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sábado, 13 de outubro de 2012
Hiper e hipoatividade onde não se imagina
Hiper e hipoatividade onde não se imagina
Transtornos mais caracterizados por alterações de humor também trazem os sintomas. Conheça as formas em que ele se apresenta
Lou de Olivier
Segundo a Associação Brasileira do Transtorno Bipolar (ATBT), Transtorno Bipolar (TB) é caracterizado por alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos alternando-se com episódios de euforia (também denominados de mania), em diversos graus de intensidade. É uma condição médica frequente. O TB tipo I, que se caracteriza pela presença de episódios de depressão e de mania, ocorre em cerca de 1% da população geral. Considerando-se os quadros mais brandos do que hoje se denomina “espectro bipolar”, como o Transtorno Bipolar tipo II (caracterizado pela alternância de depressão e episódios mais leves de euforia - hipomania), a prevalência pode chegar a até 8% da população.
Assim, estima-se que de 1,8 a 15 milhões de brasileiros sejam portadores do TB, nas suas diferentes formas de apresentação. O início dos sintomas na infância e na adolescência é cada vez mais descrito e, em função de peculiaridades na apresentação clínica, o diagnóstico é difícil. Não raramente as crianças recebem outros diagnósticos, o que retarda a instalação de um tratamento adequado. Isso tem consequências devastadoras, pois o comportamento suicida pode ocorrer em 25% dos adolescentes portadores de TB.
Segundo artigo de José Alberto Del Porto, do Depto de Psiquiatria UNIFESP (EPM), “o transtorno bipolar caracteriza-se pela ocorrência de episódios de “mania” (caracterizados por exaltação do humor, euforia, hiperatividade, loquacidade exagerada, diminuição da necessidade de sono, exacerbação da sexualidade e comprometimento da crítica) comumente alternados com períodos de depressão e de normalidade. Com certa freqüência, os episódios maníacos incluem também irritabilidade, agressividade e incapacidade de controlar adequadamente os impulsos“.
Depressão infantil: grupos e suscetibilidades
Encontra-se descrição de sintomas de depressão infantil nos seguintes grupos de crianças:
• De zero a seis anos, a criança com depressão pode ter súbitas mudanças de humor, tendência ao isolamento, ter problemas com a coordenação motora, além dos sintomas já descritos ao longo deste artigo. • Dos sete aos trezes anos, pode perder o interesse por atividades que exercia e gostava antes. Já sabe se expressar bem e, por isso, já consegue definir se está triste ou infeliz. Pode se tornar muito quieta e chorona ou também pode ser agitada e impaciente, pode ter insônia e baixo rendimento escolar.
• A partir dos quatorze anos pode demonstrar alteração do humor, ansiedade, agressividade, baixa auto-estima, sentimentos de culpa, isolamento social, falta de concentração, ausência de apetite, rebeldia.
• Entre quatorze e dezoito anos, o indivíduo depressivo costuma experimentar drogas pela primeira vez e notar que isso proporciona espécie de “alivio” de sua depressão. Então para livrar-se do incômodo da depressão, passa a consumir mais drogas, viciando-se justamente por ter sua depressão diminuída durante o consumo e aumentada em períodos de abstinência. Por isso é muito importante que os pais estejam atentos para qualquer manifestação de depressão na infância para evitar que se chegue ao extremo de procurar drogas ilícitas quando existem tratamentos bem eficientes se iniciados a tempo.
No período de mania da bipolaridade, o comportamento do indivíduo pode facilmente ser confundido com hiperatividade
As fases maníacas caracterizam-se também pela aceleração do pensamento (sensação de que os pensamentos fluem mais rapidamente - hiperatividade), distração e dificuldade/ incapacidade em dirigir a atividade para metas definidas (embora haja aumento da atividade, a pessoa não consegue ordenar as ações para alcançar objetivos precisos). As fases maníacas, quando em seu quadro típico, prejudicam ou impedem o desempenho profi ssional e as atividades sociais, não raramente expondo os pacientes a situações embaraçosas e a riscos variados (dirigir sem cuidado, fazer gastos excessivos, indiscrições sexuais, entre outros riscos). Em casos mais graves, o paciente pode apresentar delírios (de grandeza ou de poder, acompanhando a exaltação do humor, ou delírios de perseguição, entre outros) e também alucinações, embora mais raramente.
Nesses casos, muitas vezes, o quadro clínico é confundido com a esquizofrenia.
Agitação na depressão
De acordo com Meleiro (2000), a depressão é um dos distúrbios psiquiátricos mais comuns na atualidade. Entende-se que cerca de 9% dos homens, em algum momento de suas vidas, irão apresentar alguns dos sintomas da depressão. Porém esses dados são os conhecidos pois acredita-se que há uma grande parte da população que, apesar de apresentar sintomas, segue sem diagnóstico da depressão ou por não procurar assistência medica, no caso de idosos e de pessoas com doenças físicas nas quais os pacientes podem pensar que seus sintomas depressivos são em decorrência de sua própria doença orgânica.
• Tratamento errado •
O cloridrato de metilfenidato é um estimulante do sistema nervoso central usado no tratamento do TDAH. O mecanismo de ação terapêutica não é conhecido e, se utilizado erroneamente para tratar hiperatividade em um caso de depressão pode agravar o caso. Acredita-se que o metilfenidato bloqueie a recaptação de norepinefrina e dopamina no neurônio pré-sináptico e aumente a liberação destas monoaminas no espaço extraneuronal.
Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que 20% das crianças e adolescentes apresentam os sintomas da depressão, como irritabilidade ou apatia e desânimo. Segundo o psiquiatra gaúcho Salvador Célia, presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria, o numero desce para 10% em se tratando da população brasileira e, caso não haja tratamento adequado, essas crianças têm fortes tendências a tornarem-se adultos depressivos pelo resto da vida (Leite, 2002).
Algumas pesquisas buscam comprovar uma herança genética predispondo à “depressão”. Porém o que se percebe em grande parte das pesquisas realizadas, é que, mesmo existindo uma predisposição genética, esta isoladamente, não determina a ocorrência de uma crise depressiva (Gasparini, 2000). Um indivíduo deprimido tem gestos e manifestações de melancolia e, ao menor estimulo, pode cair em prantos ou sentir uma tristeza profunda. Há uma sensação de cansaço que pode se manifestar como uma passividade e/ou apatia e isso costuma ser mais evidente nas primeiras horas do dia. Em casos mais graves, pode surgir tendência ao suicídio. (Gasparini, 2000).
A agitação citada como um dos sintomas da depressão é o que se chama erroneamente de hiperatividade como distúrbio
Cass (1999) afirma “os sintomas da depressão variam de indivíduo para indivíduo. A tristeza talvez nem sempre seja o sentimento dominante. A depressão também pode ser vivenciada como um sentimento de torpor ou de vazio, ou talvez sem nenhum sentimento, positivo ou negativo”.
Cass (1999) cita os seguintes sintomas: tristeza persistente, ansiedade, ou humor “vazio”; pessimismo ou sentimentos de desesperança; perda do interesse ou do prazer nas atividades habituais, inclusive sexo; insônia, acordar de madrugada, ou sono excessivo; agitação; diminuição da energia, cansaço, ou uma sensação de “lerdeza”; baixa da autoestima, sentimentos de inutilidade, ou de culpa excessiva ou inapropriada; dificuldades em se concentrar, em lembrar-se de algo, ou em tomar decisões; pensamentos de morte ou de suicídio recorrentes, tentativas de suicídio, ou um plano suicida específico.
A agitação citada como um dos sintomas é o que se chama erroneamente de hiperatividade como distúrbio. Neste caso, há mesmo uma certa agitação que pode ser uma hiperatividade mas sendo apenas um dos sintomas e englobando o quadro depressivo. Neste ponto, justifica-se o esforço da autora em divulgar a incompreensão e até a banalização do termo hiperatividade. Pois trata-se de uma característica da depressão de modo geral e mais acentuada ainda na depressão infantil, que une a agitação a uma maior dificuldade das crianças (em especial as de menos idade) em explicar o que estão sentindo, e acabam se tornando agitadas e confundidas com crianças hiperativas. Aliás, como já frisado várias vezes, não são apenas hiperativas. Seja qual for o distúrbio que apresentem, é um distúrbio que causa a hiperativ idade e precisa-se detectar qual é para depois medicar e/ou tratar terapeuticamente estas crianças.
Drogas e a hiperatividade X Drogas e hipoatividade
Na época em que foi publicado o livro A Escola Produtiva, em 1997 (por Lou de Olivier, edição esgotada) acreditava-se que a sensação de prazer fosse causada pela queima dos neurônios durante o consumo de drogas. Muitos estudos foram realizados até hoje e agora acredita-se que os efeitos de euforia e prazer que a droga proporciona são causados justamente pelo “passeio” da dopamina no cérebro sem ser recaptada pelos neurônios. A medida em que o indivíduo vai usando a droga torna seu cérebro mais “adaptado” e começa a depender da substância para funcionar de forma normal, assim diminuindo os níveis da dopamina no neurônio. Quando o usuário interrompe o uso, não há mais quantidade suficiente de dopamina e então vem a fadiga, depressão e alteração de humor. Ironicamente a substância que ele usou para se tornar menos depressivo, acaba causando justamente uma severa depressão tão logo passa seu efeito. Assim se desenvolve a dependência química da cocaína pois a sensação de euforia e prazer durante o uso dá lugar à depressão após o uso e vai fazer o indivíduo voltar a usar a cocaína para voltar a ter prazer e ai está estabelecido o círculo vicioso.
Vale lembrar que indivíduos que usam drogas, também apresentam grande hiperatividade durante o auge do efeito de seu uso. E, ao parar de usar, em depressão, podem apresentar hipoatividade. Também durante período de abstinência é possível ao indivíduo apresentar hipo ou, principalmente, hiperatividade. Portanto, aí está mais um exemplo em que tanto hipo quanto hiperatividade se apresentam como sintomas.
Geralmente há uma demora no diagnóstico da depressão infantil porque há outros distúrbios que causam sintomas parecidos
E é preciso ter consciência de que, em caso de depressão infantil apresentando hiperatividade, medicar a criança para diminuir a suposta hiperatividade pode agravar mais ainda sua depressão. Por isso é essencial levar a criança com “hiperatividade” a um bom profissional que tenha condições de detectar o real distúrbio do pequeno paciente e, se for uma depressão, saber que a última coisa que deve ser pensada é medicação para hiperatividade. Aliás, nem é o último procedimento, em caso de depressão infantil, medicar a hiperatividade sem detectar o distúrbio que a está causando deve ser algo fora de cogitação.
Irritabilidade e agressividade, entre outros comportamentos, são fatores que comumente levam a diagnósticos errôneos, mascarando a depressão infantil
Um dos distúrbios que geralmente é considerado antes de se pensar em depressão infantil é o TDAH. Doença pode ocorrer antes da fase escolar
O caso em crianças
Segundo Malagris e Castro, 2000, a depressão é um distúrbio emocional que passou a ser estudado em crianças há somente trinta anos. E é possível que esse distúrbio ocorra antes mesmo da idade escolar (Malagris e Castro, 2000). Geralmente há uma demora no diagnóstico da depressão infantil porque há outros distúrbios que causam sintomas parecidos e que acabam sendo considerados antes de se pensar em uma depressão. Um dos distúrbios que geralmente é considerado antes de se pensar em depressão é o TDAH.
Tratamentos Psicológicos/Psicoterapêuticos mais utilizados para os distúrbios comentados neste dossiê:
Antes de descrever as técnicas, deve-se afirmar que qualquer técnica terapêutica, não deve ser usada de forma isolada. Principalmente em distúrbios graves, além do tratamento terapêutico e do apoio da família procurando e incentivando tratamentos. Há sempre a necessidade de acompanhamento neurológico e/ou psiquiátrico, portanto, ao detectar sintomas de algum distúrbio, o indivíduo deve procurar sempre um Medico Neurologista e/ou Psiquiatra e, em paralelo um Terapeuta, desta forma se estará tratando de forma integral tanto medicamentosa quanto psicológica e sob outros aspectos também.
Psicoterapia
Pode ser utilizada em diversas abordagens e quase todas costumam dar algum resultado, variando o tempo de tratamento, as respostas do paciente e outros fatores que tornam cada abordagem diferente entre si. Como exemplo temos:
Terapia Cognitivo-Comportamental ou TCC
Aliada ao tratamento medicamentoso, costuma dar bons resultados. A Terapia Cognitiva engloba pensamentos, raciocínios, valores, regras, convicções etc. estipulando que a maneira como pensamos e entendemos valores, princípios, regras, determina o modo como nos sentimos, reagimos e nos comportamos. Psicoterapia Comportamental é fundamentada no Behaviorismo Radical de B. F. Skinner, baseada em princípios sobre o comportamento. Esta terapia trata dos “sintomas observáveis” e também do comportamento do paciente e relação ao ambiente onde vive e vice-versa. A junção do Cognitivo e do Comportamental, ou seja, a Terapia Cognitivo- Comportamental portanto analisa fatores diversos do pensamento e do comportamento (motores, afetivos, cognitivos) e utiliza abordagem prática do momento atual do paciente para eliminar comportamentos indesejáveis, entendendo que, mudando o pensamento, a forma de pensar e entender as situações,sentimentos etc. muda-se também o comportamento em reação a eles.
Psicanálise
Uma forma de Psicoterapia que busca especialmente no inconsciente a raiz dos problemas, traumas, fobias, etc. Geralmente é um longo tratamento pois busca aprofundar-se no universo do paciente. Entenda-se tratamento longo por anos ou até décadas. OBS: Entre a TCC que costuma ser mais rápida e a Psicanálise que costuma ser bem longa, muitas outras abordagens podem ser utilizadas, tais como a Programação Neuro Linguística (PNL - que ao contrário do que se pensa não é técnica nova). Os resultados irão variar de acordo com cada paciente e sempre tomando o cuidado de procurar também o tratamento medicamentoso, já que a maioria dos distúrbios citados neste dossiê exige medicação para seu controle.
Multiterapia
Uma mescla de áreas e técnicas torna a Multiterapia eficaz em diversos tratamentos na medida em que trata cada paciente como único, adapta o método a cada caso e acompanha a evolução de cada quadro individualmente. As principais áreas e técnicas que compõem a Multiterapia são Musicoterapia, Psicopedagogia, Arteterapia, Neuropsicologia, Medicina Comportamental e Artes Cênicas. O tratamento costuma ser rápido, pois além de ser artesanal (adaptado a cada paciente) muda não só os pensamentos e sentimentos do paciente como também o ambiente em que ele vive. E dependendo de cada caso pode-se utilizar TCC e diversas técnicas como análise em desenho e pintura, jogos dramáticos, jogos diversos, sons e ritmos, expressão corporal, relaxamento em diversos níveis, entre outros.
OBS: Seja qual for o método ou abordagem terapêutica escolhida pelo paciente é sempre aconselhável que, além do atendimento individual, ele busque também uma terapia em grupo e/ou familiar. Desta forma, o tratamento dará mais resultados.
Terapia familiar
Quando a família participa junto com o paciente das terapias, aprende a lidar melhor com a situação, com o distúrbio e até fortalece as relações familiares. Dependendo do paciente, a família pode participar juntamente com ele ou em sessões separadas. Isso dependerá de cada caso e a evolução do mesmo.
Terapia em grupo
Geralmente coordenada por um Psicólogo/Psicoterapeuta funciona na medida em que todos os pacientes relatam seus casos, pensamentos, duvidas e podem comparar casos, entendendo melhor seus distúrbios e aprendendo a lidar com eles através de experiências de outros participantes.
Há alguns anos, considerava-se que o problema só poderia ocorrem em adultos maiores de 25 anos
Grüspun (1999:33) afirma que antes os pais informavam sobre a depressão dos filhos, achando que sabiam tudo sobre eles. Atualmente, as crianças e adolescentes são capazes de fornecer informações valiosas sobre sua psicopatologia e nos proporcionam conhecimento sobre suas emoções e afetos. Transtornos depressivos, afetivos e de humor são mais comuns do que o suposto antigamente. Os adultos achavam que as crianças e adolescentes não tinham o direito de passar por depressão, porque não tinham problemas iguais aos deles – problemas econômicos, políticos ou amorosos – e consideravam que a depressão só aparecia depois dos 25 anos. Agora as crianças são diagnosticadas como depressivas.
A depressão infantil, entre outras complicações e problemas de comportamento, causa muitas dificuldades de aprendizagem, chegando a repetências escolares em crianças e adolescentes e, no caso especifico de adolescentes, pode desencadear delinquência e uso de drogas; falhas nos desenvolvimentos físico e emocional (Cândida, 2005).
Apesar de Ballone (2003) afirmar que, devido à diversidade dos locais e das populações estudadas, não haver unanimidade na definição dos dados entre os pesquisadores em se tratando de Transtorno Depressivo na infância e adolescência, Jeffrey (2003:2) cita que crianças e adolescentes com depressão sofrem de quatro classes principais de distúrbios: problemas relacionados ao pensamento, comportamento, que incluem dificuldade de concentração, indecisão, pensamentos mórbidos, sensações de inutilidade e culpa excessiva; os problemas emocionais de inutibilidade e culpa excessiva; os problemas emocionais incluem abatimento, irritabilidade, interesse ou prazer reduzido em suas atividades e uma falta de expressão ou variação emocional; os problemas comportamentais incluem agitação ou letargia. E finalmente, os sintomas psicológicos incluem muito ou pouco sono, falta ou excesso de apetite, fadiga e falta de energia. Neste ponto também é citada irritabilidade e agitação que podem ser erroneamente diagnosticados como hiperatividade. Enquanto que a fadiga e, em alguns casos, a letargia podem ser confundidas com uma hipoatividade como distúrbio, também de forma errônea, visto que esta é apenas sintoma.
É importante alertar pais e professores para que fiquem atentos aos principais sintomas que uma criança com depressão pode apresentar
• Relação •
“A depressão na primeira infância está relacionada com frustrações precoces e graves ocorridas no meio familiar e motivadas por roturas qualitativas no investimento maternal, lutos, descompensações depressivas das mães, descontinuidade dos cuidados ou por separações reais da mãe ou do prestador de cuidados”.
Fonte: http://www.scielo.oces.
mctes.pt/pdf/aps/v21n1/v21n1a06.pdf
Finalizando a abordagem da depressão infantil, é importante alertar pais e professores para que fiquem atentos aos principais sintomas que uma criança com depressão pode apresentar entre os 6 a 12 anos. São eles: tristeza sem motivo aparente, choro também sem motivo aparente, tornar-se apática, lerda, expressar-se de forma sofrida, referindo-se a ela mesma com desdém ou com desprezo, insistindo em citar somente seus defeitos, ter pensamentos de morte ou desistência de estudos, brincadeiras etc. E, por outro lado, pode apresentar muita irritabilidade, agitação e instabilidade de emoções que podem ser confundidas com hiperatividade pura e simples.
Em caso de bebês que apresentem depressão, os sintomas mais comuns são perda de peso, perda de apetite, insônia, dificuldade ou rejeição no contato humano, choro insistente e sem motivo aparente, ausência de expressão facial, diminuição de movimentos e atraso na aquisição de linguagem. Mas vale lembrar que há outros distúrbios que podem causar estes mesmos sintomas em bebês, por isso, os pais devem estar atentos e, caso o bebê apresente todos, ou ao menos, três desses sintomas, devem levá-lo ao pediatra que deverá solicitar exames e encaminhá-lo a outros profissionais que poderão fechar o diagnóstico preciso.
Outro comentário importante é que é incomum aparecer depressão em bebês. Na verdade ela aparece em artigos não acadêmicos, já os acadêmicos referem-se quase sempre a depressão pós-parto para as mães e não para os bebês. Em caso de depressão pós-parto são muitos os artigos e citam como causas principais associadas a vários fatores biológicos, obstétricos, sociais e psicológicos que se inter-relacionam.
A depressão em bebês aparece pouco em registros acadêmicos, sendo mais referida a depressão pós-parto da mulher
Portanto, antes de sair desesperada achando que seu bebê está com depressão, verifique primeiro outros sintomas e sempre leve ao pediatra que é o profissional indicado para diagnosticar qualquer distúrbio que o bebê apresente.
Referências
DE OLIVIER, LOU. Distúrbios de aprendizagem e de comportamento. Quinta edição. Rio de Janeiro: WAK Editora, 2010
COLL, C.; PALACIOS, J; MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
GRÜSPUN, H. Crianças e adolescentes com transtornos psicológicos e do desenvolvimento. São Paulo: Atheneu, 1999.
JEFFREY, A. M. Depressão infantil. São Paulo: M. Book do Brasil, 2003.
MALAGRIS, L. E. & CASTRO, M. A. Distúrbios emocionais e elevações de stress em crianças. In Crianças Estressadas. Causas, sintomas e soluções. MARILDA, E. Novaes Lipp (org.). Campinas, SP: Papirus, 2000
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Muito bom artigo.um alerta para lembrar que a hipoatividade poderá progredir para uma depressāo caso nāo seja diagnosticada precocemente.
ResponderExcluirMuito bom artigo.um alerta para lembrar que a hipoatividade poderá progredir para uma depressāo caso nāo seja diagnosticada precocemente.
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