência conseguiriam compreender todos os males, inclusive da morte. A Medicina, como ciência cartesiana, desenvolve toda uma tecnologia a fim de lutar para que o ideal cartesiano de supressão de todos os males se efetive.
A Psicologia, que não exerce a cura, e sim o cuidado, não se preocupa com a tecnologia, mas sim com o humano. Importa ao psicólogo o sentido dado, por aquele que está doente, bem como o de seus familiares, à doença, à vida e à possibilidade do morrer.
Psicologia, saúde e instituição
Segundo Angerami-Camon (2002) a Psicologia da Saúde agrega o conhecimento educacional, científico e profissional da disciplina Psicologia para utilizá-lo na promoção e na manutenção da saúde, na prevenção e no tratamento da doença, na identificação da etiologia e no diagnóstico relacionado à saúde, à doença e às disfunções, bem como no aperfeiçoamento do sistema de política e da saúde. A Psicologia da Saúde está, portanto, preocupada com a promoção da saúde, e com a minimização do sofrimento do paciente em caso de doença, visando à elaboração dos conflitos emocionais. A Psicologia da Saúde trabalha dentro de uma normatização institucional, que envolve a prática do psicólogo na instituição hospitalar. As instituições têm características peculiares que distam daquilo que é abordado na prática hospitalar e, para tanto, o trabalho do psicólogo difere da prática clínica em consultório.
A atuação do psicólogo na instituição hospitalar deve, principalmente, evidenciar o sentimento do paciente. O psicólogo na perspectiva fenomenológico-existencial deve ter em mente o aspecto humano, permitindo que o paciente expresse seus sentimentos de forma a elaborar o momento que está vivenciando e possa participar de tudo que lhe acontece. No entanto, cuidar de falar aquilo que pode ouvir e a seu modo, tratar a doença como algo inerente àquele indivíduo em determinado momento, respeitar as diferenças individuais, fazendo de cada relação uma situação singular, colocar-se à disposição do paciente e seus familiares, bem como estabelecer um trabalho de rotina na visita às diferentes enfermarias.
O PSICÓLOGO NA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR
DEVE, PRINCIPALMENTE, PERMITIR QUE O
PACIENTE EVIDENCIE SEU SENTIMENTO
MULTI E INTERDISCIPLINARIDADE
A saúde mental vem sendo foco de atenção desde a década de 50 quando se iniciou um processo de transformação da assistência psiquiátrica de forma que não mais se visasse à doença mental, mas à saúde mental. Ou seja, a meta passou a ser a prevenção. Com isso a multidisciplinaridade assim como a interdisciplinaridade passaram a ser questões presentes no âmbito hospitalar.
A equipe de atendimento integrada deveria trabalhar de forma multi ou interdisciplinar. Na equipe multidisciplinar há uma soma dos conhecimentos setorizados de forma que cada profissional possa colaborar igualmente do processo terapêutico, cada um com seu conhecimento específico e separado. Este seria um passo inicial no atendimento integrado. O próximo passo, o ideal, seria, então, a equipe interdisciplinar, nas quais os conhecimentos são integrados como um único saber que visa o bem-estar do paciente como um todo, e não de forma setorizada.
A equipe multidisciplinar pode ser definida como um grupo de profissionais que atuam de forma independente em um mesmo ambiente de trabalho, utilizando-se de comunicações informais. Dessa forma, os profissionais de saúde se unem pelo fato de a tarefa ocorrer em um mesmo ambiente, não necessariamente partilhando suas tarefas, constatações e responsabilidades que visariam aprimorar o serviço.
O trabalho de colaboração em equipe distingue-se pela uniformidade dos objetivos a serem atingidos, realçando as relações de troca entre os diferentes membros. Assim, o trabalho de colaboração da equipe corresponderia ao trabalho em equipe interdisciplinar. A equipe interdisciplinar é definida como um grupo de profissionais, com formações diversificadas que atuam de maneira interdependente, intere-relacionando-se num mesmo ambiente de trabalho, por meio de comunicações formais e informais. "A delimitação do papel profissional acompanha as expectativas dos outros membros da equipe quanto ao papel que o profissional em questão deve exercer, acrescidas das próprias expectativas do profissional sobre sua capacidade de realização e de interpretação das expectativas dos outros. As normas também exercem uma importante função para a execução das tarefas e para a manutenção do trabalho em equipe no hospital. Referem-se às regras implícitas, à noção coletiva de funcionamento da equipe e a resolução de problemas" (ANGERAMI-CAMON, 2002, p.106).
A visão biopsicossocial da saúde ainda permanece como um ideal. E com base nisso Angerami-Camon (2002) enfatiza que a atuação do psicólogo no contexto hospitalar não está somente limitada à atenção direta aos pacientes, estando a tríade paciente-família-equipe de saúde sempre fundamentando a atuação do profissional. Cabe ao psicólogo participar de equipes multi e interdisciplinares, nas quais o seu saber será compartilhado com outros OBSTÁCULOS NA INTEGRAÇÃO
Existem diversas dificuldades em relação à inserção do psicólogo no âmbito hospitalar, tradicionalmente limitado aos profissionais da área médica. O psicólogo ainda não conseguiu se estabilizar de forma definitiva dentro do hospital. Seus objetivos permanecem indefinidos e não há, ainda, uma explicitação da finalidade de seu atendimento. O psicólogo ainda segue um modelo de atendimento clínico que é inadequado ao atendimento ambulatorial. Dentro do âmbito hospitalar o atendimento psicológico deve responder a diversos critérios institucionais, nos quais os psicólogos são subordinados a instâncias da instituição hospitalar que, não necessariamente, visam o atendimento ideal, mas sim o mais prático e produtivo. Freqüentemente o psicólogo ambulatorial deve atender diversos pacientes durante um período no qual, na clínica, ele atenderia apenas um. "O local de trabalho do psicólogo hospitalar também é consideravelmente específico e diverso dos padrões anteriormente aprendidos em psicologia. Isso porque o hospital desmobiliza a segurança e a tranqüilidade do consultório tradicional, levando o profissional a realizar seus atendimentos entre macas no pronto-socorro ou no centro cirúrgico, ao lado dos leitos dos pacientes nas enfermarias, muitas vezes, conjuntamente com procedimentos terapêuticos e rotinas hospitalares" (ANGERAMI-CAMON, 2002). Assim, o psicólogo que exerce suas funções no hospital "deve estar onde estão os acontecimentos" (LAMOSA, 1987 citado por ANGERAMI-CAMON, 2002, p.114). A duração do tratamento é outra questão importante. Na clínica a alta é indefinida e o atendimento pode se prolongar por meses, ou mesmo anos. Já no atendimento ambulatorial, o atendimento deve ter duração limitada, podendo durar apenas o tempo mínimo exigido para a melhora. Deste modo, uma psicoterapia que visa à reconstrução da personalidade e a outros objetivos amplos deve, forçosamente, tornar-se mais rápida, eficiente e decisiva, desde o diagnóstico até a alta. Existe também uma enorme dificuldade na delimitação das responsabilidades que cabem a cada profissional da equipe e na definição das maneiras como estes limites devem ser vistos dentro de uma interdisciplinaridade.
O psicólogo hospitalar atua em uma equipe integrada, portanto deve perder a ilusã da onipotência
A formação do psicólogo torna-se fundamental a partir deste ponto. Tradicionalmente as faculdades de Psicologia formam psicólogos clínicos, preparados, modestamente, para o atendimento na clínica particular. Mas em realidade, a grande maioria dos psicólogos recém-formados acaba iniciando suas carreiras em instituições onde o atendimento ambulatorial é predominante, e estão pouco preparados para auxiliar na colocação mais definitiva do psicólogo dentro do âmbito ambulatorial.
O PSICÓLOGO NÃO SE LIMITA À ATENÇÃO DIRETA AOS PACIENTES, SUA ATUAÇÃO SE BASEIA NA TRÍADE PACIENTE-FAMÍLIA-EQUIPE
Deste modo, torna-se essencial trabalhar alternativas que possibilitem a inserção do psicólogo no âmbito hospitalar, pois a saúde, crescentemente, deixa de ser considerada uma questão unicamente biológica ou psicológica. Ela passa a ser uma interação dos aspectos biopsicossociais do sujeito.
"A atuação do psicólogo em âmbito hospitalar consiste essencialmente, em contribuir para a melhoria das condições do atendimento integral à pessoa do cliente, reduzindo o estresse da internação e mobilizando preventivamente os recursos emocionais para otimizar o processo de recuperação" (MALDONADO e CANELLA, 2003).
Estudantes têm sua formação voltada basicamente para a clínica, mas na realidade acabam iniciando a carreira nos ambulatórios
As saúdes mental e física, juntamente com o contexto social, ganham importância enquanto um todo. Sobressaem-se os métodos que propiciam a integração da equipe de atendimento, como a discussão de casos, a consulta interativa entre médicos e psicólogos, a utilização de novas técnicas que satisfaçam a demanda sem perder a eficácia, o atendimento em grupos, a psicoterapia breve, o uso da psicologia social visando o contexto como essencial à compreensão do caso e atuação terapêutica. Também seria importante dinamizar a instituição de atendimento de forma que ela deixasse de ser um local de isolamento social que perpetue a conduta tida como desviante e tornando-a um espaço aonde o convívio social extra-asilar é reforçado levando ao paciente a uma ressocialização.
Desta forma, o paciente passaria por um processo pedagógico de readaptação ao convívio social para a vida fora do asilo ou instituição hospitalar. A idéia central seria promover a saúde mental, presente, mesmo que apenas como um potencial, no sujeito, em vez de retaliar a doença mental. Ou seja, prevenir, e não apenas remediar.
O PSICÓLOGO NA EQUIPE DE SAÚDE
Segundo Maldonado e Canella (2003) o campo da Psicologia Hospitalar tem crescido significativamente nas últimas décadas, constituindo-se de uma especialidade da Psicologia, com cursos de especialização em várias áreas da saúde. Não obstante, ainda encontram obstáculos a serem contornados para delinear com maior precisão a área de atuação do psicólogo na equipe interdisciplinar, dentro da perspectiva de assistência integral e integrada.
"O pessoal do hospital espera da equipe de Psicologia não apenas um nível realista de trabalho, mas, sobretudo, um nível idealizado, afinal, chegaram pessoas que resolvem os problemas que ninguém consegue solucionar. Supõe-se que os especialistas em problemas emocionais e de relacionamento tenham poderes especiais e consigam dar um jeito em situações complicadas" (MALDONADO e CANELLA, 2003).
O bom profissional deve estar onde os acontecimentos estão
Segundo os autores, o psicólogo não deve ter a ilusão de onipotência, se enredar na expectativa idealizada, achando-se na obrigação de atender na base do "deixa comigo que eu resolvo o problema", como por exemplo, quando lhe chamam para dar uma notícia ruim. Os autores ressaltam ainda que o contrato onipotente, sobre o qual se assenta uma metodologia inadequada de inserção, é o principal responsável pelo fracasso do trabalho das equipes de Psicologia nas instituições. Soma-se a isto a dificuldade de outros profissionais da saúde reconhecerem a contribuição que a Psicologia pode oferecer para a melhoria da assistência e das condições precárias de atendimento, devido não só à falta de recursos básicos, como também à falta de visão do paciente como pessoa.
Conforme Angerami-Camon (2002) "a assistência psicológica no hospital é definida por especificidades que norteiam o exercício profissional do psicólogo no hospital como: as adaptações teórico-práticas que levam ao psicólogo redefinir sua práxis no próprio espaço institucional e conjuntamente com outros profissionais na equipe interdisciplinar; a transposição dos limites do consultório; a reformulação interna da forma de atuação e a reformulação de valores pessoais e profissionais do psicólogo".
Portanto, de acordo com a especificidade, quanto ao tipo de intervenção, o psicólogo que atua no hospital tem possibilidades de agir preventivamente, bem como exercitar-se em ação diagnóstica e terapêutica. (Confira quadro As funções do psicólogo no hospital).
As funções do psicólogo no hospital*
Ao psicólogo cabe também o paciente a entender a doença
Avaliar o grau de comprometimento emocional causado pela doença, tratamento e internações, proporcionando condições para o desenvolvimento ou manutenção de capacidades e funções não prejudicadas pela doença, tanto a pacientes como a seus familiares;
Favorecer ao paciente a expressão de sentimentos sobre a vivência da doença, tratamento e hospitalizações, situações por si só mobilizadoras de conflitos, facilitando a ampliação da consciência adaptativa do paciente, ao minimizar o sofrimento inerente ao ser e estar doente;
Fazer com que a situação de doença e tratamento sejam bem compreendidas pelo paciente, evitando, sempre que possível situações difíceis e traumáticas, favorecendo a participação ativa do paciente no processo; Atuar na humanização do atendimento, propiciando preparo para hospitalização, minimização de práticas agressivas por meio de preparo para condutas terapêuticas, exames, cirurgias, incentivo às visitas, preparo da alta e encaminhamento a serviços especializados;
Detectar e atuar frente aos quadros psicoreativos decorrentes da doença, ao afastamento das estruturas que geram confiança e segurança ao paciente, quebra do cotidiano e diferentes manifestações causadas pela doença e hospitalização;
- Detectar condutas e comportamentos anômalos à situação de doença e hospitalização, orientando e encaminhando para tratamento específico; Detectar precocemente antecedentes ou alterações psiquiátricas que possam comprometer o processo do tratamento médico, orientando e encaminhando a serviços especializados;
Melhorar a qualidade de vida dos pacientes, facilitar a integração dos pacientes nos serviços e unidades; Favorecer apoio e orientação psicológica aos familiares dos pacientes internados, incentivando a participação da família no processo de doença;
Contribuir para um melhor entendimento por parte da equipe de saúde dos comportamentos, sentimentos e reações dos pacientes e familiares; Estimular o contato íntimo e diário em equipe, visando discussões informais de casos clínicos e troca de informações profissionais; Estimular a realização de reuniões interdisciplinares para discussão de casos clínicos, estabelecimento de condutas uniformes e aprimoramento do atendimento; Desenvolver programas de saúde e pesquisas científicas.
*Segundo Angerami-Camon (2002)
membros, com formações e práticas distintas. Ética e Psicologia Como afirma Capitão (1995), a Psicologia não é uma "ilha isolada" de outros continentes do saber. Isso poderia ser aplicado a qualquer Ciência e, conseqüentemente, qualquer profissão. Uma vez que o homem está inevitavelmente inserido dentro de um contexto social, qualquer Ciência que diga respeito a ele, ou ao seu mundo, estará, essencialmente, ligada a outras ciências e áreas do saber. Um profissional que se coloca em uma ilha isolada não exercerá, de forma adequada, sua profissão, seja ela qual for. O economista que não conhece a sociologia será incapaz de fazer previsões financeiras eficazes, o sociólogo que desconhece a Psicologia será incapaz de fazer diagnósticos sociais adequados, o psicólogo que não tem noções de Medicina poderá fazer diagnósticos errôneos de certos desvios.
Conecte-se!
A Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar - SBPH - mantém um site para quem deseja mais informações sobre esta área de atuação. Lá, estão disponíveis links, referências bibliográficas para pesquisas, eventos e cursos, boletim, convênios, além de uma lista dos hospitais brasileiros que atuam na área de Psicologia Hospitalar. Para associar-se ou obter detalhes, navegue em http://www.sbph.org.br/
O homem enquanto profissional faz com que a utilização de grupos operativos para a equipe de trabalho se torne útil ao aumentar a capacidade de integração e comunicação desta. Por meio destes métodos, o profissional se tornaria mais capaz de compreender os profissionais de sua equipe e, conseqüentemente, melhoraria sua capacidade de exercer sua própria profissão. Sob esta luz, a existência de equipes multi e interdisciplinares dentro do âmbito hospitalar passa a ganhar importância, tornando possível diagnósticos mais exatos e eficazes, assim como um tratamento mais dinâmico que visa a melhora do paciente como ser físico e psicológico. A noção biopsicossocial define a necessidade da interatividade entre Medicina e Psicologia. Um paciente que sofre de um mal físico, dificilmente apresentará melhora se houver um sofrimento psíquico presente, e inversamente, um paciente que sofre de um mal psíquico, dificilmente apresentará melhora se houver um sofrimento físico presente. O bem-estar deve ser totalizador, incorporando todos os aspectos da vida do sujeito em sua existência biológica, psicológica e social.
Também é fundamental lembrar que ao ultrapassar seus limites, tentando sobrepor seu conhecimento ao de seu colega médico ou psicólogo, o profissional estará dando ao outro a liberdade para ultrapassar, também, seus limites profissionais. Estes limites não devem ser tidos como um aspecto negativo, mas como um benefício, pois como declara Aristóteles "cada qual julga bem as coisas que conhece, e dessas coisas é ele bom juiz". Ou seja, ao tentar avançar na área médica, o psicólogo estará se expondo ao erro e, conseqüentemente, expondo sua profissão aos perigos da imperícia. O código de ética nos pede, e exige, que reconheçamos nossos limites profissionais, recorrendo a outros quando o caso escapa à nossa capacidade. E será a partir desta atitude do psicólogo, de valorizar a medicina e outras áreas do saber, que ele ganhará o respeito de profissionais de outras áreas. Somente ao admitir os limites de nossa capacidade e delimitarmos nossa área de atuação que seremos vistos como especialistas. Isso não impedirá, contudo, que nossa atuação se dê de forma paralela ou integrada a outros saberes, pelo contrário, tornará esta interação mais viável e interessante, uma vez que estaremos sempre abertos a aprender e ensinar. Devemos buscar a igualdade, não a superioridade. Apreciar as diferenças existentes, em vez de anulá-las.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Além da competência técnica, o psicólogo precisa refinar-se como instrumento de trabalho, ampliando recursos de comunicação que propiciem a melhora substancial da qualidade do seu relacionamento com o paciente, com a família e com a equipe de saúde. O psicólogo precisa entender como vive o paciente para que o ato terapêutico exerça-se em toda a sua plenitude. A base do relacionamento é o encontro entre a pessoa do profissional e a pessoa do cliente, no contexto em que realiza o atendimento.
O psicólogo ambulatorial atende diversos pacientes durante o período no qual, na clínica, atenderia um só
Dessa forma seu trabalho evidencia-se na instituição hospitalar como interlocutor, buscando estabelecer um equilíbrio nas relações entre os profissionais, profissionais e pacientes, profissionais e familiares, familiares e pacientes; na relação com o paciente como observador atento, estabelecendo um diálogo como fator de cuidado com o paciente e uma escuta atenta da fala do paciente, deixando clara a necessidade de refletir sobre o significado do adoecer e mobilizando recursos próprios de cada paciente para o seu processo de restabelecimento; na relação com os familiares, sabendo-se que o desajuste do grupo familiar é algo freqüente como decorrência do surgimento da doença, o psicólogo deve apoiar psicologicamente os membros da família, dando atenção a esta, bem como as informações pertinentes, ajuda, assistência psicológica; realizar entrevistas no ato da internação para obter dados referentes ao paciente e seus familiares; informar sobre a doença, a importância da alimentação, da higiene e da relação com o paciente; na situação de morte colocar-se à disposição para assistir às famílias, dando-lhes apoio, orientação e proceder a uma reflexão.
"O PSICÓLOGO DEVE APOIAR
AS FAMÍLIAS, DANDO-LHES
ATENÇÃO, ORIENTAÇÃO
E INFORMAÇÕES REFERENTES
AO PACIENTE"
A Psicologia Hospitalar tem como objetivo principal, portanto, a minimização do sofrimento causado pela hospitalização e as seqüelas e decorrências emocionais dessa hospitalização, pois é notória a evidência cada vez maior de que muitas patologias têm seu quadro clínico agravado a partir de complicações emocionais do paciente, daí a importância da atuação do psicólogo no hospital.
REFERÊNCIAS :
ANGERAMI-CAMON (org.), Psicologia Hospitalar: Teoria e Prática. São Paulo: Pioneira, 1994, 114p. ANGERAMI-CAMON (org.), E a Psicologia Entrou no Hospital. São Paulo: Pioneira, 2003, 213p. ANGERAMI-CAMON (org.), Psicologia da Saúde: Um Novo Significado para a Prática Clínica: Pioneira, 2002, 225p.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2002, 240p.
CAPITÃO, Cláudio Garcia. Ética no contexto hospitalar. São Paulo: M.F. & Ismael, 1995.
FOCAULT, O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1998, 241p.
MALDONADO, Maria Tereza; CANELLA, Paulo. Recursos de Relacionamento para Profissionais de Saúde. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2003, 320p.
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