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sábado, 14 de abril de 2012

Tanatofilia e Expressões Compulsivas

Transtorno Tanatofilia e expressões compulsivas Não é difícil encontrar, em diversos graus, um desejo mascarado, ou manifesto, pela morte em indivíduos neuróticos, perversos e psicóticos. O mesmo acontece com pacientes afetados pelo câncer, pelo lúpus eritematoso ou outras enfermidades incuráveis Por Moisés Tractenberg Quando falamos de compulsões, podemos nos referir às condutas desenfreadas do noticiário cotidiano: com significados de homicídio, parricídio, filicídio, genocídio, canibalismo, incesto, pedofilia, castração; ou também às disposições moderadas e controladas, como as que se organizam como rituais sociais e religiosos, e as que organizam a horda, a tribo, a nação; ou ainda às inclinações sublimadas, que conduzem os seres humanos para as Artes, às Letras, à Filosofia, às Ciências e ao progresso tecnológico. Refletem memórias individuais e transgeracionais que guardam identificações, lutos, culpas, vergonhas coletivas que renascem em indivíduos e famílias. As compulsões são resultados de fantasias, significantes representacionais e vínculos simbólicos, guardados no inconsciente individual e coletivo, organizando os pensamentos e o agir, gerando as patologias ou explicando a saúde mental. Podemos derivar das noções que Freud introduziu em 1920, no seu trabalho "Além do Princípio do Prazer", no qual afirma que os pensamentos bons, com predomínio erótico, são expressões das pulsões de vida, enquanto os pensamentos agressivos e destrutivos seriam polarizações das pulsões de morte. Na tanatofilia, a violência autoagressiva se expõe em condutas como o suicídio, em sua modalidade aguda, isto é, a autoeliminação instantânea da vida, ou crônica, por meio de mutilações ou acidentes que têm como resultado, a perda da vida, ou de uma parte do corpo. A tanatofilia se exterioriza, por outra parte, na violência homicida, nas atuações filicidas e parricidas, e no fenômeno do genocídio. No suicídio, a representação da conduta autoeliminatória exerce uma atração irresistível com idealização extrema. Menninger assinala que os componentes do impulso autodestrutivo são a necessidade de autocastigo, a agressão contra o ambiente e revestimento erótico da conduta suicida. Nesta atração, o ego, debilitado e dissociado, mostra-se enganado e seduzido por promessas de compensações prazerosas feitas pelo superego - pais filicidas internos - e este engano desempenha um papel fundamental no desencadeamento do ato suicida. Garma assinala que a aceitação submissa de dito engano do superego contribui basicamente para a alegria do ego existente nas reações maníaca. Segundo Freud, o sujeito só comete suicídio quando sente que ataca o objeto introjetado, com o qual se encontra identificado. Para M. Klein, uma tentativa inconsciente de suicídio pode significar para o ego "destruir os pais maus internos". Atração fatal No homicídio - filicídio, parricídio e genocídio - há uma atração irresistível exercida pela vítima (ou vítimas), cujas características, na percepção do assassino, ou em sua fantasia, a convertem em um objeto extremamente desejado por suas condições para receber e absorver o impulso agressivo dirigido pelo ego. Nesta atuação, o ego se identifica com um objeto muito persecutório e destrutivo, do superego, e trata sua vítima do mesmo modo onipotente com que se sente tratado por aquele. Todo crime emana de uma personalidade narcísica dominada por intensos mecanismos projetivos. Segundo Freud, as compulsões são resultados de fantasias, significantes representacionais e vínculos simbólicos, guardados no inconsciente e que organizam os pensamentos e o agir, gerando as patologias A tanatofilia humana se exterioriza em suas modalidades extremas - suicídio, homicídio - quando o ego precipita impulso agressivo-destrutivo contra a organização genital do próprio sujeito (situação primordial no masoquismo primário), ou quando o ego deriva esse mesmo impulso, na forma de um ataque, contra a organização genital do objeto (situação primordial no sadismo). Quando o ataque se desloca a outros aspectos do sujeito ou do objeto - zonas erógenas oral, anal, órgãos ou partes do corpo e a própria vida - eles estão implicitamente identificados com a organização genital. A finalidade última do ataque não se reduz à simples descarga do impulso destrutivo, que procura aniquilar a organização genital do sujeito ou a do objeto. Mas obedece a um propósito mais sinistro, que coincide com as finalidades da inveja primária não-neutralizada. A libidinização das tendências autodestrutivas se produz tanto nas enfermidades orgânicas como nas psíquicas Segundo M. Klein, o objeto primordialmente invejado é o seio bom: "o seio em seu aspecto bom é o protótipo da bondade, da paciência e da generosidade maternas inesgotáveis, assim como da faculdade criadora". Penso, contudo, que não é o seio, como tal, o objeto que contém tais atributos, mas a organização genital, como uma totalidade, que se converte, no psiquismo do lactente, numa representação do seio bom. Neste papel, a organização genital da mãe, enquanto contém as representações de uma cena primária feliz, é a que atua modificando as ansiedades esquizoparanoides da criança. Na tanatofilia humana, a finalidade da compulsão é o roubo e a incorporação de uma qualidade idealizada do objeto, apesar de que dita apropriação possa trazer como resultado a morte do sujeito ou do objeto. E esta qualidade estrutural do objeto - interno/externo - primordialmente invejada, é a organização genital, vivida como fonte de vida e estrutura integradora do ego. O dinheiro e a luta por possuí-lo constituem um símbolo habitual da genitalidade e um modelo de suas vicissitudes. O conceito de sexualidade é mais amplo que o de "organização genital" do self. O primeiro abarca também a sexualidade das pulsões autoeróticas, enquanto o último sempre implica, enquanto estrutura, a qualidade dos vínculos com algum objeto. No suicídio, pois, o ego, seduzido, submete-se aos pais filicidas internalizados no superego, invejosos de suas potencialidades genitais, e renuncia, enganado, à própria organização genital, identificada com a vida. Com esta atuação procura satisfazer uma fantasia onipotente de apropriação da mesma fonte da vida e capacidade de gozo eterno dos protopais (alcance da paz eterna - nirvânica - através de orgasmo-morte infinito; apropriação de um seio-pênis idealizado; identificação com o ego ideal). Junto com estas fantasias maníacas, o suicida realiza um ataque onipotente contra a organização genital de seu objeto externo, ao projetar "seu cadáver" na mente daquele. No homicídio, parricídio ou filicídio, o ataque destrói o objeto externo, e na mente do agressor se produz a satisfação de uma fantasia onipotente de roubo e apropriação da organização genital da vítima, identificada com as forças de vida da mesma. Crueldade acirrada A vítima assassinada dos assim chamados crimes sexuais não morre em virtude de uma experiência sexual, por mais cruel que esta possa ser, mas sim por lhe ter sido infligida a mais cruel violência. Pode ser que o aspecto sexual da conduta do assassino seja introduzido apenas para enganar a vítima e conseguir assim uma oportunidade para a finalidade do impulso cruel. O dinheiro e a luta por possuí-lo constituem um símbolo habitual da genitalidade e um modelo de suas vicissitudes. Assim, o conceito de sexualidade é mais amplo que o de "organização genital" do self No homicídio - filicídio, parricídio e genocídio - há uma atração irresistível exercida pela vítima (ou vítimas) ● Tanatofilia ● O alvo primordial na tanatofilia humana é a organização genital. A tanatofilia - atração compulsiva pela morte - encontra sua inscrição na ordem dos simbolismos e do pensamento desiderativo. A libidinização das tendências autodestrutivas se produz tanto nas enfermidades orgânicas como nas psíquicas. Não é difícil encontrar, em diversos graus, um desejo mascarado, ou manifesto, pela morte em indivíduos neuróticos, perversos e psicóticos, o mesmo sucedendo com pacientes afetados pelo câncer, pelo lúpus eritematoso ou outras enfermidades incuráveis. "Possivelmente, o assassino começa em estado de excitação sexual, a qual, entretanto, prontamente desaparece e serve somente para abrir as comportas dos impulsos destrutivos e violentos", diz Paula Heimann. A contribuição que sugiro para esta formulação se refere à finalidade do impulso à crueldade que, segundo minha hipótese, coincide com os propósitos da inveja primária. Minha divergência neste ponto, com M. Klein, reside em que o objeto primordialmente invejado não é o seio, e sim a totalidade da organização genital, encarada como fonte de vida e de todas as energias criadoras, e em que a finalidade da descarga tanática, para a fantasia maníaca do agressor, não é a destruição e aniquilação definitiva desse objeto (sentido como muito idealizado), e sim sua incorporação mágica e reparadora. O "cadáver" da vítima, esvaziado de sua organização genital invejada, necessita ser preservado e controlado a uma certa distância, como continente dos objetos maus, da maldade (instinto de morte) e das partes destruídas do agressor nele projetadas. Talvez seja esse o motivo fundamental porque, na maioria das culturas, costuma-se enterrar os mortos em cemitérios. Possivelmente, para o ego dos sobreviventes, seria muito temível que não estivessem colocados em parte alguma, o que significaria que estão em todos os lugares. Ao defender a ideia de que o alvo primordial dos impulsos tanatofílicos nas condutas homicidas, filicidas, parricidas e equivalentes, como o suicídio, crimes violentos, guerras e mutilações genitais é a organização genital, torna-se imperativo definir e esclarecer a extensão e compreensão que atribuo à mesma. Entretanto, ao utilizar o conceito de inveja de M. Klein, e em especial o da inveja primária, para caracterizar o propósito daquele ataque, devo referir-me inicialmente aos meus pontos de divergência desta autora. Masoquismo e Freud O ataque tanatofílico quase sempre é de natureza maníaca ou psicopática. Com o dano ao objeto externo, o sujeito destrói ao mesmo tempo seu objeto interno bom, uma parte de seu ego que contém este último, e diminui suas potencialidades instintivas. Quando a descarga agressiva não se pode materializar no objeto, e o ego se vê obrigado a dirigir o impulso agressivo contra si próprio - masoquismo secundário - a própria organização genital continua sendo o alvo principal do ataque. A elaboração desta hipótese se deve a várias interrogativas que surgem da introdução feita por Freud do conceito de instinto de morte. Este o levou a reformular sua definição do masoquismo e a admitir a existência de um masoquismo primário, como resultante da atividade do instinto de morte no próprio organismo. Entretanto, o destino primordial do impulso agressivo-destrutivo no interior do self, como estrutura complexa, não ficou definido por Freud. A caracterização dos comportamentos masoquistas como erógeno, feminino e moral, e o fato de estabelecer a procura da própria morte como um desenlace deste instinto, aproximam-se daquele propósito. O insatisfatório desta formulação reside em que, segundo o próprio Freud, "no inconsciente não existe nada que possa dar um conteúdo a nosso conceito da destruição da vida. Mantemos, pois, nossa hipótese de que o medo de morrer há de ser concebido como análogo ao medo da castração e que a situação à qual reage, ou seja, a de ser abandonado pelo superego protetor - pelos poderes do destino - é aquela com a qual termina a segurança contra todos os perigos. Não existe, pois, no inconsciente uma representação da morte e tudo o que dele se aproxima está muito impregnado de vida." Para Klein, a inveja primária deverá ser diferenciada de suas formas posteriores, nas quais já não se centraliza no seio, e sim na mãe recebendo o pênis do pai, dando à luz e amamentando A propósito da fonte de inveja, M. Klein afirma: "a inveja, sendo expressão oral-sádica e anal-sádica de impulsos destrutivos, opera desde o começo da vida e tem base constitucional", e mais adiante acrescenta: "... referi-me à inveja proveniente de fontes oral, uretral e anal-sádica, nos estágios iniciais do Complexo de Édipo e a conectei com o desejo de causar dano às possessões da mãe, em particular ao pênis do pai que, segundo a fantasia infantil, ela contém". Como finalidade e destino do ataque invejoso ao objeto, assinala: ".. a inveja, em troca, não somente busca desta forma roubar, como também colocar na mãe, e especialmente em seu seio, maldade, excrementos e partes de si próprio, com a finalidade de causar-lhe dano e destruí-la. No sentido mais profundo, isto significa destruir sua capacidade criadora". Com relação ao objeto primordial invejado, podemos ler: "...o primeiro objeto invejado é o seio nutrício. A criança sente que aquele possui tudo o que ela deseja, além de um fluir ilimitado de leite e amor, que é retido para sua própria gratificação". "... a inveja primária do seio... deverá ser diferenciada de suas formas posteriores, nas quais a inveja já não se centraliza no seio, e sim na mãe recebendo o pênis do pai, tendo bebês dentro dela, dando-os à luz e sendo capaz de amamentá-los. Ao referir-me ao voraz esvaziamento do seio e do corpo da mãe, à destruição de seus bebês e à colocação de excrementos maus dentro dela, esboçava o que mais tarde cheguei a reconhecer como o dano do objeto ocasionado pela inveja". No que se refere à fonte de inveja, estou de acordo com a autora em que é constitucional e se confunde com os impulsos destrutivos que têm sua origem no instinto de morte. Entretanto, devo acrescentar, seguindo o que formulei anteriormente, que o instinto de morte atua por meio dos objetos internos, que assumem características perseguidoras, confirmando-se, assim, a fantasia inconsciente do ataque invejoso. Porém, já com respeito à finalidade do ataque invejoso, tem-se a sensação de que M. Klein incorre em uma contradição quando utiliza expressões como: "destruição do seio, ou da mãe, ou dos filhos dela, ou da capacidade criadora da mãe". Considero-o, assim, porque o impulso invejoso nasce de carências do ego, o qual necessita eliminá-las, mediante a incorporação mágica do objeto invejado, e de seus atributos idealizados, não sendo de nenhuma utilidade, para o ego, a simples finalidade de destruí-lo. Se esta finalidade prevalecesse na fantasia daquele que inveja, não haveria sentido em diferenciar, conceitualmente, o impulso invejoso de um simples impulso, ou ataque agressivo. ● Organização genital ● Aplica-se a uma estrutura do ser humano que compreende, em seu aspecto morfológico, os órgãos sexuais externos e internos, bem como as representações inconscientes e conscientes que o ego tem deles nos processos de estruturação do esquema corporal. Da atividade funcional, estruturadora e integradora desta organização, surge a libido sexual infantil, que se expressa na busca do objeto por meio das zonas erógenas oral, anal, e genital, e, também, a direção total do desenvolvimento até o estabelecimento da primazia genital adulta. Com relação ao objeto primordial do ataque invejoso, penso que todas as qualidades, atribuídas por M. Klein ao seio, visto como objeto parcial, devam ser atribuídas à organização genital da mãe. No suicídio, pois, o ego, seduzido, submete-se aos pais filicidas internalizados no superego O seio real, percebido ou não, não é senão uma parte da organização genital do objeto mãe, a qual costuma gozar sexualmente enquanto alimenta seu filho. E, na medida em que o seio se constitui no protótipo do objeto bom, internalizado na mente da criança, representa simbolicamente a total organização genital "boa" da mãe, incorporada com a finalidade de promover o pleno desenvolvimento instintivo daquela. O objeto da inveja não é, pois, em si mesmo, o seio bom ou o mau, e sim a organização genital total da mãe, que também pode ser valorizada, como objeto parcial bom ou mau. Além disso, é ela que pode conter o pênis do pai, ou o pai total na fantasia do lactente e, da mesma forma, dar o alimento e mostrar-se capaz de gozar, dar nascimento aos bebês e desenvolvê-los em seu interior. Ao estabelecer esta diferença conceituai com M. Klein apoio-me também em declarações dela própria, quando afirma: "Eu não presumiria que o seio é meramente um objeto físico para a criança, à totalidade de seus desejos instintivos e fantasias inconscientes, infundem ao seio qualidades que vão muito além do alimento real que proporciona". Quando a descarga agressiva não se pode materializar no objeto, o ego se vê obrigado a dirigir o impulso agressivo contra a própria organização genital Identidade sexual A existência do conceito de "organização genital" no ego é determinada a partir da concepção, é a fonte da identidade sexual, e dela emanam as protofantasias herdadas, contidas no Id, relacionadas com o Complexo de Édipo, a cena primária e o complexo de castração. Em seu aspecto funcional adulto é vivida pelo sujeito como a fonte da vida, da capacidade de procriar e de amar, e da capacidade de proporcionar ao sujeito seu mais intenso prazer vital - o orgasmo - por meio da união genital com o objeto. Sua tarefa essencial consiste em dirigir o estabelecimento da genitalidade adulta, consolidando a autoidentidade sexual a partir de uma bissexualidade bioanatômica e psíquica, deve haver, desde o começo da vida, correlação entre a noção do aparelho genital e as fantasias sobre a sexualidade. Esta primeira correlação somatopsíquica estabelece um item ideal, da identidade de sexo. A supremacia tanatolibidinosa dos processos autoeróticos orais, anais e uretrais, que antecedem as funções da organização genital madura, já revela seu caráter de organizador inato e integrador das pulsões orais, anais e fálico-uretrais. Pelo contrário, estas pulsões, ao se subordinarem à liderança daquela organização, podem evoluir na forma da sexualidade infantil, no curso do desenvolvimento inicial. As funções narcisistas orais, uretrais e anais, diferentemente da função genital, acompanham o sujeito durante todo o desenvolvimento com o mesmo modelo funcional. Neste aspecto, são quase tão estereotipadas quanto a função respiratória. Em troca, as funções genitais, que passam por períodos de maior ou menor intensificação, sofrem transformações e determinam decisivamente o processo de elaboração das relações de objeto estabelecidas sob a primazia oral, anal e uretral.

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