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domingo, 29 de abril de 2012

Coletividade inconsciente

Coletividade inconsciente Psicanalista Carl G. Jung estudou formas primitivas da nossa mente e criou teorias de arquétipos que explicam nosso comportamento e nossa busca por autoconhecimento Conrado Matos O psicanalista Carl Gustav Jung nasceu na Suíça e foi discípulo de Freud. Aprendeu Psicanálise e a levou para vários campos do conhecimento humano, um deles foi a Psicologia das Religiões, que Jung discutiu profundamente. Logo, também, para sua própria teoria, a "Psicologia Analítica". Jung em uma análise sobre os povos primitivos descobriu a existência de um inconsciente primitivo, ou seja, primeiro ou primordial desde o início de qualquer geração humana. Este inconsciente, Jung denominou de inconsciente coletivo. O inconsciente coletivo de Jung se conceitua por se estruturar nas imagens primordiais do desenvolvimento mais primitivo da psique. O homem herda tais imagens do passado ancestral, passado que inclui todos os seus antecessores pré-humanos ou animais. Dentro desses aspectos, Jung quis dizer que o ser humano traz psicogeneticamente um inconsciente herdado dos seus ancestrais mais primitivos possíveis, e que vai passando de geração para geração. Personalidade humana De acordo com a teoria Junguiana, levando aqui como discussão a obra dos psicólogos Calvin S. Hall e Vernon J. Nordb (Introdução à Psicologia Junguiana, Cultrix, SP), a psique faz parte da personalidade como um todo em primeiro lugar no ser humano, portanto, de acordo com o pensamento de Jung o homem não luta para ser um todo, ele já é um todo, ele nasce como um todo. Em relação ao inconsciente coletivo, Jung denominou o seu conteúdo de "arquétipos", que são Universais, e que todos nós herdamos as mesmas imagens arquetípicas básicas. Entretanto, Jung considerou cinco tipos de arquétipos que desempenham papéis importantes na personalidade humana. São eles os arquétipos: Persona ou máscara, animus, anima, sombra e o Eu. Jung dizia que o indivíduo deve saber lidar com os vários papéis que assume na vida, ou seja, deve saber conviver com vários personagens, sem se envolver definitivamente com a máscara - saber usar a máscara e saber sair dela sem se prejudicar. Jung classificou a máscara de face externa. Usar a persona, ou máscara em vários papéis sociais de maneira desequilibrada, pode provocar danos em diversos comportamentos humanos, seja através das relações intrapessoais ou interpessoais, em qualquer indivíduo que não seja capaz emocionalmente de conviver com várias máscaras, como por exemplo, no trabalho, na família, na profissão, e de modo geral na vida afetiva. O melhor equilíbrio é saber usar a máscara e saber sair dela, e saber usá-la quando bem precisar, como faz um ator com diversos personagens. O Anima, Jung o classificou de face interna nos homens e o Animus de face interna nas mulheres. Sendo assim, o Anima constitui o lado feminino da psique masculina, e o Animus constitui o lado masculino da psique feminina. Cada homem tem uma mulher dentro de si, assim como cada mulher tem um homem dentro de si. Desta forma, durante muitas gerações o homem desenvolveu seu arquétipo Anima pelo relacionamento continuado com as mulheres e vice-versa. Outro arquétipo que influi nas relações de pessoas do próprio sexo, que Jung denominou de Sombra. Este arquétipo faz parte da história evolutiva e mais aprofundada do homem, podendo ser mais poderoso e potencialmente mais perigoso de todos os arquétipos. Pode ser a fonte que há de melhor ou pior no homem, particularmente em suas relações com outras pessoas do mesmo sexo. A sombra pode ser se tornar perigosa quando os homens tendem a projetar os impulsos de sua sombra rejeitada nos outros homens, de modo que, entre eles, surgem com frequência sentimentos negativos. O mesmo ocorre com as mulheres. A sombra tem uma natureza resistente e ao mesmo tempo persistente, e igualmente eficaz, tanto para promover o mal ou o bem. A rejeição da sombra diminui a personalidade. É na sombra onde estão contidos os ímpetos animais do ser humano, e que na visão de Jung devem esses ímpetos ferozes e vorazes ser domesticados no indivíduo. O maior de todos os arquétipos, Jung apontou para o Eu, que é considerado o organizador da personalidade humana. Foi ao Eu que Jung classificou como principal arquétipo do inconsciente coletivo, considerando-o como elemento superior, unificador e harmonizador entre os demais arquétipos e suas atuações nos complexos e na consciência. Sem a presença do Eu, os demais arquétipos do inconsciente coletivo não conseguem ter firmeza e união. Portanto, compreende-se no conceito de Jung que, o Eu assume o comando interno interno e gerencia os conflitos dos traumas associados aos complexos, como também aos arquétipos, máscaras, animus, anima e sombra. É o Eu nesta condição psíquica, a suprema consciência, e que deve exercer com eficácia o seu trabalho. Do ponto de vista de Jung, a meta final de qualquer personalidade é chegar a um estado de autorrealização e de conhecimento do seu próprio Eu. Encontro de gênios ♦ Jung teve uma relação de amizade com Freud. Os laços foram criados, principalmente, porque ambos desenvolviam trabalhos inéditos em Medicina e Psiquiatria. A partir de 1906, passaram a se corresponder por cartas. Foram mais de 359 correspondências. O primeiro encontro aconteceu em 27 de fevereiro de 1907. Ocasião em que conversaram 13h ininterruptas. Depois deste encontro estabeleceram uma amizade de aproximadamente sete anos, durante a qual trocavam informações sobre seus sonhos, análises, confidências e discutiam casos clínicos. Em busca do conhecimento Percebe-se que Jung desejou em sua teoria psicológica, como meta suprema de realização humana, o autoconhecimento. Segundo Jung, as personalidades históricas que chegaram perto do conhecimento do seu próprio Eu foram, Jesus e Buda. Para Jung, a completa maturidade só é alcançada através do pleno desenvolvimento da personalidade, tornando o Eu mais fortalecido em sua plenitude, ou seja, em sua individuação. Jung dizia que muitos querem se autorrealizar sem o conhecimento de si mesmo, e completou justificando que, os religiosos orientais através de práticas ritualistas, acompanhadas de meditações, no caso da ioga, por exemplo, capacitam o homem oriental a perceber o Eu de maneira mais rápida que o ocidental. Sendo assim, repito, Jung concretizou que é no autoconhecimento onde encontra o caminho para a autorrealização. Pois bem, aproveito aqui neste tema sobre o inconsciente coletivo, para fazer uma abordagem sobre outra descoberta de Jung, que o mesmo a chamou de "Tipos Psicológicos", proveniente do resultado de suas experiências psiquiátricas no tratamento das doenças mentais, da sua ligação com homens e mulheres de todas as classes sociais, e também das suas próprias críticas psicológicas. Em Tipos Psicológicos, Jung se deparou com os processos psicológicos básicos, e que se ligam em várias combinações para determinar o caráter de um indivíduo, utilizando uma psicologia individual que descreve as características exclusivas e o comportamento de uma pessoa especifica, quanto as suas atitudes conscientes e inconscientes. Em 1921, Jung observou para os tipos de atitudes introvertidas e extrovertidas, que denominou esta obra de "Tipos Psicológicos". Neste estudo, Jung afirmou que são fundamentais para o indivíduo as duas atitudes, a introvertida e a extrovertida, e logo Jung denominou a atitude introvertida de "introversão" e a atitude extrovertida de "extroversão", formulando conceitos fundamentais no que condiz com as atitudes conscientes e inconscientes, que irei descrever em seguida. Para Jung, existem indivíduos mais introvertidos ou mais extrovertidos, mais objetivos ou mais subjetivos. Todo indivíduo, no dizer de Jung, que seja um extrovertido consciente é um introvertido em seu inconsciente, e todo indivíduo que seja um introvertido consciente é um extrovertido em seu inconsciente. Jung, também, analisou um indivíduo retraído, perdido e embaraçado em seus próprios pensamentos, este Jung apontou como doente. Jung também percebeu em certos fanáticos religiosos, uma ocorrência perturbadora, no com- portamento, do tipo obsessivo, que classificou como uma tendência psicótica. Para finalizar, o trabalho de Jung lhe proporcionou grandes revelações interiores, chegando sua autobiografia a uma revelação literária de profunda autoavaliação de seu julgamento, refletindo em um denso material subjetivo, sonhos, premonições e projeções. Jung recorreu o seu interior até o fim da sua vida, era a característica da sua personalidade. "O Eu assume o comando interno e gerencia os conflitos dos traumas associados aos complexos, como também aos arquétipos, máscaras, animus, anima e sombra" A prática da Ioga, assim como outras tradições orientais de meditação, era compreendida por Jung como práticas ritualistas que capacitam os homens a perceber o seu Eu de maneira mais rápida Preso ao passado No conceito de Jung a psicanálise deve buscar antes de tudo, investigar o inconsciente "primeiro" ou "primitivo", porque o indivíduo está preso ao passado, não somente ao passado da infância como pensou Freud, mas ao passado da sua espécie. Nisso Jung abre uma porta para a descoberta do inconsciente coletivo, procurando agregar a Psicanálise a novos conteúdos da mente (Conteúdos primitivos), para assim, tratar da doença mental decorrida das imagens inconscientes, como anima, animus e sombra, que são arquétipos que provocam pressão no próprio Eu. Portanto, para Jung desenvolver seu trabalho clínico na prática, necessitou utilizar da espiritualidade, se envolvendo com consultas de mandalas, cartas de tarôs, mapas astrológicos, análise de sonhos premonitórios, com a parapsicologia e associação de palavras. Foi no mundo espiritual que Jung teve especial apreço, o que desempenhou um importante papel em sua própria vida, e, posteriormente, em própria sua carreira profissional.

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