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sábado, 28 de abril de 2012

Moldando os ecossistemas

Moldando os ecossistemas Com o estado psicológico alterado, sob efeito de estresse, os animais buscam por alimentos ricos em açúcares e carboidratos para um rápido aumento de energia. Por Emma Marris Você está tenso e cauteloso, alerta a cada farfalhar da fo- lhagem e do estalar de cada graveto. Um predador está próximo, você pode senti-lo. Seu cora- ção acelera, você transpira. Silenciosa- mente...você pega um donut! O estresse acelera o metabolismo dos gafanhotos, levando-os a procurar por açúcares e carboidratos de fácil digestão para um aumento rápido de energia. Esse e outros resultados, publicados recentemente em três revistas científicas, poderão ter grandes implicações – não apenas da perspectiva das presas, como também para os ecossistemas em que elas vivem. Em condições mais relaxadas, mui- tos animais optam por alimentos que contém alto teor de proteína que aju- dam o seu crescimento e reprodução. Mas com um predador à espreita, eles precisam de combustível para alimentar rapidamente seus corpos acelera- dos – e fugir, caso seja necessário. Dror Hawlena, ecologista da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut, tem tentado compreender as implicações desse estresse predatório nas pradarias. Hawlena colocou gaiolas sobre a vegetação natural e acrescentou gafanhotos e, em alguns casos, aranhas com a boca colada, para que induzissem o medo nos gafanhotos, porém, sem poder matá-los. Os gafanhotos expostos às aranhas mudaram seu comportamento de comer gramíneas ricas em proteína e passaram a comer várias espécies de plantas ricas em açúcar, como a vara- de-ouro. Pensou-se, inicialmente, que esta mudança de dieta estivesse relacionada à facilidade com que os gafanhotos poderiam se esconder das aranhas nos ramos e flores da vara-de-ouro. Para isolar os possíveis efeitos dessa procura de refúgio, Hawlena também estudou gafanhotos colocados com aranhas amordaçadas, em terrários, em ambiente interno. Em vez de plantas, os gafanhotos recebiam uma dieta artificial de biscoitos ricos em açúcar ou em proteína. Foram observadas as mesmas tendências: os gafanhotos amedrontados optaram por aqueles ricos em açúcar, ao invés dos ricos em proteína. Todo esse consumo de comida açucarada significa que os insetos estressados estão ingerindo alimentos mais ricos em carbono e mais pobres em nitrogênio, do que os seus primos mais calmos, consumidores de proteínas. Entretanto, seus organismos estão desmanchando as proteínas para fabricar ainda mais glicose. O resultado é um corpo constituído significativamente por mais carbono e menos nitrogênio; dessa forma, após morrer e se decompor, esses corpos tornam-se fertilizantes mais empobrecidos. EM CONDIÇÕES MAIS RELAXADAS, MUITOS ANIMAIS OPTAM POR ALIMENTOS QUE CONTÉM ALTO TEOR DE PROTEÍNA QUE AJUDAM O SEU CRESCIMENTO E REPRODUÇÃO Hawlena pensa que o ecossistema pode sofrer dois tipos de alteração frente aos gafanhotos amedrontados. Primeiro, os gafanhotos comem mais vara-de-ouro e menos gramíneas, alterando a proporção dessas espécies no habitat natural. Segundo, o solo recebe menos nitrogênio, influenciando o que nele pode crescer. Em experimentos ainda em andamento, Hawlena tem obtido resultados intrigantes ao examinar os diferentes tipos de bactérias de solo que proliferam nos organismos dos gafanhotos mortos estressados e nos não estressados. Ele espera encontrar histórias semelhantes nos corpos da maioria dos outros animais. Os seres estressados provavelmente alterarão a sua dieta, e os relaxados e felizes, ao morrer, fornecerão melhores fertilizantes. Hawlena afirmou que esse fenômeno pode ajudar os ecologistas a entender alterações nos ecossistemas antes inexplicáveis, e fazer com que a Ecologia se torne muito mais uma ciência preditiva. Mas essa relação, se existir, pode não ser assim tão clara. Assim como no caso dos gafanhotos de Hawlena, acreditava-se que os alces do Parque Nacional de Yellowstone no Wyoming alimentavam-se de maneira diferente devido à ameaça de predadores. Alguns pesquisadores conjeturaram que o regresso de lobos ao parque poderia fazer com que os alces evitassem certas áreas “de risco” que continham predadores. Esse fato, por sua vez, propiciaria novamente o crescimento, nesses locais, dos álamos – árvores que eram antes devoradas pelos alces. Mesmo que em pequeno número – segundo essa hipótese – os lobos poderiam ter enorme impacto sobre tal ambiente. Infelizmente, não foi o que aconteceu, segundo mostrou estudo recente realizado por Mathew Kauffman e colegas, do US Geological Survey, em Lacamie, no Wyoming. Grupos de árvores e áreas experimentais cercadas revelaram que o crescimento dos álamos não ocorreu devido à presença ou à ausência dos lobos. Os alces realmente mudaram seu comportamento em resposta à presença dos lobos e evitaram, sim, as áreas de risco de um modo geral – mas não com frequência suficiente para alterar o quadro dos álamos. O efeito, afirmou Kauffman, não se estende proporcionalmente. Isto pode se dever ao fato de que alces próximos da inanição – como acontece com muitos no inverno – estão dispostos a correr qualquer risco para se alimentar. “Basta que um macho faminto diga ‘que se danem os lobos’ e se aventure em um habitat de risco e se alimente por lá durante alguns dias”, afirmou Kauffman. Resta verificar se os efeitos fisiológicos do estresse sobre os gafanhotos se estendem também às plantas, ao solo, às bactérias e assim por diante, ou se o efeito é muito pequeno e é abafado por todos os outros fatores causais intrincados nos ecossistemas. “É muito intrigante que [Hawlena e seus colegas] possam detectar esses efeitos”, disse Kauffman. “O que determinará a importância do ponto de vista ecológico é com que força esses efeitos se traduzem de um nível de organização biológica para outro”, ele complementou

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