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sábado, 13 de outubro de 2012
Hiperatividade X Hipoatividade
Hiperatividade X Hipoatividade
O entendimento dessas características como sintomas é a chave para o tratamento de diversos distúrbios, não sendo correto afirmar que elas próprias sejam patologias isoladas
Lou de Olivier
O termo hiperatividade é divulgado frequentemente como distúrbio caracterizado por atividade intensa. Porém, há tempos já se sabe que não deve ser sinônimo de distúrbio e, sim, como sintoma de algum distúrbio que deve ser detectado e tratado, cessando assim o sintoma da hiperatividade. Por outro lado, a hiperatividade também é amplamente confundida com alta atividade o que, na prática, coloca a maioria das crianças sob suspeita de ser portadora do suposto problema, já que é comum a qualquer criança ser ativa, às vezes, até em excesso. Isso é normal. Da mesma forma, nas escolas, crianças desinteressadas pela aula tornam-se bagunceiras, o que caracteriza a indisciplina.
A hiperatividade é sempre um sintoma e sua característica básica é uma atividade constante sem interrupção dia e noite. Acordado, o indivíduo não consegue parar ou realizar uma atividade, pois está constantemente em movimento, pode apresentar insônia com freqüência e, ao dormir, o sono é agitado, geralmente com pesadelos. Pode haver quedas da cama, justamente pelo excesso de atividade durante o sono. Resumindo, a principal característica da hiperatividade, é a atividade ininterrupta do cérebro, até quando o corpo já está cansado e pede descanso, o cérebro continua em atividade.
Este é um dos pontos mais importantes a se considerar quando uma criança apresenta hiperatividade incontrolável. Antes de diagnosticar hiperatividade como se fosse um distúrbio e imaginar que um medicamento possa "curá-la", deve-se analisar a doença (o distúrbio) que está desencadeando a atividade ininterrupta e, ao tratar a causa, obviamente o sintoma da hiperatividade será controlado.
Portanto, é preciso entender que a simples medicação para hiperatividade a controla, mas não trata o distúrbio que a causa. Para sanar (ou controlar) o problema de forma definitiva, é preciso detectar o distúrbio e suas comorbidades (quando um distúrbio se associa a outro ou o indivíduo apresenta características de dois ou mais distúrbios) e tratá-lo de acordo com suas características e necessidades individuais. Pois é preciso reforçar que mesmo que os indivíduos apresentem o mesmo distúrbio ou padrão de sintomas, cada um chegou ao quadro por um caminho, um aprendizado, um fator seja psicológico, neurológico, orgânico/físico, ambiental ou a junção desses fatores ou outros que possam influenciar o desencadear de um distúrbio. E sempre analisando cada caso como único, com um tratamento diferenciado, nunca se associando o mesmo tratamento, é possível alcançar grandes resultados na cura ou controle de distúrbios.
Por tudo isso, temos vários ângulos a analisar: quando uma criança é muito ativa, está sempre agitada, parecendo nunca se cansar, deve-se verificar como ela dorme. Se tiver sono agitado, com ou sem pesadelos, dormir na cabeceira e acordar nos pés da cama, cair da cama ou ainda se tiver tiques, convulsões ou outro sintoma parecido, deverá ser encaminhada a um profissional (pediatra, terapeuta, psiquiatra) apto a identificar seu distúrbio, tratá-lo ou encaminhar a criança a um tratamento. Se o sono da criança for tranquilo, pode-se dizer que é uma criança aparentemente normal, então, tudo o que se deve fazer, é deixá-la a vontade para "gastar" toda a sua energia durante o dia e poder dormir e descansar tranquila a noite.
Hipoatividade - Contrário de hiperatividade?
Em paralelo à hiperatividade, vêm sendo frequentes as afirmações em relação à hipoatividade como um distúrbio. Em alguns jornais e mais comumente pela Internet, é possível ler artigos de profissionais e até de pessoas leigas que já classificam o novo "distúrbio", cuja característica básica é a desatenção ou apatia exagerada e, nos artigos, ainda citam que este novo distúrbio é o contrário da hiperatividade. É possível encontrar até definições bem engraçadas comparando os hipoativos a uma samambaia (pela inércia de atitudes). Por incrível que pareça, alguns profissionais também escrevem sobre o tema, dando um "ar de seriedade" ao assunto e, diante disso, são muitos os pais e professores preocupados com o novo distúrbio... Algumas mães, já desesperadas, citam seus filhos com idade entre NOVE DIAS e dois anos, que sofrem desse mal, identificado no referido artigo, a hipoatividade. E alguns professores até saíram procurando um livro que esclarecesse esse novo "distúrbio" pouco divulgado, que é a hipoatividade.
São diversos os distúrbios que podem apresentar como sintoma a hiperatividade ou a hipoatividade ou, em alguns casos, os dois sintomas alternados
Novamente, é preciso entender que, assim como a hiperatividade, a hipoatividade também é um sintoma e nunca um distúrbio como já se cogita em diversos artigos não científicos, mas que acabam tendo repercussão. Sites considerados "oficiais" sobre dislexia, por exemplo, estampam o seguinte: "A criança hipoativa é aquela que parece estar, sempre, no 'mundo da lua', 'sonhando acordada'. Dá a impressão de que nunca está ligada em nada. Ela tem memória pobre e comportamento vago, pouca interação social, quase não se envolve com seus colegas e costuma não ter amigos..."
É preciso frisar que tanto a hiperatividade quanto a hipoatividade existem sim, porém não como distúrbios isolados que podem ser medicados e curados. Existem como sintomas, e é preciso ter consciência de que há uma necessidade urgente de se detectar qual (ou quais) distúrbios estão causando a hipo e/ou a hiperatividade. Este e/ou foi colocado propositalmente, pois em alguns casos, é possível apresentar-se os dois sintomas, ou seja, hiperatividade e hipoatividade em um mesmo paciente. Aprofundando-se mais no último sintoma (a hipoatividade), este é uma característica da diminuição de atividade cerebral (como exemplo a hipoatividade dopaminérgica mesocortical, ou seja, uma diminuição de atividade dopaminérgica na área mesocortical). Neste caso, nem sequer é um sintoma, tratando-se de uma característica da atividade cerebral que aponta para um distúrbio.
São diversos os distúrbios que podem apresentar como sintoma a hiperatividade ou a hipoatividade ou, em alguns casos, os dois sintomas alternados e é isso que abordaremos a seguir
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