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domingo, 29 de abril de 2012

E a matemática nunca mais será a mesma

E a matemática nunca mais será a mesma Apoio psicanalítico à disciplina pode formar cidadãos capazes de não só resolver equações, mas recriar o mundo e o senso crítico Carlos Alberto de Souza Cabello é mestrando em Educação Matemática pela UNIBAN-SP, psicopedagogo (UNIBAN-SP) e especialista em Sistemas de Informação. Atualmente é professor da UniRadial e da Uniban. Mariangela Hantschick Siniscalchi é graduada em Tradução e Intérprete (UNIBERO) com larga experiência com Ensino Fundamental e Médio e realiza acompanhamento multidisciplinar. A matemática parece ser um problema literal para alguns alunos do ensino f undamental. Além das expectativas da idade, é carregada de reflexos do ambiente familiar e trajetória na educação infantil. Uma das grandes contribuições pode vir da Psicanálise, na tentativa de reverter esse estado de tensão reinante no ambiente escolar. Se não fossem os traumas da infância, muitos dos alunos seriam excelentes profissionais da área de exatas "A PREOCUPAÇÃO DE PIAGET ERA COMO ENSINAR A MATEMÁTICA E COMO ASSOCIAR ESSE CONHECIMENTO À PRÁTICA" É comum ouvirmos “matemática não é para mim”, “é muito difícil” ou “não vou precisar disso na minha profissão” e a percepção do nervosismo que impera no momento da prova com seus “brancos” a ponto de sonhar com a prova do dia seguinte. A concepção de consciência, baseada em diversas pesquisas, é semelhante à atenção, ou seja, estamos conscientes daquilo que ocupamos e inconscientes daquilo que não nos ocupamos. Em outras palavras, evitamos coisas supostamente dolorosas, perturbadoras e indesejáveis. Para Freud, os professores exercem o papel de pais substitutos, são respeitados na primeira infância e desidealizados na adolescência, fatos que podem ser considerados ordens de um inconsciente reprimido. Com muita freqüência vemos o aluno feito um astronauta, sempre no mundo da lua, viajando, e talvez a explicação seja seu inconsciente que determina o não interesse em aprender a disciplina. Frases ouvidas na infância como “é uma matéria muito difícil”, “só alguns iluminados conseguem sucesso” talvez tenham se fixado em nosso inconsciente e, nessa fase de estudos, os mecanismos de defesa (repressão, projeção, racionalização, clivagem, defesas maníacas e outras) se manifestem diante do possível fracasso. Apesar de a Psicanálise ter várias ramificações em muitas direções e teorias, todos os analistas fazem uso de aspectos da compreensão do inconsciente de Freud (A interpretação dos sonhos – Imago, 1999). Para ele, os sonhos representam a realização disfarçada de um desejo, exatamente aquilo que os sintomas neuróticos podem fazer. Uma tentativa de lidar com áreas da vida emocional que perturbam e envolvem conflitos e são em parte inconscientes durante as horas de vigília. Na prática pedagógica, observamos que, não fossem esses traumas trazidos da infância ou até mesmo da educação infantil, muitos dos alunos seriam excelentes profissionais da área de exatas. É como se a dificuldade não estivesse no fazer, mas no pensar. Quando pequenos, os pais acostumam mal com as facilidades de comunicação e do querer. Quando adultos, é o excesso de informação. A psicanalista Melaine Klein afirma que a identificação projetiva é uma fantasia inconsciente que, diferente do conceito de projeção, implica em livrar-se de partes funcionais do ego, como a capacidade de pensar (Obras completas I, II, III – Imago, 1996). Para Freud, “a humanidade, nos seus momentos de crises existenciais, parece saber o que faz, mas não sabe nem porquê nem para quê”. Piaget enfatizava a preocupação sobre como ensinar a Matemática e que essa preocupação não tem sentido dissociada de como se dá esse aprendizado, como se pensa matematicamente ou como são construídos os conhecimentos a respeito dessa área do conhecimento. As necessidades cotidianas fazem com que os alunos desenvolvam capacidades de natureza prática para lidar com a disciplina, mas muitos não conseguem associar a aplicabilidade do conceito aprendido na resolução do problema em questão. Programa de avaliação Na avaliação, de 2003, do Programa Internacional de Avaliação de Alunos – PISA, o Brasil mostrou alguns avanços. Cresceu em duas áreas avaliadas – Espaço e Forma e Mudança e Relação – e melhorou em Ciências. Foram 229 escolas SIGNIFICADO DA MATEMÁTICA O significado da Matemática para o aluno é resultado, também, das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos, destes com outras áreas do conhecimento e as situações do cotidiano. Essas relações são fundamentais para que o aluno compreenda os conceitos matemáticos porque, de forma isolada, eles não são uma ferramenta eficaz para a resolução de problemas e aprendizagem/construção de novos conceitos. No livro Etnomatemática: arte ou técnica de explicar e conhecer (Ática, 1990), Ubiratan D’Ambrósio resume em uma frase: “O aluno deve aprimorar o fazer a partir do saber e aprimorar o saber a partir do fazer”. Diferentes contribuições científicas (Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem da Neurologia, da Epistemologia Genética, da Pedagogia Moderna e do Sócio Construtivismo) mostram que a compreensão das crianças tem características próprias e de forma distinta dos adultos. O processo de aprendizagem é progressivo, acumulativo e nem sempre ocorre de forma linear, mas por saltos e em ciclos. O medo e a passividade não geram aprendizagem coerente ou ao menos inteligente, muito pelo contrário, são capazes e inibir a participação das crianças no processo de aprendizagem, isto é, seus inimigos. Freud, nesse contexto, afirma a necessidade de conhecer a trajetória da infância das crianças para conhecer de maneira parcial os comportamentos dessa faixa etária relacionados ao processo cognitivo. Ao contrário do modelo de relação pedagógica autoritária, elitista e excludente até então existente, contrapõe-se um novo-radical, onde o ser apreende. O aluno passa a ser o centro do processo de aprendizagem. O novo modelo estimula o adolescente à participação, a envolver-se em uma atividade construtiva, em projetos, e a posicionar-se de maneira crítica. A escola democrática, proposta por Montessori, Piaget, Wallon, Anísio Teixeira, Bourdieu e Passeron, Ana Maria Popovich, Paulo Freire, Emília Ferreiro, marcada por relações pedagógicas de inclusão, troca, respeito e estimulação, sugere o respeito pelas características biopsicossociais do aluno durante o processo de planejamento, desenvolvimento e avaliação de ensino. Ao professor é atribuído o importante papel de mediador, facilitador do processo de aprendizagem, isto é, o de criar as condições necessárias. O que inclui a aplicação dos conceitos aprendidos no contexto social do aluno e maior responsabilidade como zelo e garantia de aprendizagem da criança. Os currículos de Matemática para o ensino fundamental contemplam, hoje em dia, o estudo dos números e das operações (no campo da Aritmética e da Álgebra), o estudo do espaço e das formas (no campo da Geometria) e o estudo das grandezas e das medidas (que permitem interligações entre as áreas da Aritmética, da Álgebra e da Geometria etc.). O desafio é a identificação, dentro de cada um dos campos, quais conceitos, procedimentos e atitudes são socialmente relevantes para o futuro profissional do aluno. O aluno de hoje é bem diferente do aluno do passado e a escola deixou de ser a única forma de apropriação de conhecimento. Para eles, o grande desafio não é mais procurar as informações, e sim saber filtrar, escolher, desenvolver a capacidade crítica para saber como e onde aplicar essa informação. Conectado o tempo todo na revolução da informação e comunicação, o professor precisa apresentar, de forma mais atraente e motivadora, suas aulas para vencer alguns paradigmas sobre o aprendizado de matemática: Toda pessoa, sem traumas ou problemas mentais, quando exposta a situações motivadoras de ensino é capaz de aprender e avançar em relação a seus padrões anteriores de desempenho e aprendizagem; Padrões de aprendizagens cognitivas desenvolvidas pela escola podem ocorrer com maior ou menor grau de intensidade em função das características e estimulação desenvolvidas dentro de ambientes sociais. A família, por exemplo, como geradora dos primeiros contatos e dos primeiros estímulos. Há muito tempo, os cientistas tentam aprofundar o conceito de inteligência e saber como se desenvolvem as habilidades intelectuais na infância. Todos os pesquisadores apresentam, em comum, o desenvolvimento na infância. Estudos indicam que as primeiras investigações, realizadas no final do século XIX, seguiram vários caminhos diferentes. Os estudos de abordagem psicométrica e quantitativa, feitos pelos psicólogos americanos Lewis Madison Terman (1877–1956) e David Wechsler (1896–1981), enfatizam as diversas dimensões das habilidades intelectuais e diferentes instrumentos para determinar a inteligência. A Escola Cognitiva surge, no final dos anos 1950, com nomes como os dos psicólogos Jean Piaget (1896–1980) e Lev S. Vygotsky (1896–1936) e o do neuropsicólogo Alexander Luria (1902–1977). O estudo aponta que, na primeira fase de escolaridade, o desempenho cognitivo e acadêmico de crianças e jovens, de diferentes classes sociais, tende a atingir patamares médios bastante semelhantes se respeitados os obstáculos e dificuldades iniciais dos alunos. Fase em que também exige uma garantia de aprendizagem continuada mediante reforço, orientação e processos paralelos de acompanhamento para aqueles com mais dificuldades na relação ensino–aprendizagem. Nesse estar junto, o conhecimento das ações do inconsciente pode colaborar e muito com o professor. Família: a base de tudo Arcar com a escola não é suficiente, é preciso comprometimento com a estrutura afetivo-emocional da criança A família ainda é a unidade básica de crescimento e experiência, desempenho ou falha A transformação histórica do contexto sócio-cultural resulta de um processo em constante evolução no qual a estrutura familiar se molda. No entanto, é importante considerar que, por maiores que sejam as modificações na configuração familiar, essa instituição “permanece como unidade básica de crescimento e experiência, desempenho ou falha” (ACKERMAN, N. Diagnóstico e tratamento das relações familiares. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.), tanto para o desempenho saudável quanto patológico de seus componentes. Se as conquistas no âmbito do trabalho, por um lado, promoveram uma maior conquista, por outro, roubaram a possibilidade de controle do tempo. Sobretudo no que se refere à dedicação aos filhos e ao desempenho da função educativa dentro da família. Conseqüência disso foi uma reorganização das funções de marido e esposa, numa imposição de tarefas para os homens que, anteriormente, eram exercidas pelas mulheres. E a mulher passou a aceitar novas funções, muitas vezes não por querer, mas por necessidade. Esses fatores fazem com que os filhos comecem a ganhar valores sociais mais cedo e a restringir os valores morais familiares. Desde muito cedo, às vezes ainda bebês, crianças são deixadas, logo no comecinho do dia, pelos pais em escolas e creches. Na sociedade moderna, a mãe trabalha e o filho fica cada vez mais afastado dos pais e a mercê de ou-tras fontes, como a escola, no auxílio dessa função educadora. Os pais são obrigados a terceirizar a educação de seus filhos para a escola e a mesma, por sua vez, quarteiriza a educação para os professores (tias, recreacionistas, professoras da educação infantil). Há necessidade de enfatizar o papel da família, quer como referência, quer como base oficial financeira, mas muito mais importante é a ênfase no desenvolvimento afetivo e emocional. Durante toda essa fase do ciclo de estudos, as escolas, para mostrarem seus diferenciais, ocupam todo o tempo das crianças, muitas vezes sufocando-as com inúmeras atividades. O que pode criar uma certa resistência dos filhos em relação à escola. A família precisa estar conscientizada da necessidade de não apenas arcar com as mensalidades da escola, mas do comprometimento total com a estrutura afetivo-emocional que precisa ser construída com a criança. Nos primeiros 60 meses de vida, por exemplo, se forma toda a base neurológica e, depois desse período, acontece a aprendizagem a partir das relações humanas. Fases em que a família, pai e mãe, precisam estar presentes. Escola e família têm buscado soluções isoladas para problemas de aprendizagem das crianças e é possível constatar que a ausência de limites prejudica o desenvolvimento pessoal e os relacionamentos sociais. O excesso, por sua vez, impede o amadurecimento individual. Aprender está estritamente ligado às relações humanas. Não se aprende com qualquer pessoa e, sim, com quem se tenha alguma identificação. , 4 mil e 452 alunos, ao todo pelo País, distribuídas em zonas urbana e rural, das redes pública e privada "A APRENDIZAGEM É UM PROCESSO PROGRESSIVO, ACUMULATIVO, MAS NEM SEMPRE LINEAR E, SIM, EM CICLOS" INTERPRETAÇÃO DO ENUNCIADO Cabe aqui uma pergunta pertinente: A matemática é mesmo difícil ou não é bem ensinada? Toda aprendizagem, inclusive a cognitiva, é um processo contínuo, em progressão e não pode — nem deve — ser interrompida ou sofrer retrocessos ao longo do percurso. O cérebro humano não possui nenhum módulo de aprendizado automático de leitura escrita ou cálculo. Aprender depende de conhecimentos prévios. Sem falar que cada ser humano é singular, desde o início da vida apresenta ritmos e estilos diferentes para qualquer natureza de aprendizado. Sob outra perspectiva, o enfoque cognitivo dessas dificuldades pode ser decorrente de problemas de leitura não só do aluno, mas também dos professores. A psicogênese de Emília Ferrero revolucionou a concepção de como as crianças aprendem a escrever e a ler, mas não atingiu as metodologias de formação dos professores. Podemos observar no ambiente escolar que o problema não é a matemática, mas a interpretação do enunciado do exercício. Talvez fosse necessário preparar melhor o professor a não restringir-se a uma única e exclusiva disciplina. Outros fatores que podem ser lembrados, da Escola Cognitiva, são os problemas de memória a curto prazo, dificuldades de coordenação visual-material, o manuseio inadequado dos recursos de atenção e a falta de atenção seletiva e localizada. De acordo com os estudos de Freud, talvez devêssemos considerar esses fatos ordens de um inconsciente reprimido. Psicologia Cognitiva As razões das dificuldades de aprendizado, o processo da Psicanálise sobre o Eu, o inconsciente do aluno, são estudos realizados pelo psicopedagogo. Para realização dessa tarefa, o psi se utiliza de conhecimentos tanto da Psicanálise como da Psicologia Cognitiva, um ramo da psicologia que estuda a cognição, o processo mental. "CONECTADO O TEMPO TODO NA REVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO, O PROFESSOR PRECISA APRESENTAR, DE FORMA MAIS ATRAENTE E MOTIVADORA, O CONTEÚDO NAS AULAS" Em função de contribuições dadas pelos educadores das mais variadas áreas, como Didática, Metodologia do Ensino, Epistemologia, Lógica, Modelagem, todos esses profissionais da educação aprimoram seu trabalho ao escrever e reescrever o ensino das ciências matemáticas à luz de novos conhecimentos. Hoje o antigo já não serve mais e o novo ainda não está feito, não existem mais soluções prontas, as receitas indiscutíveis do passado não cabem nas novas tecnologias. A grande quantidade de informação disponível — seja de qual meio for — supera muitas vezes o conhecimento adquirido pelos professores de dez ou vinte anos atrás. Essa nova realidade de alcance do conhecimento coloca todos os educadores em uma situação, no mínimo, desconfortável. Na verdade, o objetivo do ensino da matemática sempre ultrapassa a mera memorização de informações e soluções costumeiras das quais se serve o professor para a transmissão de um conteúdo. Assim, avaliamos o êxito de qualquer ensino não pela capacidade de reprodução que o aluno tem da matéria apresentada, mas pela sua capacidade de construir soluções próprias para novos problemas. Nem que, para isso, se faça uso das soluções exemplificadas em sala de aula. Toda situação didática proposta ou imposta de maneira uniforme a todos os alunos é quase sempre inadequada para um grupo. Para alguns é fácil demais e, para outros, difícil demais. Mesmo que seja adequada ao nível de desenvolvimento cognitivo dos alunos. Pode parecer sem sentido para uns, sem valor para outros ou sequer despertar o interesse dos estudantes, a ponto de não desenvolver atividade intelectual suficiente para promover a construção de novos saberes. A necessidade de aprender a matemática e de pensar matematicamente, no mundo moderno e sobre ele, está ligada ao desenvolvimento acelerado da tecnologia nos últimos anos. Projetos apontam que, para exorcizar o fracasso escolar em matemática, é necessário apostar em mudanças na escola, na sala de aula, no aluno e no professor. A maior mudança, imposta à educação, refere-se ao computador. Podemos argumentar que não houve substituição ou suplementação de processos ou procedimento e que o objeto provocou uma reorganização da atividade humana dentro do sistema de ensino. Do ponto de vista cognitivo, o computador é limitado, mas a velocidade com que acessa e processa informações possibilita-o a participar do processo educacional. Inúmeros conteúdos escolares, hoje, têm muitos pontos em comum com a informática com a simples articulação e reconhecimento do que é estudado e do que se pretende ensinar. O sistema de mercado (financeiro, produtivo, organizacional, educacional etc.), ao aplicar um sistema de avaliação automático e informatizado para tudo e para todos, procura atingir padrões de qualidade total e transforma o sistema de ensino e a escola em uma máquina de notas, avaliações e conceitos. Em um paradoxo, estabelece também que “o ensino se dá ao longo da vida”, com certa isenção dos possíveis e inúmeros fracassos que se seguem ao longo de desastrosas políticas educacionais. Se o “cidadão se dá bem” é porque o sistema “avaliativo” tradicional mais uma vez mostrou eficiência, e, quando o “cidadão se dá mal”, é porque não tem competência para se reciclar e absorver novas tecnologias. As finalidades do ensino da matemática, como construção da cidadania, têm como objetivo fazer o aluno identificar os conhecimentos da disciplina como meios para compreender e transformar o mundo à sua volta e perceber o caráter de jogo intelectual, característico da matemática como aspecto que estimula o interesse, a curiosidade, o espírito de investigação e o desenvolvimento da capacidade para resolver problemas. Só há aprendizagem quando o educando reage de maneira dinâmica a uma questão que suscite seu interesse e responda à sua curiosidade. O êxito deve ser avaliado pela capacidade do aluno em construir soluções próprias para novos problemas Uma das finalidades da matemática, como construção da cidadania, é a percepção do mundo como caráter de jogo intelectual INCONSCIENTE APRENDIZ Essa é uma reflexão importante para entender a participação do inconsciente em determinados momentos no comando de determinadas ações no processo do aprendizado. A resolução dos exercícios em matemática exige a utilização de conhecimentos e o domínio de técnicas que, desse modo, se tornam significativas. Como os objetos matemáticos são abstratos, o domínio progressivo de técnicas adequadas e o desenvolvimento da leitura permitem que, paralelos a essa abordagem, os conceitos e as relações a construir possam ter um suporte físico. Se, por um lado, a manipulação de material pode permitir a construção de certos conceitos, por outro, pode servir também para a representação de modelos abstratos, permitindo assim uma melhor estruturação desses conceitos. Uma mente brilhante Baseado no livro homônimo de Sylvia Nasar (A Beautiful Mind), o filme narra a história verídica de John Forbes Nash, um gênio da matemática. Nash realizou uma descoberta impressionante no começo de sua carreira e ficou a um passo do reconhecimento internacional. Apesar do notável talento, ele sofre de esquizofrenia. Com a ajuda de sua mulher, supera a tragédia e conquista o Prêmio Nobel. Um tema, a cada ano, não deve ser tratado de uma só vez, nem independente dos conteúdos das outras disciplinas. A sua divisão, em várias unidades, o torna mais flexível, permite diversas ligações e releituras do mesmo conceito em momentos diferentes. Da mesma forma que essa interligação possibilita uma visão dinâmica e integrada da matéria. Nesse sentido, na busca de motivações, propõe-se o planejamento de cada ano, uma seqüência de unidades com uma gradação e alternância do tipo de dificuldades e de unidades de caráter mais lúdico, seqüência lógica dos conhecimentos, ligações relevantes entre unidades de temas diferentes, a retomada de processos diversos em diferentes momentos. Com uma aplicabilidade apropriada, pelo professor ou pelo grupo de professores, para a realidade de cada escola, mas com a meta de incentivar os alunos em relação ao conteúdo aplicado. Seria um ponto de partida e, quando possível, a aplicabilidade de problemas e situações experimentais para que, com o apoio da intuição, o aluno acompanhe — pouco a pouco — a formalização dos conceitos. Identificadas as situações, são estabelecidas conexões entre diversos temas para proporcionar uma oportunidade de relação entre vários conceitos, na promoção de uma visão integrada da matemática. Antes de qualquer incriminação ou descriminação do aluno no processo de aprendizagem, é importante rever ações de todos os envolvidos: pais, professores, a família como um todo e, aí sim, a partir dessas reflexões, entender as razões e dificuldades do não aprendizado. Nessas situações, há a necessidade de um conhecimento psicopedagógico por parte de todas as pessoas envolvidas para amenizar e diminuir os impedimentos do apreender. Em diversas ocasiões, observamos determinados comportamentos que só a Psicanálise pode explicar. Essa compreensão — das manifestações do inconsciente — pode provocar mudanças em nossas práticas e para melhor. Na área de exatas, em especial, a epistemologia genética detectou a singularidade das relações lógico-matemáticas perante o conhecimento do mundo físico e social. A aprendizagem é intrínseca à velocidade e forma de aprendizado de cada um. E os professores precisam fixar-se em um detalhe fundamental: o ensino é externo, ou seja, o professor é também um sujeito marcado por seu próprio desejo inconsciente. E é esse desejo que o impulsiona para a vocação de mestre. A realidade do inconsciente ensina que não há controle sobre o que se diz e, muito menos, dos efeitos das palavras sobre o interlocutor. Não se sabe o que o aluno vai fazer com aquelas idéias, quais associações serão feitas, e movimentos de desejo o impulsionarão a gostar mais disso e menos daquilo. Podemos dizer, também, que um professor orientado, a partir desse princípio, está mais preparado para determinados comportamentos. O conhecimento da Psicanálise pode alterar a filosofia de trabalho e, quem sabe, tornar a educação possível. Ou como diria Freud e Jacques Lacan, na forma revolucionária da assertiva cartesiana, a mente que aprende ciências humanas e biológicas pode aprender com a mesma facilidade ciências exatas, desde que esse aprendizado ocorra com prazer.

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