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sexta-feira, 11 de maio de 2012
De quem é a culpa
De quem é a culpa?
Obesidade mórbida infantil deveria ser considerada abuso contra crianças?
por Philip Yam
Agora que a batalha contra obesidade chegou às escolas primárias nos Estados Unidos, é grande o empenho no combate à obesidade infantil e seus perigos. Eles variam de esforços educativos, como a campanha Let's move! da primeira-dama Michelle Obama, a novos programas de cirurgia pediátrica em todo o país.
Lindsey Murtaugh, da Harvard School of Public Health e David S. Ludwig, do Hospital de Crianças de Boston, apresentam sua proposta na edição de julho de The Journal of the American Medical Association. No artigo State Intervention in Life-Threatening Childhood Obesity, argumentam que crianças com índice de massa corporal muito alto enfrentam sérias ameaças à saúde.
Obesidade dessa magnitude pode causar consequências imediatas e irreversíveis, com maior destaque para o diabetes tipo 2. Essa complicação reflete anos de deterioração metabólica progressiva e tem um prognóstico horrível. Além de hipoglicemia, jovens com diabetes tipo 2 costumam apresentar forte resistência à insulina, alimentação de baixa qualidade, estilo de vida sedentário e resistência a tratamento médico.
Permitir que os filhos desenvolvam essa condição, que leva a danos cardiovasculares graves em todos os níveis e encurta a vida, pode ser considerado como negligência. Embora os autores apontem a existência de outros fatores “obesigênicos”, tais como o marketing de alimentos não saudáveis, a responsabilidade principal recai sobre os pais. E, como tal, leis existentes podem ser aplicadas.
A lei federal define abuso e negligência contra a criança como “qualquer ato ou omissão recente por parte de um genitor ou cuidador que resulte em morte, dano físico ou emocional grave ou omissão que represente risco iminente de mal grave”. A gravidade da negligência é julgada de acordo com a magnitude do risco de dano e por sua cronicidade. Práticas impróprias de alimentação que causem subnutrição e falhas no desenvolvimento têm sido há muito tempo tratadas dentro do quadro de abuso e negligência contra a criança.
Como resultado, os pesquisadores argumentam que a intervenção estatal “pode resguardar os interesses de muitas crianças com obesidade em grau de risco para a vida, constituindo a única maneira realista de controlar comportamentos danosos”.
Definir obesidade infantil como abuso colocaria um fardo tremendo sobre os parentes. Considerando o marketing e o baixo custo de cereais adoçados, refeições do tipo fast food com alto índice de gorduras e outras ameaças que visam explicitamente as crianças, outros também têm responsabilidade pela epidemia de obesidade infantil. Até o governo dos Estados Unidos pode ser culpado, já que o Departamento de Agricultura promove o consumo de alimentos americanos.
Ao escreverem seu ensaio, que dá o que pensar, Murtaugh e Ludwing reconhecem a solução real em longo prazo, pelo menos no que concerne ao papel do governo. “No fim das contas, o governo pode reduzir a necessidade de tais intervenções por meio de investimentos na infraestrutura social e em políticas para melhorar a dieta e promover atividade física entre as crianças”, conclui a dupla.
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